OCDE: Salários dos professores portugueses caíram 10% entre 2005 e 2015

Os professores portugueses estão entre os que mais salário perderam entre 2005 e 2015, dentro dos países da OCDE. Por outro lado, o desempenho dos alunos portugueses foi dos que mais melhorou.
Correio da Manhã
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Tiago Varzim 11 de junho de 2018 às 14:23

Existe uma "fraca" relação entre os salários dos professores e o desempenho dos alunos. Portugal é exemplo disso, segundo um estudo da OCDE. Apesar dos salários destes profissionais terem sido os segundos que mais pioraram em dez anos entre os países da OCDE, o desempenho dos estudantes portugueses nos testes PISA foi dos que mais melhorou.
Comparando com os países da OCDE para os quais existem dados, Portugal é o segundo país onde os salários dos professores mais diminuíram entre 2005 e 2015. Só é superado pela Grécia, mas há uma diferença. Enquanto os alunos gregos pioraram o seu desempenho nos testes internacionais PISA, os alunos nacionais foram dos que mais melhoraram.
Estes dados constam do estudo "Effective Teacher Policies: Insights from PISA" que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou esta segunda-feira. Os números mostram que não é clara a relação entre salários mais elevados e uma maior qualidade do ensino ou maior eficácia dos professores.


"Alguns países podem querer aumentar o salário dos professores de forma a atrair melhores candidatos para a profissão, mas deverá demorar vários anos até que os efeitos dessa política se reflictam nos resultados dos alunos", explica o estudo da OCDE. Por outro lado, outros países podem aumentar os salários em reacção à concorrência de outros sectores para reter os professores, "mas não irá conseguir prevenir a redução da qualidade média dos professores".
As experiências nos países da OCDE são exemplo das relações diferentes entre as duas variáveis: salário e desempenho. Em Israel, Letónia, Polónia e Turquia, os salários dos professores aumentaram 20% entre 2005 e 2015, mas apenas os alunos israelitas melhoraram significativamente o seu desempenho científico.
Do outro lado está a Grécia e Portugal onde, como já foi explicado, as variáveis também tiveram dinâmicas diferentes. Na Grécia os salários dos professores diminuíram 20% e o desempenho dos alunos baixou 5,9 pontos. Já em Portugal o salários dos docentes caiu 10%, mas o desempenho científico dos alunos aumentou 7,6 pontos. Isto aconteceu ao mesmo tempo que o número de alunos por professor em Portugal aumentou, aponta ainda a OCDE. 
De referir que o eixo horizontal do gráfico mostra a variação dos salários dos professores com 15 anos de carreira, entre 2005 e 2015, convertida a preços constantes usando deflactores para o consumo privado.
Mais autonomia para escolas contratarem melhora desempenho dos alunos
Dar maior responsabilidade às escolas para contratar professores "parece" levar a melhorias no desempenho dos alunos, enquanto a redução dessa responsabilidade tende a piorar os resultados.
A conclusão é da OCDE, no mesmo estudo, sendo que a Organização recomenda que os directores das escolas tenham uma maior liberdade para adaptar os professores às necessidades das salas de aula. Este tema está neste momento a ser debatido em Portugal no âmbito do pacote de descentralização do Estado.
"Entre todos os 51 países analisados com dados comparáveis, as melhorias no desempenho científico tendem a estar associadas a aumentos da autonomia das escolas para contratar e despedir", assinala a OCDE, admitindo que a relação entre as suas variáveis é "significativa, mas fraca".

Também nesta comparação Portugal figura entre os melhores. O país foi um dos que mais aumentou a autonomia das escolas para contratar e, ao momento tempo, onde o desempenho dos alunos mais melhorou. Só o Qatar supera Portugal.

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