Os principais desenvolvimentos de sábado
Acompanhe aqui minuto a minuto a Guerra na Ucrânia.
- Rússia e Ucrânia em cessar-fogo para saída de civis
- Repórteres sem Fronteiras apresentam queixa contra a Rússia ao TPI
- Evacuação de Mariupol suspensa. Autarca acusa Rússia de não respeitar cessar-fogo
- Kremlin justifica lei restritiva com "guerra de informação"
- Rússia e Bielorrússia suspensas do Conselho dos Estados do Mar Báltico
- Blinken anuncia na Polónia 2,7 milhões de dólares em ajuda humanitária
- Equipa de jornalistas da Sky News atacada e baleada em Kiev
- FMI alerta para consequências "devastadoras" a nível mundial
- Corredor humanitário falha e Putin ameaça Ucrânia de perder estatuto de Estado
A Rússia anunciou hoje um cessar-fogo temporário a partir das 10:00 em Moscovo (07:00 em Lisboa), para a abertura de corredores humanitários que permitam a retirada de civis nas cidades ucranianas de Mariupol e Volnovaja.
"Hoje, 05 de março, é anunciado um cessar-fogo a partir das 10:00, hora de Moscovo, e a abertura de corredores humanitários para a saída de civis de Mariupol e Volnovaja", no leste da Ucrânia, disse o Ministério da Defesa russo.
Antes, o autarca de Mariupol tinha afirmado que o porto estratégico de Mariupol se encontrava "sob bloqueio" e era alvo de "ataques impiedosos" do exército russo.
Marioupol, cidade com cerca de 450 mil habitantes junto ao mar de Azov, está "sob bloqueio" e é, há cinco dias, alvo de "ataques impiedosos", escreveu Vadim Boitchenko na plataforma Telegram.
"A nossa prioridade é conseguir um cessar-fogo para que possamos restabelecer as infraestruturas vitais e criar um corredor humanitário para fazer chegar alimentos e medicamentos à cidade", acrescentou.
O controlo de Mariupol é estratégico para a Rússia, uma vez que permitiria garantir uma continuidade territorial entre as forças vindas da Crimeia e as que chegam dos territórios separatistas pró-russos da região de Donbass.
A Rússia lançou, na madrugada de 24 de fevereiro, uma ofensiva militar à Ucrânia e as autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças. Segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de 1,2 milhões de refugiados.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.
A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) apresentou uma queixa no Tribunal Penal Internacional (TPI) contra a Rússia por crimes de guerra na Ucrânia, devido aos ataques que destruíram antenas das estações de rádio e televisão impedindo a transmissão, anunciou hoje.
A denúncia foi formalizada na sexta-feira e baseia-se no argumento de que uma antena de radiodifusão não pode ser considerada um objetivo militar se não for utilizada pelo Exército, se estiver temporariamente dedicada ao uso militar ou se tiver simultaneamente uma utilização civil e militar, explicou hoje a RSF citada pela agência de notícias EFE.
Em comunicado, a RSF acrescenta que as torres de televisão eram apenas para uso civil, o que significa que os ataques foram contra meios de comunicação ucranianos, que Moscovo acusou de participarem numa estratégia de informação.
A organização de defesa da liberdade de imprensa sublinha ainda o caráter "intencional" da destruição das torres e o facto de estarem a ser realizadas em grande escala, revelando que existe "um plano deliberado".
"Bombardear deliberadamente várias infraestruturas de media, como antenas de televisão, constitui um crime de guerra e demonstra a extensão da ofensiva lançada por (Vladimir) Putin contra o direito à informação", disse o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire.
A evacuação de Mariupol foi suspensa, avança a BBC, citando a Câmara Municipal da cidade da região de Donetsk.
A cadeia britânica escreve que as autoridades locais afirma que a polícia está a usar megafones nas ruas para informar os moradores sobre o adiamento da evacuação, que deveria ter sido permitida pelo cessar fogo anunciado horas antes para permitir a passagem segura dos habitantes de Mariupol e também de Volnovakha.
O vice-presidente de Mariupol garantiu no entanto à BBC que as forças russas continuam os bombardeamentos,
O Kremlin defendeu hoje a necessidade de "firmeza" na nova lei que reprime "informações falsas" sobre o exército russo para enfrentar uma "guerra de informação" que diz estar a ser travada contra a Rússia no âmbito do conflito na Ucrânia.
"No contexto da guerra de informação, era necessário adotar uma lei cuja firmeza foi adaptada, o que foi feito", disse o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, no dia seguinte à entrada em vigor de um diploma que impõe pesadas penalizações pela divulgação de qualquer informação considerada falsa sobre o exército russo.
