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Rússia nega ter violado espaço aéreo da UE. NATO reúne para discutir incidentes

A Estónia diz que incursões de origem russa não são incidentes isolados e denuncia um padrão recorrente de escalada por parte da Rússia para testar a Europa e a NATO.

Alar Karis, presidente da Estónia, numa reunião da NATO
Alar Karis, presidente da Estónia, numa reunião da NATO Virginia Mayo / AP
22 de Setembro de 2025 às 13:49

A Presidência da Rússia considerou esta segunda-feira infundadas e inócuas as acusações sobre a violação do espaço aéreo da União Europeia feitas nos últimos dias por vários países da região.

O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, disse em conferência de imprensa que Moscovo encara as acusações como "vazias e infundadas". Para Peskov, trata-se da continuação do que disse ser uma "linha completamente furiosa de escalada de tensões que provocam uma atmosfera de confronto".

O porta-voz do Presidente, Vladimir Putin, respondia a uma pergunta sobre a entrada e sobrevoo de aparelhos aéreos não tripulados (drones) e de aeronaves russas que violaram o espaço aéreo europeu.

Entre as denúncias incluiu-se a acusação da Estónia no final da semana passada sendo que para Peskov as declarações não foram uma "novidade".

"Observamos isto constantemente. Mas agora, para nosso pesar, isto está a agravar ainda mais as tensões na região", disse Peskov, referindo-se às acusações dos países bálticos: Estónia, Letónia e Lituânia.

O porta-voz do Kremlin afirmou que as forças russas cumprem rigorosamente as normas internacionais, incluindo os regulamentos de voo.

Anteriormente, o Ministério da Defesa russo negou que aviões de combate de Moscovo violaram o espaço aéreo estónio, como foi noticiado na sexta-feira por Tallinn, que invocou o artigo 4º do Tratado da Aliança Atlântica para consultar os aliados.

A Estónia acusou a Rússia na sexta-feira de violar o espaço aéreo do país com três caças de combate, que, segundo Tallinn, mantiveram-se durante 12 minutos sobre a Ilha de Vaindlo, no Golfo da Finlândia, obrigando os aviões de patrulha aérea da NATO a intervir.

A pedido da Estónia, vai realizar-se esta segunda-feira uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque, para discutir o incidente.

Já os aliados da NATO discutem terça-feira a incursão de caças russos no espaço aéreo da Estónia, após o pedido de consultas de Talin, que invocou o artigo 4.º da organização, confirmou esta segunda-feira um porta-voz da organização.

A reunião dos Estados membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) vai decorrer na sequência do pedido do primeiro-ministro estónio, Kristen Michal, que denunciou sexta-feira a presença de três aviões de combate russos Mig-31 no espaço aéreo da Estónia e antecipou a solicitação de consultas no seio da Aliança Atlântica.

De qualquer forma, as autoridades da Estónia valorizaram a resposta rápida dos membros da NATO, sublinhando que "se fosse realmente necessário recorrer ao uso da força, estavam preparados para isso".

Para Talin, a intrusão dos três caças representou não apenas uma violação do espaço aéreo estónio, mas também uma infração da Carta das Nações Unidas, "que proíbe a ameaça ou o uso da força", motivo pelo qual avançou diplomaticamente para forçar também uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas a fim de debater o incidente.

A Estónia denuncia um padrão recorrente de "escalada" por parte da Rússia para testar a Europa e a NATO, insistindo que, a par dos casos da Polónia ou da Roménia, "não se tratam de incidentes isolados" e que "é necessária uma resposta internacional" às manobras de Moscovo.

Do lado da União Europeia (UE), a chefe da diplomacia da Europa, Kaja Kallas, qualificou como uma "provocação extremamente perigosa" o incidente protagonizado pelos caças russos no país báltico, do qual foi primeira-ministra até julho de 2024.

"Continuaremos a apoiar os nossos Estados-membros para que reforcem as suas defesas com recursos europeus", afirmou a chefe da diplomacia europeia.

Três caças MiG-31 da Federação Russa entraram na sexta-feira no espaço aéreo da Estónia sobre o golfo da Finlândia, onde permaneceram cerca de 12 minutos, segundo alertaram as autoridades estonianas e a NATO.

A Itália, responsável no quadro da Aliança Atlântica por uma missão de policiamento aéreo no Báltico, fez descolar aviões para intercetar os caças russos, em conjunto com a Suécia e a Finlândia.

É a primeira vez, em 34 anos de adesão à ONU, que a Estónia, solicita uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP). A Estónia é membro da UE e da NATO, e um firme apoiante da Ucrânia, que foi invadida pela Rússia em fevereiro de 2022.

Michal anunciou ainda que o país iria pedir a ativação do Artigo 4.º do Tratado do Atlântico Norte, que prevê consultas entre aliados sempre que um dos membros se sinta ameaçado.

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