Passos pede reunião a Seguro para “concertar medidas” orçamentais
Numa iniciativa inédita nos últimos meses, marcados antes pelo aumento da tensão política entre Governo e maior partido da oposição, o primeiro-ministro enviou uma carta a António José Seguro a solicitar uma reunião entre ambos para "manter os consensos" que foram possíveis atingir no passado.
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A reunião está prevista para esta quarta-feira, de manhã, pelo que se Seguro aceitar decorrerá ainda antes do Governo aprovar os cortes de despesa para contornar o chumbo do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado. A partir das 15h00 de quarta-feira terá início o Conselho de Ministros em que o Executivo deverá aprovar as medidas de corte da despesa para permitir que no final deste ano seja possível atingir um défice de 5,5% do PIB.
Também esta quarta-feira de manhã Seguro irá reunir com a troika, que solicitou também um econtro com o líder do PS.
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António José Seguro "já leu a carta [de Passos Coelho] e prosseguiu a agenda do dia. De momento, nada mais há a acrescentar", disse à Lusa uma fonte da direcção do PS, fazendo, contudo, a seguinte ressalva: "Mas seria a primeira vez que um líder da oposição não estaria num encontro após convite do primeiro-ministro".
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Preservar o consenso nacional
“Torna-se urgente garantir o cumprimento da execução orçamental de 2013 e do quadro orçamental de médio prazo e concertar as medidas que garantam esse objectivo, dado até que algumas delas se encontram para além do prazo da legislatura que cobre a acção do Governo”, refere a carta a que o Negócios teve acesso.
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Na carta, com data de hoje, o primeiro-ministro começa logo por lembrar que o PSD e o CDS apoiaram o memorando de entendimento assinado pelo Governo então liderado pelo PS, partido que posteriormente, quando o actual Executivo já estava em funções, também votou de forma favorável o Tratado Orçamental. “É essencial ao sucesso do nosso programa de assistência económica e financeira a manutenção de um largo consenso nacional quanto ao cumprimento das nossas obrigações, nomeadamente no quadro da União Europeia”, escreve Passos Coelho.
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O objectivo da reunião solicitada pelo primeiro-ministro é “discutir a preservação deste consenso nacional, no quadro do respeito pelas nossas obrigações europeias."
Apesar de ter aumentado o tom das críticas ao Governo de Passos Coelho, António José Seguro tem dito que mantém abertura para dialogar com o Executivo, desde que este dê sinais que está disponível para alterar o caminho seguido até aqui. A carta hoje enviada é a segunda dos últimos seis meses, sendo que a anterior foi enviada para o Largo do Rato quando o Governo começou a falar da refundação do Estado.
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Passos termina a carta afirmando estar crente que “o presente convite encontrará em V. Exa. a receptividade e abertura que o sentido de responsabilidade e compromisso do Partido Socialista em tantos momentos da história do nosso regime democrático tem demonstrado”.
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Diz Passos Coelho que o convite hoje formulado ao líder do PS “estende-se igualmente à participação na formulação da posição nacional no quadro da definição do futuro modelo de governação económica do país fundamental à criação sustentada de emprego”.
Não há margem para pedir mais flexibilização do défice
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Passos Coelho adopta um discurso dramatizado acerca dos efeitos da decisão do Tribunal Constitucional e da execução orçamental deste ano, dizendo a Seguro que os “desafios de médio prazo são extremamente exigentes e reclamam um diálogo e um entendimento alargados sobre as medidas que devem ser adoptadas, dado o caminho muito estreito que temos pela frente”.
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O Partido Socialista tem defendido que Portugal deve ter mais tempo para reduzir realizar a consolidação orçamental, mas na carta hoje enviada o primeiro-ministro responde já que essa não é uma possibilidade. “Deve ser tido em conta que a nossa margem para negociar com os parceiros europeus e internacionais uma flexibilização adicional dos actuais limites dos défices orçamentais (…) não é viável”, diz o primeiro-ministro, concluindo que as medidas a tomar “têm de assegurar o cumprimento dos limites já negociados”.
O primeiro objectivo para o défice orçamental deste ano era de 4,5% do PIB, tendo entretanto sido alargado para 5,5%. O Chumbo do TC representa um “rombo” no Orçamento equivalente a 1,2% do PIB.
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Cortes até final do mês
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Passos Coelho lembra que estas medidas a tomar pelo Governo para assegurar o cumprimento do défice são decisivas para que o País recebe a próxima tranche da troika, no valor de 2 mil milhões de euros, bem como para a aprovação final da extensão das maturidades dos empréstimos europeus.
Lembra por isso que o calendário para fechar formalmente a sétima avaliação da troika “está muito condicionado pelas reuniões do Eurogrupo e do Ecofin, a terem lugar respectivamente nos dias 13 e 14 de Maio próximo, em Bruxelas”.
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Tal como já tinha sido noticiado, Passos lembra que “teremos até final deste mês para fechar as soluções em Conselho de Ministros, após consulta aos parceiros sociais, e posterior envio para o Parlamento”.
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O primeiro-ministro revelou já, na semana passada, que pretende cortar 1,2 mil milhões de euros na despesa, sendo que metade deste valor será atingido com a redução as despesas de funcionamento do ministérios.
(notícia actualizada às 17h20 com mais informação)
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