A adoção desta lei, na sexta-feira, e a sua assinatura pelo presidente Vladimir Putin foi "necessária e urgente", insistiu.
As penas previstas, que variam desde multas a 15 anos de prisão, serão aplicadas contra quem disseminar "informações falsas" sobre as forças armadas russas.
Como resultado, ‘media’ russos e estrangeiros anunciaram a suspensão das suas atividades na Rússia.
A Rússia e a Bielorrússia foram suspensas do Conselho dos Estados do Mar Báltico (CEMB) em resposta à agressão de Moscovo contra a Ucrânia e o envolvimento de Minsk no conflito, segundo a União Europeia.
De acordo com o Serviço de Ação Externa da União Europeia, citado pela agência de notícias espanhola EFE, a Europa "concorda com os outros membros do CEMB sobre a suspensão da Rússia e da Bielorrússia, que permanecerá em vigor até que seja possível retomar a cooperação baseada no respeito pelos princípios fundamentais do direito internacional".
O CEMB é composto pela União Europeia juntamente com a Dinamarca, Estónia, Finlândia, Alemanha, Islândia, Letónia, Lituânia, Noruega, Polónia e Suécia e funciona como um fórum regional de cooperação entre os países que partilham as águas do Mar Báltico.
A Rússia é um dos cofundadores do Conselho e a Bielorrússia é um Estado observador do CEMB, cuja presidência está atualmente a cargo da Noruega.
O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, está a visitar a zona leste da Polónia, junto à fronteira com a Ucrânia, prometendo mais tropas americanas no país e anunciando um pacote de 2,7 milhões de dólares em ajuda humanitária.
Na visita de hoje à cidade de Rzeszow, durante a qual Blinken pretende encontrar-se com os dirigentes locais e mais tarde seguir para o posto fronteiriço para se encontrar com os refugiados ucranianos, o secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA) anunciou o pacote de ajuda que a administração de Joe Biden pretende ver aprovado pelo Congresso norte-americano, tendo já feito essa solicitação à câmara.
O chefe da diplomacia norte-americana já se reuniu com o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Zbigniew Rau, um dia depois de ter participado numa reunião da NATO (aliança militar do Atlântico) e num Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.
Blinken disse que a sua visita à Polónia acontece "num dos momentos mais urgentes na longa história entre os dois países" e que o envio de militares norte-americanos para o país vai continuar.
Rau afirmou que a Polónia já recebeu mais de 700 mil refugiados da Ucrânia e que espera acolher centenas de milhares mais nas próximas semanas, a menos que a Rússia recue.
Só nas últimas 24 horas chegaram à Polónia 106 mil refugiados, o número diário mais alto desde o início da invasão.
"A Polónia nunca vai reconhecer mudanças territoriais causadas por uma agressão ilegal e não provocada", disse o ministro polaco, acrescentando que o seu país vai exigir que os alegados crimes de guerra russos na Ucrânia sejam processados.
Após o encontro com Blinken, o primeiro-ministro da Polónia disse que concordaram na necessidade de fortalecer a NATO a leste e reforçar também a arquitetura de segurança da Europa.
A Polónia pretende ter mais tropas americanas no país, onde já estão mais de 10 mil soldados.
As discussões passaram também pelo agravamento das sanções e congelamento de bens da Rússia, o que Morawiecki disse dever ser "esmagador" para a economia russa, defendendo que nenhum banco deve ficar de fora da exclusão do sistema SWIFT (de pagamentos e transações bancárias internacionais). Os maiores bancos russos continuam a integrar o sistema.
Ainda que a NATO tenha recusado estabelecer uma zona de exclusão aérea na Ucrânia, aumentou de forma significativa a assistência militar e humanitária.
Rzeszow fica a cerca de 80 quilómetros da fronteira ucraniana e o seu aeroporto transformou-se num ‘hub’ para voos com ajuda para a Ucrânia.
O carro onde viajava a equipa foi atingido por balas quando se dirigia para a capital ucraniana, na segunda-feira, avançou a estação televisiva, que só divulgou a notícia e as imagens na noite de sexta-feira, depois de a sua equipa ter sido repatriada para o Reino Unido.
O jornalista Stuart Ramsay foi baleado na região lombar e o operador de câmara tentou fugir do carro, mas também foi atingido por duas balas, tendo sido protegido pelo colete à prova de balas que usava.
Os cinco membros da equipa, incluindo o homem ferido, conseguiram fugir, gritando que eram jornalistas, em direção a uma fábrica próxima, onde um grupo de homens lhes abriu uma porta e acenou para que entrassem.
