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Eurogrupo rejeita "espiral inflacionista" na zona euro mas reconhece pico de preços

O presidente do Eurogrupo rejeitou esta segunda-feira uma "espiral inflacionista" na zona euro, mas reconheceu que a guerra da Ucrânia provocada pela invasão russa está a gerar "pico de preços" nos alimentos e matérias-primas, que serão "acompanhados de perto".

Reuters
Lusa 04 de Abril de 2022 às 20:32
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"Em áreas como alimentos e matérias-primas, a guerra levou a aumentos de preços e o pico nos preços das matérias-primas nos nossos mercados mundiais está atualmente a gerar inflação na zona euro, mas, até à data, nem a Comissão Europeia nem o Banco Central Europeu detetaram sinais de que estes preços estejam a alimentar uma espiral inflacionista na zona euro, nos salários e noutros fatores da nossa economia, que reagem a esses aumentos de preços", sublinhou Paschal Donohoe.

Falando em conferência após uma reunião do Eurogrupo, no Luxemburgo, o presidente da estrutura que junta os ministros das Finanças da zona euro garantiu que estes aumentos de preços estão e continuarão a ser "acompanhados muito de perto".

De acordo com Paschal Donohoe, uma das consequências que a guerra tem para a economia da zona euro é, "claramente, na área da energia e cada vez mais nos preços dos alimentos e na perturbação das cadeias de abastecimento".

"E, claro, o que isto faz pelos governos para os cidadãos e para as empresas é que cria incerteza e reconhecemos que o crescimento económico irá abrandar este ano", admitiu o responsável.

Face a este "risco de incerteza", Paschal Donohoe vincou que "o Eurogrupo deixou clara a necessidade de a política orçamental ser ágil e de responder à evolução da situação".

"Reconhecemos o impacto que esta guerra está a ter dentro da UE, em termos do aumento dos preços da energia, e o que isso significa para os padrões de vida e reconhecemos que estes aumentos estão a ter um impacto na nossa sociedade e no nosso custo de vida, tanto a curto prazo como a longo prazo", adiantou.

Também presente na ocasião, o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, reconheceu que o crescimento económico da zona euro será aquém do anteriormente esperado para este ano, que era de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), o que deverá ficar mais claro com as estimativas que serão divulgadas no final do mês pelo gabinete estatístico comunitário, o Eurostat.

Ainda assim, "não chegaremos a território negativo devido à base em que nos encontrávamos no início desta crise", garantiu Paolo Gentiloni.

Na conferência de imprensa, Paschal Donohoe saudou ainda a participação pela primeira vez numa reunião do Eurogrupo do ministro das Finanças português, Fernando Medina, que se estreou na ocasião após ter tomado posse há dias.

As declarações surgem numa altura em que os preços na UE batem máximos devido aos constrangimentos das cadeias de abastecimento, recentemente acentuados com as tensões geopolíticas da guerra da Ucrânia.

Em março, a taxa de inflação homóloga da zona euro disparou para um novo máximo de 7,5%, face aos 5,9% de fevereiro, segundo o Eurostat.

A inflação é, por estes dias, mais acentuada no que toca aos preços energéticos, tendo os preços dos combustíveis fósseis (como gás) disparado nas últimas semanas e alcançado os níveis mais altos da última década devido aos receios de redução na oferta provocada pela invasão russa da Ucrânia.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.430 civis, incluindo 121 crianças, e feriu 2.097, entre os quais 178 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.


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