Governo continua a reportar a Bruxelas excedente de 0,1% em 2026. Promete revisão em abril

Estimativa oficial do Governo para o saldo deste ano continua a ser de um excedente de 0,1%. Mas com a incerteza com a guerra no Irão e a resposta pública às empresas e famílias afetadas pelo comboio de tempestades, o ministro das Finanças admite "um pequeno défice". Nova estimativa será reportada a Bruxelas em abril.
Miranda Sarmento reportou a Bruxelas intenção de excedente de 0,1%.
António Cotrim/Lusa
Susana Paula 12:08

Embora a estimativa oficial do Governo continue a ser de um excedente orçamental de 0,1% este ano, o ministro das Finanças admite já um "pequeno défice" em 2026, em resultado da resposta do Estado às comunidades afetadas pelo comboio de tempestades e da pressão da guerra no Médio Oriente sobre a economia portuguesa. Governo vai rever as suas estimativas no final de abril, num novo reporte a Bruxelas. 

Segundo o Procedimento por Défices Excessivos (PDE) publicado nesta quinta-feira, 26 de março, pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), o Ministério das Finanças continua a reportar a Bruxelas a previsão de excedente orçamental para este ano, correspondente a 0,1% do PIB. O documento atualiza o PIB nominal previsto tendo por base os valores do INE de 2025, mas assume apenas as medidas assumidas no Orçamento do Estado (OE), explicou ao Negócios fonte conhecedora do processo. 

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Questionado em conferência de imprensa sobre porque mantém o excedente de 0,1%, perante a incerteza internacional e a pressão sobre a economia portuguesa da guerra no Irão, o ministro das Finanças disse que o valor reportado é o "normal", prometendo uma revisão dos valores no final de abril.

"Iremos apresentar e aí vamos rever o cenário macro-orçamental", considerando o que aconteceu no primeiro trimestre, afirmou Joaquim Miranda Sarmento. "Ainda é cedo. Estamos a pouco mais de um mês dessa entrega e há muita informação para compilar e a realidade ainda se pode alterar pela incerteza", acrescentou. 

No Orçamento do Estado (OE) para 2026, o Governo já apontava para um excedente de 0,1% do PIB este ano, em contraciclo com a maior parte das instituições que acompanham as contas públicas. E, embora o saldo positivo fosse "ponto de honra" do Governo, o ministro das Finanças sempre frisou que a execução orçamental deste ano seria "mais desafiante" pela necessidade de execução dos empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelas obrigações de investimento em defesa.

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Hoje, insistiu nessa ideia, mas frisou que as tempestades vão ter um "custo orçamental" em 2026 e que o contexto da guerra do Irão também possa agravar o saldo, embora sem dizer em que dimensão. 

"Não podemos hoje, de forma transparente, honesta e sincera para os portugueses, excluir a possibilidade de que em 2006 possa haver um pequeno défice", afirmou Miranda Sarmento. No entanto, o ministro das Finanças considerou que "isso não coloca em causa o equilíbrio das contas públicas, nem a redução da dívida pública". 

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O ministro espera que os efeitos dos dois choques nas contas públicas não se prolonguem no tempo. Se o custo com a resposta às tempestades tem um "efeito temporário em 2026", Miranda Sarmento disse esperar que o efeito do conflito no Médio Oriente também não vá além de 2026. "Esperamos que possa terminar o mais rápido possível ou a menor consequência possível", frisou Miranda Sarmento.

Se assim for, o ministro espera que o país regresse a um excedente orçamental em 2027 e 2028.

(Notícia atualizada com mais informação às 13:13)

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