Deputados contrariam Governo e aprovam lay-off pago a 100%
A oposição juntou-se e aprovou esta quarta-feira na especialidade o pagamento a 100% do salário bruto, com o limite de 2.760 euros, aos trabalhadores abrangidos pelo lay-off criado para os concelhos mais afetados pelas tempestades, contra a atual vontade do Governo. Proposta do BE foi apoiada por PS e Chega. PSD e IL foram os únicos a votar contra.
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A oposição juntou-se e aprovou esta quarta-feira na especialidade o pagamento a 100% do salário, com o limite de 2.760 euros, aos trabalhadores abrangidos pelo lay-off criado para as zonas atingidas pelas tempestades.
Com a aprovação da proposta do Bloco de Esquerda, a oposição força assim o Governo a cumprir a sua promessa inicial, do início de fevereiro, de pagamento a 100%. O diploma publicado dias depois prevê cortes salariais logo acima do salário mínimo, tal como o Negócios noticiou na altura.
A proposta aprovada no âmbito deste processo de apreciação parlamentar, que foi corrigida durante a discussão na especialidade, prevê que os trabalhadores tenham direito a uma compensação retributiva que corresponderá a 100% da retribuição ilíquida, até ao limite de três salários mínimos, tal como aconteceu numa das fases da pandemia.
Todos os partidos votaram a favor, com exceção de PSD e IL, que votaram contra, confirmando que o Executivo não tem atualmente vontade de corrigir o diploma.
Onde o PSD vê "mão cheia de nada", oposição vê um novo direito
Durante a discussão, o PSD começou por argumentar que mais despesa este ano violaria a norma travão e que a proposta do BE para fazer refletir a despesa no orçamento seguinte – que também acabou por ser aprovada – não garante “certeza técnica e financeira”. “O senhor deputado não saber neste momento se vai ter orçamento do estado para 2027”, começou por alegar a deputada do PSD Carla Barros.
Tal como outros partidos da oposição, o PS sustentou que o Governo pode sempre avançar para um orçamento retificativo – hipótese que tem sido rejeitada pelo Executivo – utilizar as "folgas orçamentais" que dispõe, a dotação provisional, ou simplesmente reforçar os apoios no contexto de criação do PTRR.
Depois da viabilização da proposta do BE para tentar contornar um dos principais argumentos do Governo – o da eventual violação da norma travão – a deputada do PSD descreveu as conclusões como "uma mão cheia da nada" por prever um financiamento "que só chegará em 2027".
"A verdade é que o Governo poderia ter cumprido o que prometeu mas não cumpriu", disse a deputada do Chega Felicidade Vital, com argumentos semelhantes ao que foram utilizados pelo PCP ou pela restante oposição.
Para Miguel Cabrita, do PS, os trabalhadores "passam a partir de hoje a ter a garantia 100% do seu salário ilíquido", uma vez que a lei da Assembleia da República consagrará as novas regras a aplicar pelas empresas.
"Que seja consenso nacional que ninguém tenha de reconstituir a sua vida com o salário cortado", disse o deputado Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, que apresentou a proposta aprovada. "Que nenhuma empresa tenha problemas de tesouraria porque o Governo quer ter um braço de ferro com a Assembleia da República", acrescentou.
Esta terça-feira, em concertação social, a Confederação do Comércio e Serviços (CCP) e as duas estruturas sindicais (CGTP e UGT) mostraram-se a favor do pagamento a 100%.
Notícia atualizada às 13:46 com mais informação.
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