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Bruxelas está a avaliar exclusão de gastos energéticos das regras orçamentais europeias

Comissário europeu pede no entanto prudência orçamental e alerta governos para que não tomem medidas que sustentem ou aumentem a procura de combustíveis fósseis.

Itália fez um pedido de exclusão dos custos energéticos das regras orçamentais
Itália fez um pedido de exclusão dos custos energéticos das regras orçamentais Manuel de Almeida / Lusa - EPA
12:21

A Comissão Europeia disse esta quinta-feira estar a avaliar o pedido de Itália para excluir os gastos decorrentes da crise energética, causada pela guerra no Irão, das apertadas regras orçamentais da União Europeia (UE), mas defendeu "prudência orçamental".

"Estamos certamente a analisar a carta [da primeira-ministra italiana] e estamos a avaliar quais são as opções de política, o que pode ser feito, também em termos de política orçamental, mas no geral precisamos de ser prudentes na nossa resposta orçamental por razões de sustentabilidade das finanças públicas", afirmou o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis.

Falando em entrevista a um grupo de jornalistas europeus em Bruxelas, incluindo a Lusa, no dia em que a instituição apresenta as , o responsável exemplificou que, "no próximo ano, por exemplo, Itália deverá tornar-se o país com a maior relação dívida/PIB [Produto Interno Bruto] da UE, pelo que existe uma justificação clara para alguma prudência orçamental".

"Além disso, a resposta política não pode ser uma resposta generalizada que sustente ou aumente a procura de combustíveis fósseis porque isso apenas manteria os preços globais dos combustíveis fósseis elevados, sem trazer grandes benefícios", acrescentou Valdis Dombrovskis.

Ainda assim, de acordo com o comissário europeu da tutela, Bruxelas está também a "avaliar as medidas que os Estados-membros estão a adotar - medidas temporárias e direcionadas - e a analisar possíveis opções de política", dados os efeitos da guerra do Irão causada pelos ataques israelitas e norte-americanos.

"O ponto aqui é perceber qual é a resposta política adequada, tendo em conta todos os fatores que estamos a enfrentar. Estamos perante um crescimento mais lento, inflação mais elevada e um choque do lado da oferta. Assim, simplesmente estimular a procura não resolverá um choque de oferta", justificou Valdis Dombrovskis.

Além disso, de acordo com o responsável, a UE enfrenta "uma situação orçamental globalmente mais difícil, também porque o ambiente de taxas de juro é muito diferente daquele que existia, por exemplo, durante a covid-19, quando foram aplicados estímulos orçamentais generalizados e havia uma recessão económica severa".

"Nessa altura, estávamos num ambiente de taxas de juro praticamente nulas, enquanto atualmente estamos num contexto de taxas muito mais elevadas", comparou.

E concluiu: "Dito isto, continuamos a analisar as flexibilidades existentes no atual enquadramento, que podem ser utilizadas. Estamos obviamente a avaliar a carta da primeira-ministra e a estudar que outras medidas poderão ser tomadas para assegurar uma resposta política equilibrada".

Em meados deste mês, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a pedir a exclusão dos gastos decorrentes da crise energética do Pacto de Estabilidade (PEC).

O PEC é o conjunto de regras da União Europeia que visa garantir finanças públicas sólidas e coordenar as políticas orçamentais para a estabilidade do euro, fixando tetos de 3% do PIB ao défice público e de 60% do PIB à dívida pública.

Na carta, Meloni garantiu que "Itália continuará a fazer a sua parte para reforçar a segurança e a defesa europeias" e a defender que a UE invista mais na sua capacidade estratégica, sublinhando porém que "aos olhos dos cidadãos europeus existe outra emergência igualmente concreta e imediata: a energia".

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