"As balas caíam em cascata por todo o carro, nas janelas, no para-brisa, nos bancos, no volante, estava tudo completamente desintegrado", escreveu Stuart Ramsay depois de regressar ao Reino Unido.
"Tivemos muita sorte. Mas milhares de ucranianos estão a morrer e os russos estão a atacar as famílias. Estávamos num carro comum quando nos atacaram", acrescentou.
De acordo com a Sky News, as suspeitas sobre a responsabilidade do ataque recaem num "esquadrão de reconhecimento de sabotadores russos".
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, elogiou hoje a "coragem" dos jornalistas que "colocaram as suas vidas em risco" na Ucrânia, garantindo, numa mensagem divulgada na rede social Twitter, que "a imprensa livre não será intimidada nem se acobardará perante atos de violência bárbaros e indiscriminados".
"É incrível ver a coragem desses jornalistas, que se colocam em situações aterrorizantes e perigosas", acrescentou o primeiro-ministro.
A Rússia lançou, na madrugada de 24 de fevereiro, uma ofensiva militar à Ucrânia e as autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças. Segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de 1,2 milhões de refugiados.
A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que uma escalada do conflito na Ucrânia terá consequências económicas "devastadoras" a nível mundial.
Para além do conflito em si, as sanções contra a Rússia "terão também um impacto substancial na economia global e nos mercados financeiros, com efeitos colaterais para outros países", advertiu também o FMI.
Mesmo que as previsões permaneçam sujeitas a uma "incerteza extraordinária", "as consequências económicas já são muito graves", observa a instituição.
A subida dos preços da energia e das mercadorias em geral, com o petróleo a aproximar-se agora dos 120 dólares por barril, está a aumentar a pressão inflacionista que o mundo já estava a sofrer à medida que a pandemia emergia.
Assim, o fundo prevê que "o salto nos preços terá efeitos a nível mundial, particularmente nas famílias de baixos rendimentos para as quais os gastos alimentares e energéticos representam uma proporção maior" dos seus orçamentos.
Quanto à Ucrânia, o FMI considera que é "já claro" que o país enfrentará custos "significativos" para reiniciar a sua economia e reconstruir edifícios e instalações destruídas ou danificadas.
O Presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou a Ucrânia de perder o seu estatuto de Estado, se resistir à investida russa, no dia em que Kiev acusou Moscovo de ter inviabilizado a criação de corredores humanitários.
Vladimir Putin disse neste sábado que a Ucrânia pode perder a sua condição de Estado, se insistir em resistir à "operação militar especial" no seu território.
"A liderança atual (de Kiev) precisa de entender que, se continuar a fazer o que está a fazer, arrisca o futuro do Estado ucraniano. E devem ser responsabilizados por isso", disse Putin, durante uma reunião em Moscovo.
Ainda assim, Putin já deu ordens para que uma delegação russa se reúna com representantes ucranianos, numa terceira ronda de negociações, na próxima segunda-feira.
Horas antes destas declarações de Putin, o cessar-fogo temporário acordado entre as partes, para permitir a saída de civis de duas cidades na Ucrânia, desmoronou-se rapidamente, com as autoridades ucranianas a culparem o Exército russo de estar a bloquear a prometida passagem segura com bombardeamentos, enquanto Moscovo aumentava o controlo na costa sul.
O Ministério da Defesa russo disse que tinha concordado com as rotas de evacuação em Mariupol, um porto estratégico, e na cidade oriental de Volnovakha, que estão sob fortes ataques há vários dias, mas as autoridades ucranianas desistiram da retirada de civis, perante a permanência de combates em ambas as regiões.
O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) descreveu como "dilacerante" a situação em Mariupol, onde a retirada de moradores foi adiada, apelando às partes que protejam os civis na Ucrânia, haja ou não um corredor humanitário.
"Entendemos que as operações de saída segura de Mariupol e Volnovakha não vão começar hoje. Continuamos a dialogar com as partes sobre a passagem com toda a segurança de civis das várias cidades afetadas pelo conflito", refere o CICV em comunicado.
Putin continua a endurecer as críticas ao Ocidente e disse mesmo que olhará para as sanções impostas pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos como uma "declaração de guerra".
Vladimir Putin disse ainda que a Rússia considerará co-beligerante qualquer país que tente impor uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia, uma medida pedida por Kiev que a NATO rejeitou.
"Consideraremos qualquer desenvolvimento nessa direção como uma participação no conflito armado de qualquer país em cujo território seja criada uma ameaça para os nossos soldados", disse o líder russo sobre uma possível "zona de exclusão aérea no território da Ucrânia".referiu o relatório.