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Previsões da Comissão Europeia aprofundam diferenças com Itália

Há um fosso que separa a realidade traçada pela Comissão Europeia e a realidade planeada pelo Governo italiano. As previsões de Outono mostram isso mesmo a dias de terminar o prazo de entrega do novo esboço.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 08 de Novembro de 2018 às 10:37
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Confirmam-se as divergências profundas entre a Comissão Europeia e o Governo italiano sobre a evolução da economia e das finanças públicas em Itália. Nas previsões de Outono, divulgadas esta quinta-feira, 8 de Novembro, Bruxelas antecipa um crescimento de 1,1% em 2019, abaixo dos 1,5% previstos pelo Executivo. Para o défice orçamental a previsão é de 2,9%, acima dos 2,4% com que o Orçamento do Estado para 2019 foi desenhado. 

Depois de semanas a classificar o cenário macroeconómico italiano de improvável - além de o ter rejeitado por este infringir as regras europeias -, a Comissão Europeia lançou os números para cima da mesa. E estes confirmam as diferenças de previsões, mostrando o optimismo de Roma.

Por um lado, a economia deverá acelerar ligeiramente de 1,1% em 2018 para 1,2% em 2019 e não de forma significativa. Por outro lado, o défice será maior do que o previsto, aproximando-se do limite de 3%. Esse limite é mesmo superado em 2019 com o défice a atingir os 3,1% - o mesmo deverá acontecer ao défice estrutural (saldo que exclui o ciclo económico). Assim, a dívida pública deverá manter-se no patamar dos 131%, continuando a ser a segunda maior da União Europeia. 
Estas previsões surgem a poucos dias de acabar o prazo para a entrega da proposta do Orçamento revisto exigido pela Comissão Europeia quando rejeitou o esboço inicial. O prazo termina na próxima terça-feira, 13 de Novembro, mas antes disso haverá um esforço de negociação. Enquanto presidente do Eurogrupo, Mário Centeno irá a Roma esta sexta-feira para tentar mediar as negociações, depois do Eurogrupo ter dado a sua aprovação à decisão de Bruxelas quanto a Itália. 

O relatório mostra as dúvidas da Comissão. "O aumento do défice orçamental, ao qual se junta o aumento dos juros [da dívida pública] e os riscos negativos substanciais, põem em perigo a redução do rácio da dívida pública de Itália", escreve a Comissão Europeia no relatório publicado hoje. Os técnicos de Bruxelas escrevem que existem "grande incerteza" no país.

"Medidas de políticas enviesadas podem vir a ser menos eficazes [do que o esperado], tendo um impacto mais baixo no crescimento", antecipam, assinalando que "a incerteza sobre as políticas do Governo pode afectar o sentimento e a procura doméstica". "Finalmente, a reversão planeada das reformas estruturais pode afectar o emprego e o crescimento potencial", concluem.

Por ser mais técnico, este relatório não contém críticas explícitas à estratégia do Governo. Essa avaliação deverá chegar a 21 de Novembro quando as propostas dos Orçamentos da Zona Euro forem avaliadas pelo colégio de comissários. Caso a proposta do OE 2019 de Itália não seja revista, a Comissão Europeia deverá avançar para um processo de sanções, sendo que há várias possibilidades em cima da mesa.

Os dados económicos mais recentes não ajudam a argumentação do actual Executivo. No terceiro trimestre a economia italiana estagnou, face ao segundo trimestre (em cadeia). E o crescimento em termos homólogos ficou-se pelos 0,8%, abaixo dos 1,7% registados pela Zona Euro, que também está em desaceleração. Ambos os números pintam um cenário negativo face à previsão de 1,5% para o PIB no próximo ano que está subjacente ao OE 2019.

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