Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

FMI diz que estímulos orçamentais terão impacto negativo e teme recessão em Itália

O Fundo Monetário Internacional considera que os estímulos previstos no Orçamento do Estado para 2019 de Itália terão um impacto negativo a médio prazo. Os técnicos consideram que há perigo de recessão.

6.ª Christine Lagarde (FMI)
Manteve a posição do rankingo do ano passado. A directora-geral do FMI é a sexta mulher mais poderosa a nível mundial, segundo a Forbes. O que acontece quando foi nomeada para segundo mandato à frente do Fundo Monetário Internacional. As várias crises económicas que tem de acudir mantêm-na presa ao topo.
Reuters
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 13 de Novembro de 2018 às 16:17
  • Assine já 1€/1 mês
  • 3
  • ...

Itália ficará "muito vulnerável" caso avance com o orçamento expansionista que enviou a Bruxelas a 15 de Outubro. Acresce que o impacto a médio prazo dessas medidas será negativo. A avaliação é feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que terminou esta terça-feira, 13 de Novembro, mais uma visita de monitorização ao país, no mesmo dia em que acaba o prazo para o Governo entregar um novo esboço do Orçamento à Comissão Europeia.


"O impacto dos estímulos no crescimento [económico] será incerto durante os próximos dois anos e provavelmente negativo no médio prazo, se os spreads elevados persistirem", lê-se no comunicado divulgado pelo FMI esta tarde. Os técnicos do Fundo admitem que possa haver um impacto positivo a curto prazo, mas esse efeito será apagado pelo impacto negativo do aumento dos juros da dívida pública italiana à medida que esse custo se transfere para o sector privado, principalmente para os bancos, que já estão numa situação frágil. 

Esse cenário, a concretizar-se, também dificultará a redução do défice orçamental - deverá manter-se perto dos 3% - e, consequentemente, do rácio da dívida pública no PIB, que deverá fixar-se nos 130% durante os próximos três anos, mantendo-se como a segunda maior da União Europeia. Os estímulos orçamentais não seriam capaz de colocar a economia a crescer muito mais do que 1% entre 2018 e 2020, segundo as previsões do FMI, travando ainda mais nos anos seguintes. 

Os perigos podem materializar-se de tal forma que Itália arrisca-se a entrar em recessão. Se os impactos forçarem a um ajustamento orçamental significativo e a economia estiver fraca, "isso poderá transformar uma desaceleração numa recessão", antecipam os técnicos do Fundo, juntando-se assim aos avisos que têm sido dados pela Comissão Europeia nas últimas semanas. O Governo italiano tem até hoje à meia noite para entregar uma versão modificada da sua proposta para o OE 2019.

Apesar das críticas, o Fundo elogia o ênfase dado pelo Executivo ao crescimento económico e à inclusão social. Contudo, considera que o caminho é outro: a receita passa por reformas estruturais, consolidação orçamental (mas lenta) e medidas para reforçar a resiliência dos bancos. 


"Recomendamos que se proceda a uma modesta e gradual consolidação orçamental para ajudar a dívida pública a entrar numa trajectória descendente e reduzir os custos de financiamento", começam por explicar os técnicos, assinalando que é "prudente" consolidar as finanças públicas numa altura em que o ambiente externo é favorável. Este ajustamento terá de ser aliado à mudança da composição de políticas que promovam o crescimento económico e a inclusão social. 

O FMI considera que o pesado sistema de pensões e a pouca carga fiscal sobre a acumulação de riqueza favorece as gerações mais velhas "à custa" das gerações mais novas que são alvo de uma carga fiscal elevada sobre o trabalho e beneficiam pouco do investimento público por parte do Estado. "Reequilibrar as políticas de forma a estas serem mais amigas do crescimento e inclusivas requer uma redução da despesa corrente, a protecção dos pobres, um aumento do investimento público, uma ampliação da base dos impostos e uma diminuição das taxas de imposto nos factores produtivos", aconselha o Fundo. 

Sem estas reformas, a entidade liderada por Christine Lagarde considera que a economia italiana continuará frouxa. No raio-X que faz a Itália, as consequências desse crescimento são visíveis: "Os rendimentos individuais reais estão ao nível de há duas décamas; o desemprego sitou-se em média nos 10% neste período; as condições de vida dos mais novos pioraram; e a emigração dos cidadãos italianos está perto de um máximo de cinco décadas". 

Ver comentários
Saber mais FMI Fundo Monetário Internacional Itália orçamento orçamento do estado para 2019
Mais lidas
Outras Notícias