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Itália mantém Orçamento de 2019. Mas admite reduzir meta do défice

O governo italiano anunciou esta segunda-feira à noite que, por agora, mantém os seus principais objectivos para o Orçamento de 2019. Isto enquanto espera por uma análise de custo às suas medidas. Mas pode depois reduzir a sua meta para o défice.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 26 de Novembro de 2018 às 23:16
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O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, os vice-primeiros-ministros, Matteo Salvini e Luigi Di Maio, bem como o ministro das Finanças, Giovanni Tria, estiveram reunidos esta segunda-feira ao final do dia, com vista a debater o Orçamento de 2019 e, potencialmente, rever a meta do défice. 

 

A reunião já acabou e o governo transalpino, citado pela Reuters, anunciou que, por agora, mantém os seus principais objectivos para o Orçamento, enquanto espera por uma análise de custo às suas principais medidas relacionadas com a despesa pública. Só depois talvez possa vir a reduzir a sua meta para o défice.

Numa entrevista à agência noticiosa AdnKronos, que questionou se o défice de 2,4% que Itália propôs a Bruxelas, Salvini tinha mostrado abertura para repensar o valor do défice que será inscrito no orçamento para o próximo ano, depois da recusa formal de Bruxelas.

Conte debateu com os seus dois vices o pacote financeiro delineado para o país, e contestado pela Comissão Europeia, tendo como pano de fundo a possibilidade de vir a sofrer sanções por parte de Bruxelas – com a abertura de um procedimento por défice excessivo.

 

No entanto, os três governantes declararam em comunicado conjunto, após a reunião, que "os objectivos que já tinham sido estabelecidos foram confirmados".

Recorde-se que o Executivo transalpino desafiou a Comissão Europeia ao não alterar o seu Orçamento para 2019, algo que era exigido por Bruxelas. Consequentemente, na passada quarta-feira, 21 de Novembro, a CE rejeitou formalmente a proposta de orçamento já revista pelo Governo italiano – dando assim o primeiro passo com vista à abertura formal de um PDE contra Itália.

 

Esta obstinação de Itália tem abalado os mercados, com reflexo na queda das bolsas e na subida dos juros da dívida soberana. Na semana passada, o próprio Banco de Itália salientou que o risco de novos aumentos das "yields" das obrigações soberanas, e consequente agravar do custo de financiamento da dívida, poderá ter consequências negativas para a estabilidade financeira do país. 

 

Contudo, o Governo transalpino prefere esperar pela avaliação dos custos antes de tomar qualquer outra decisão. "No que diz respeito às discussões com as instituições europeias, concordámos em esperar pela análise técnica das reformas propostas com impacto social mais significativo para se quantificar precisamente o custo", diz o comunicado conjunto de Conte, di Maio e Salvini.

 

Os três governantes referiram ainda que quaisquer fundos adicionais que possam surgir desta análise de custo serão sobretudo usados para impulsionar os investimentos.

 

No entanto, duas fontes governamentais afirmaram esta segunda-feira à Reuters que a possibilidade de o Executivo italiano rever em baixa a meta para o défice de 2019 está ainda em cima da mesa.

 

As referidas fontes avançaram que a coligação no poder poderá reduzir essa meta para 2% do PIB, contra os actuais 2,4%, de modo a evitarem uma acção disciplinar por parte de Bruxelas.

Essa possibilidade animou a negociação bolsista, com os juros da dívida italiana a descerem e a bolsa de Milão a somar mais de 2%.


(notícia actualizada às 00:23 de terça-feira, 27 de Novembro)

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