CIP defende que lei laboral não justifica “conflito”. “A nossa proposta é equilibrada”

CIP admite cedências parciais nos contratos a prazo e 'outsourcing', mas avisa que estará contra uma alteração “inócua” ao Código do Trabalho e defende que é importante que esta fase "termine". Reunião no Ministério do Trabalho serve para preparar concertação social, sugere Armindo Monteiro.
'O que é importante é que este processo termine', diz Armindo Monteiro, presidente da CIP.
Vítor Chi
Catarina Almeida Pereira 10:57

Nós não estamos a procurar uma alteração tão significativa que obrigue a todo este conflito. A nossa proposta é uma proposta equilibrada”, disse Armindo Monteiro, presidente da CIP, à entrada da reunião com as associações patronais, a UGT e o Governo, atribuindo depois o adjetivo à proposta do Executivo. “Se há algum ponto que deve ser corrigido a CIP está totalmente disponível para o fazer”, garantiu.

Questionado sobre eventuais cedências nos contratos a prazo ou no ‘outsourcing’ logo após despedimentos, o presidente da CIP admitiu ajustamentos parciais, mas também disse que não faria sentido uma alteração ao Código do Trabalho que acabasse por se revelar “inócua”.

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“É possível fazer em tudo isso. Mas por exemplo na questão do 'outsourcing', se há alguma dificuldade no 'outsourcing' então tem de ser ponderado”, referiu. “A atividade de subcontratar é uma atividade económica regulada. E por isso se ela precisa de ser mais regulada regule-se, mas não se acabe com um instrumento de competitividade” que “válido em todo o país e todo o mundo”.

Apesar de admitir ajustamentos, o presidente da CIP defende que é importante que, no final, esta “não pareça que é uma alteração inócua”.  "Se nós andamos a brincar às alterações então não vale a pena. Temos o país em suspenso para depois no final dar tudo tão redondo tão redondo que não se alterou nada”, disse.

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Armindo Monteiro – que em entrevista ao Expresso, na semana passada, acusou a UGT de “extremar posições” e que admitiu que o mais provável é não haver acordo – disse também aos jornalistas que teme que nesse cenário a lei laboral seja “capturada por interesses mais eleitorais” no Parlamento.

“Neste momento o país exige que se termine este processo e é bom que ele seja feito na concertação social porque é no diálogo entre representantes dos trabalhadores e empregadores que se pode chegar a isso. Se ele for para a Assembleia da República eu temo que possa ser capturado por interesses mais eleitorais, de política partidária, que é legítima, mas não faz sentido, a relação laboral é demasiado séria para não ser discutida com aqueles que são os parceiros mais diretamente envolvidos”, afirmou.

A CIP não aceita, contudo, arrastar o processo que começou com a apresentação de um anteprojeto do Governo, em julho, que justificou a primeira greve geral conjunta entre a UGT e a CGTP desde 2013, em dezembro. “O que é importante é que este processo termine porque temos 5,3 milhões de trabalhadores num país que está imprevisível. Agora estamos em pleno emprego mas alguns sinais indicam que isso também está a mudar”, alegou, considerando que este encontro “é uma reunião de preparação para a reunião plenária”, ou seja, da comissão permanente de concertação social, com a presença das seis confederações, incluindo a CGTP.

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Sobre a ausência da CGTP, o presidente da CIP, que foi a única confederação a prestar declarações à entrada, respondeu que neste encontro estão os parceiros que se manifestaram disponíveis para tentar um entendimento.

Nas últimas semanas os parceiros sociais estiveram representados em reuniões técnicas das quais .

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