CAP defende proposta “muito equilibrada” e pede “decisão definitiva” à UGT e ao Governo
As duas confederações sindicais e as quatro patronais são recebidas pelo Presidente da República esta quarta-feira, na véspera da reunião do secretariado nacional da UGT. Acompanhe aqui.
- 2
- ...
Na campanha eleitoral, António José Seguro ameaçou vetar a reforma laboral caso o diploma chegue a Belém na sua versão original.
O Presidente da República tem defendido um acordo tripartido em torno da proposta que continua a merecer fortes críticas na UGT, que reúne amanhã o secretariado nacional para tomar uma posição oficial.
Esta tarde, na véspera, os parceiros sociais são recebidos no Palácio de Belém. A CGTP, que já tinha pedido uma reunião “urgente”, é a primeira a ser recebida. Seguem-se, por esta ordem, a CAP, a UGT, a CTP, a CCP e a CIP.
CAP defende proposta “muito equilibrada” e pede “decisão definitiva” à UGT e ao Governo
Álvaro Mendonça e Moura afirmou à saída do encontro com o Presidente da República que espera que a UGT e o Governo tomem agora uma “posição definitiva” sobre a proposta de alterações à lei laboral, que defende que é “muito equilibrada”. O presidente da Confederação dos Agricultores não vê “vantagens” numa eventual reabertura das negociações.
“A UGT já discutiu este documento, como nós, durante mais de 200 horas e portanto sabe muito bem qual é a posição de todos os intervenientes. O secretariado [nacional] agora tem de tomar uma posição e depois parece-me – francamente, no ponto em que nós chegámos – que a bola passará para o campo do Governo e que o Governo terá de tomar as suas decisões”.
Embora apele a um acordo tripartido, defendendo que o documento deve acabar por ser aprovado por “vários partidos”, a CAP não vê “vantagem” em reabrir a longa discussão que se encerrou na sexta-feira passada.
Até porque, na opinião de Álvaro Mendonça e Moura, está em causa um documento “muito equilibrado” e “largamente consensualizado", e que "não vejo que possa trazer dificuldade aos sindicatos”. Proposta essa que em todo o caso garante os pontos que a confederação considera fundamentais, permitindo resolver o problema da “falta de mão de obra” no setor.
Durante o processo, a confederação defendeu, por exemplo, a possibilidade de aumentar o limite anual do trabalho extraordinário de 200 para 300 horas quando tal ficar definido em negociação coletiva. A possibilidade de aumento de férias, sugerida em novembro à UGT, acabou por cair, não constando da versão preparada para a central sindical tomar posição.
CGTP espera que Seguro seja “sensível” a um processo “ferido de inconstitucionalidades”
A CGTP, que foi a primeira a pedir publicamente e a primeira a ser recebida pelo Presidente da República, acusou à saída o Governo de estar a promover um processo “ferido de inconstitucionalidades” e ao “arrepio” da vontade dos trabalhadores, argumentos aos quais espera que António José Seguro seja “sensível”.
“Foi ao arrepio da Constituição todo este processo”, disse Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP. “Há matérias neste pacote laboral que são inconstitucionais, o afastamento da CGTP é inconstitucional e portanto alguém como a figura do Presidente da República terá no momento certo de se pronunciar” sobre isso.
“Com certeza que o Presidente está sensível a isto porque estamos a falar dos trabalhadores, estamos a falar da maioria”, disse, em resposta a uma pergunta, tendo remetido depois a posição de António José Seguro para o próprio.
“O Presidente da República na campanha eleitoral disse que este pacote laboral se não tivesse respaldo na concertação social não teria da parte dele posicionamento favorável ao mesmo”, afirmou, referindo-se à ameaça de veto político.
“Há outra questão paralela a esta que não podemos esquecer: a maioria dos trabalhadores pronunciaram-se no sentido de rejeitar e o Presidente da República também tem de ouvir a maioria dos trabalhadores. A outra questão é que este pacote laboral está ferido de inconstitucionalidades, principalmente pelo afastamento da CGTP”, disse, voltando a desafiar o Governo a “retirar” o pacote laboral.
Lei laboral: "Só razões de natureza política podem impedir" acordo, diz Montenegro
“Costuma-se dizer que a esperança é a última a morrer e neste caso é esse o sentimento que nos move”, disse hoje o primeiro-ministro, Luís Montenegro, quando questionado sobre a possibilidade de Governo e parceiros chegarem a acordo sobre a proposta de alteração à lei laboral.
Em resposta a jornalistas à margem de um encontro com a prémio Nobel da Paz, a venezuelana María Corina Machado, Montenegro defendeu que, "objetivamente, a União Geral de Trabalhadores [UGT] tem todas as razões para subscrever um acordo tripartido", sublinhando que o Executivo não tem "uma negociação bilateral com a UGT".