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PSD fala em "Costolândia" e "Centenolândia". Primeiro-ministro diz que país não pode ir "Rio abaixo"

O deputado do PSD Duarte Pacheco acusou esta quinta-feira o Governo, no parlamento, de dar uma imagem de um "país imaginário" onde a carga fiscal não sobe, tendo o primeiro-ministro respondido que Portugal não pode ir "Rio abaixo".

Correio da Manhã
Lusa 09 de Janeiro de 2020 às 19:30
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"O senhor primeiro-ministro apresentou-nos aqui um país imaginário, que eu não sei se lhe hei de chamar 'Costolândia' ou 'Centenolândia'", deixo ao vosso dispor essa consideração", disse Duarte Pacheco (na foto) na inauguração da segunda ronda de perguntas ao primeiro-ministro durante o debate parlamentar sobre a proposta para o Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

O parlamentar do PSD sustentou a denominação pelo facto de considerar que o OE2020 "aumenta 15 impostos", como "o imposto do Selo, o IMI, o IMT, o ISV, o IUC, o imposto sobre produtos petrolíferos, o imposto sobre o tabaco, sobre o jogo 'online', sobre as bebidas com açúcar, que cria novas contribuições, que atualiza o IRS abaixo da inflação, correspondendo a um aumento de impostos".

"Mas o Governo acha que todos estes impostos são pagos pelos extraterrestres, e por isso a carga fiscal não aumenta, baixa. É mesmo um país imaginário, senhor primeiro-ministro", afirmou Duarte Pacheco.

Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que havia "uma coisa que queria garantir sobre o país", que o Governo não o deixaria ir "Rio abaixo", e que é "mesmo" necessário "o manter no rumo certo".

"O senhor deputado, que esteve aqui a aprovar o Orçamento do Estado de 2012, com um gigantesco aumento de impostos, votou na legislatura anterior contra todos os orçamentos que acabaram com esse gigantesco aumento de impostos, vem falar sobre carga fiscal? Ó senhor deputado Duarte Pacheco, um mínimo de carência", respondeu o chefe do Governo.

O também deputado do PSD Álvaro Almeida interpelou igualmente o primeiro-ministro, centrando a sua intervenção no Serviço Nacional de Saúde, afirmando que do aumento de mais de 900 milhões de euros previsto no orçamento, "só sobram 200 milhões de euros" para as medidas anunciadas pelo chefe do Governo, com um aumento de 2,8% na despesa do SNS.

"A despesa primária total aumenta 4,9%, e a despesa nas outras áreas que o Governo controla aumenta mais que a despesa de saúde", afirmou o deputado, questionando ainda que se "nos quatro anos anteriores a despesa do SNS cresceu mais de 4% ao ano, como é que com um crescimento de 2% consegue esses ganhos todos de melhoria da qualidade do serviço?", questionou

O primeiro-ministro respondeu afirmando que "60% da despesa da administração central na última legislatura foi com saúde", que o setor "não é uma prioridade nova", e que "o que aumenta é a ambição neste orçamento".

"Nós não fingimos que os problemas não existem, não temos a visão do país como um oásis, não temos uma visão do país com uns olhos cor-de-rosa, temos uma visão de um país que tem problemas e cuja nossa função é resolver esses problemas", acrescentou António Costa.

"Quando reforçamos em 941 milhões o orçamento inicial da saúde, é porque achamos que há um problema para resolver", afirmou o chefe do Governo.
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