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Alemanha dá melhor mês à indústria europeia desde 2018

O crescimento da atividade industrial da Zona Euro acelerou para o nível mais alto desde maio de 2018, no último mês do ano da pandemia, com o forte impulso das fábricas alemãs.

Rita Faria afaria@negocios.pt 04 de Janeiro de 2021 às 11:04
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O ano de 2020, marcado por uma profunda crise induzida pela pandemia, terminou com boas notícias para o setor industrial da Zona Euro que, apesar de todas as medidas restritivas, viveu em dezembro o melhor mês em mais de dois anos e meio.

O PMI para a indústria, baseado em inquéritos junto de representantes do setor, fixou-se em 55,2 pontos no último mês do ano, ligeiramente abaixo da primeira estimativa (55,5 pontos) mas acima da leitura de 53,8 pontos de novembro.

Este indicador, que fica acima da marca dos 50 pontos – que separa a expansão da contração – pelo sexto mês consecutivo, chega assim ao valor mais elevado desde maio de 2018, mostrando que a atividade industrial continua a mostrar resiliência num contexto de fortes adversidades, enquanto os serviços continuam muito abaixo dos níveis pré-pandemia.

"A produção industrial da Zona Euro terminou 2020 com uma nota encorajadoramente forte, com o crescimento da produção a acelerar a um dos melhores ritmos dos últimos três anos", afirma Chris Williamson, economista-chefe da Markit Economics. "O sólido desempenho da indústria no contexto das restrições da COVID-19 nos últimos meses de 2020 representa um grande contraste com os confinamentos no início do ano, com as fábricas a atuarem como um suporte crucial para a economia, numa altura em que o setor de serviços é atingido por duras medidas de distanciamento social".

O crescimento foi mais uma vez liderado pela Alemanha, onde o ritmo de crescimento da atividade industrial foi o mais alto dos últimos 34 meses. Com bons desempenhos destacaram-se também a Holanda – o melhor em quase dois anos – e a Irlanda - o mais elevado em cinco meses – mas cujo crescimento acelerado poderá ser temporário, estando relacionado com um aumento da procura do Reino Unido antes do final do período de transição do Brexit.

Crescimentos sólidos verificaram-se também na Áustria e Itália, enquanto França e Espanha tiveram crescimentos mais modestos. A Grécia, por seu turno, continuou a ser o único país a registar uma contração.

Os dados conhecidos esta segunda-feira sugerem que os efeitos da pandemia na atividade económica terão sido menos severos no quarto trimestre do ano do que no segundo, marcado pelos primeiros confinamentos gerais.

Embora o impulso positivo possa prolongar-se em 2021, a Markit Economics alerta que, no curto prazo, o aumento de casos de covid-19 vai continuar a condicionar o crescimento económico.

"A melhora das expectativas das empresas para os próximos 12 meses para o nível mais alto em quase três anos sugere que esse impulso pode ser sustentado em 2021", diz Chris Williamson alertando, porém, que o "aumento do número de casos significará provavelmente que as condições comerciais permanecem desafiadoras no curto prazo e, portanto, restringem o crescimento".

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