Europa Theresa May quer virar a página da austeridade no Reino Unido

Theresa May quer virar a página da austeridade no Reino Unido

Theresa May sinalizou que o próximo Orçamento vai ser expansionista, uma estratégia que poderá compensar a temida desaceleração da economia britânica no ano em que abandona oficialmente a União Europeia.
Tiago Varzim 03 de outubro de 2018 às 16:12
Dez anos depois da crise financeira, a primeira-ministra britânica declarou esta quarta-feira, dia 3 de Outubro, o fim da austeridade no Reino Unido. Os últimos anos foram marcados por cortes do lado da despesa - passou de 45% para 38% do PIB, segundo a Bloomberg - em vários serviços públicos, mas isso vai mudar, assegurou Theresa May num discurso desenhado para dar uma visão positiva do Reino Unido no pós-Brexit.

"Nós não somos apenas um partido para limpar os estragos. Nós somos um partido que guia [o país] a caminho de um futuro melhor", afirmou May no seu discurso no congresso anual do Partido Conservador, em Birmingham, citada pela Reuters, prometendo "tempos melhores" em breve para os cidadãos.

"Uma década depois do colapso financeiro, as pessoas precisam de saber que a austeridade que resultou [da crise] acabou e que o seu esforço compensou", argumentou a actual primeira-ministra britânica que tem simultaneamente em mãos o difícil processo da saída do Reino Unido da União Europeia, que poderá ter impacto nas contas públicas. O défice orçamental britânico passou do pico de quase 10% em 2010 para perto de 2% em 2017.


Essa vontade de ir além da austeridade fará parte do novo orçamento plurianual através do reforço do investimento em serviços públicos. Uma das medidas que deverá já avançar é o aumento da dotação a nível local para que se invista na construção de novas casas, uma forma de combater o problema da habitação em várias cidades.

Ainda assim, continua a existir o compromisso de reduzir o rácio da dívida pública. Essa é a missão de Philip Hammond, o ministro das Finanças, que considera os actuais 84% do PIB demasiado elevados. A própria primeira-ministra avisou no seu discurso que não pode haver "um regresso ao endividamento sem controlo do passado".
No mesmo discurso em que "vira a página da austeridade", Theresa May pediu ao partido para se unir à volta dos seus planos para o Brexit. A primeira-ministra deixou o aviso de que se os deputados britânicos não apoiarem o seu plano existirá o risco de não haver saída. E deixou um aviso para Boris Johnson, o seu ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, que tem sido dos mais críticos desde que saiu do Governo: "Se formos todos em diferentes direcções à procura das nossas próprias visões de um Brexit perfeito, arriscamos a ficar sem nenhum Brexit".

Os problemas nas negociações com a União Europeia têm sido visíveis. A cerca de seis meses da saída oficial do bloco europeu (dia 29 de Março de 2019, seguido depois por dois anos de transição), o acordo previsto para Setembro foi adiado para Outubro dadas as dificuldades em acertar posições. Têm sido várias as declarações de que ambos os lados estão preparados para um cenário de não-acordo. A fronteira irlandesa continua a ser um dos principais obstáculos.



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