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Brexit: Estratégia arriscada de Boris Johnson ameaça acordo com UE

Boris Johnson gosta de apostar e algumas das suas maiores apostas foram recompensadas.

Bloomberg 09 de Setembro de 2020 às 09:29
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"Não vou recuar", disse o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, enquanto fazia a sua mais recente ameaça de abandonar as negociações do Brexit sem um acordo comercial.

 

Para economistas, líderes empresariais e autoridades da União Europeia, a questão é se vale a pena acreditar nele. Há muitos motivos para isso, apesar do risco para Johnson de piorar os graves danos causados pela pandemia à economia.

 

Primeiro, para Johnson, o Brexit é uma questão pessoal. Ele liderou a campanha para deixar a União Europeia em 2016 e depois conquistou uma ampla maioria para entregar o Brexit na eleição de dezembro passado. Concluir o processo e tirar o Reino Unido da órbita jurídica da UE no final do período de transição em dezembro seria o seu legado.

 

Em segundo lugar, gosta de apostar, e algumas das suas maiores apostas foram recompensadas. Johnson sentiu-se sob pressão ao avaliar se devia apoiar o Brexit desafiando o líder do seu partido, David Cameron, mas saiu vencedor e conseguiu um lugar no governo como secretário das Relações Exteriores.

 

As suas advertências nesta semana são as de um purista do Brexit, e podem não ser simplesmente uma tática de negociação. Não pode haver acordo sobre os "fundamentos" do Brexit - dar novamente o controlo ao Reino Unido sobre suas próprias fronteiras e legislação, disse.

 

Recessão

 

O Reino Unido já enfrenta a recessão mais profunda entre as grandes economias, e uma segunda onda de Covid provavelmente coincidirá com um enorme aumento do desemprego. É aí que os votos serão conquistados e perdidos.

 

Mas deixar o mercado único e a união alfandegária do bloco sem um acordo em 31 de dezembro ameaçaria empresas com taxas e tarifas onerosas sobre produtos, já que o país deixaria de negociar nos termos estabelecidos pela Organização Mundial do Comércio.

 

O primeiro-ministro pode desistir de negociar este ano e tentar reabrir as negociações numa data posterior. "A nossa porta nunca será fechada", disse Johnson. "Obviamente, estaremos sempre prontos para conversar com nossos amigos da UE, mesmo nessas circunstâncias."

 

As notícias dos planos do governo para diluir partes do acordo do Brexit gerou alertas silenciosos de Bruxelas na segunda-feira e desânimo entre autoridades da UE. Não pode haver acordo comercial se Johnson quebrar as suas promessas do acordo de separação anterior, disse a Comissão Europeia.

 

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