Emprego Robôs ainda não nos estão a tirar todos os empregos, diz o Banco Mundial

Robôs ainda não nos estão a tirar todos os empregos, diz o Banco Mundial

Num relatório que desvaloriza o impacto das novas tecnologias no nível de emprego, o Banco Mundial chama atenção para a importância do investimento em saúde e educação. Portugal surge em 16.º lugar num índice que procura medir até que ponto os países garantem condições para manter os níveis de produtividade nas futuras gerações.
Robôs ainda não nos estão a tirar todos os empregos, diz o Banco Mundial
Reuters
Catarina Almeida Pereira 03 de janeiro de 2019 às 12:29

Portugal, Singapura e Espanha são alguns dos países onde o emprego industrial caiu 10% ou mais desde 1991, em parte devido à transição para o setor dos serviços, mas no Vietname ou no Laos a proporção está a aumentar.

São exemplos referidos no último relatório do Banco Mundial, que desvaloriza o impacto da automatização ao concluir que em termos globais ainda há pouca evidência que os humanos estejam a ser substituídos no trabalho por máquinas.

"A ideia de que os robôs podem substituir os trabalhadores gera preocupação. No entanto, exagera-se sobre até que ponto a tecnologia constitui uma ameaça para o emprego", uma lição que a história já terá contado algumas vezes no passado, desde que receios desta natureza surgiram no século XVIII, ilustra o relatório. 

"Os dados sobre empregos na indústria a nível mundial não justificam este nervosismo. Nas economias avançadas eliminaram-se postos de trabalho industriais, mas o aumento do setor industrial na Ásia oriental mais do que compensou essa quebra".

"O medo de que os robôs eliminem empregos não é, até agora, suportado pelas evidências" sublinha a economista chefe do Banco Mundial Pinelopi Goldberg, em entrevista à Bloomberg.

"É verdade que nalgumas economias avançadas e que em alguns países de rendimento médio a automatização está a eliminar postos de trabalho no setor das manufaturas", lê-se no relatório. "Os trabalhadores que realizam tarefas rotineiras codificáveis são os mais vulneráveis a serem substituídos".

Apesar disso, "a tecnologia traz oportunidades de criação de novos empregos, aumento da produtividade e prestação eficaz de serviços públicos", gerando "novos setores e novas tarefas". As crianças que estão na escola primária, dizem os autores, vão trabalhar em empregos que ainda não existem.

Constantando que a era do emprego para vida está em declínio, o Banco Mundial põe a tónica nas competências que serão valorizadas no futuro – uma combinação de 'know-how' tecnológico, capacidade de resolver problemas, pensamento crítico, e "soft-skills" como perseverança, capacidade de trabalho em equipa e empatia.

"Na ‘gig economy’ os trabalhadores terão vários trabalhos ao longo da sua carreira, o que significa que vão ter de aprender ao longo da vida".

Investimento em saúde e educação: Portugal em 16.º lugar

Neste quadro, prosseguem os autores, o investimento nas pessoas – e sobretudo em saúde ou educação – torna-se essencial para prevenir grandes disrupções. O relatório elabora um "índice de capital humano" que mede as consequências da falta de investimento na quebra de produtividade da futura geração.


"A nossa análise sugere que nos países com o mais baixo investimento em capital humano a força do trabalho do futuro só terá de um terço a metade dos níveis de produtividade que teria se as pessoas estivessem de plena saúde e tivessem recebido educação de alta qualidade".

Com uma pontuação de 0,78 (numa escala de 0 a 1), Portugal fica em 16.º lugar numa lista de 157 países.

A lista (disponível na página 62 do relatório) é liderada por Singapura, Coreia do Sul e Japão, tendo vários países europeus nas primeiras posições. O Chade, o Sudão do Sul e a Nigéria estão nos últimos lugares.

Crítico será ainda o investimento em proteção social, um conceito desconhecido para quatro em cada cinco pessoas dos países em desenvolvimento, onde seis em cada dez trabalhadores estão na economia informal.




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