Juiz espanhol “chumba” pagamento a orquestra que desafinou e desconhecia as letras

O Centro Galego de Vitória não terá de pagar os 6.655 euros devidos a uma orquestra contratada, uma vez que a apresentação não cumpriu os padrões mínimos de qualidade, determinou um juiz no País Basco, em Espanha.
Orquestra desafinada e desconhecimento de letras motivam não pagamento
José Barradas/Correio da Manhã
Lusa 09:34

Os cantores de uma orquestra contratada pelo Centro Galego de Vitória desafinaram e nem sequer sabiam a letra das canções, pelo que a entidade contratante não terá de pagar os 6.655 euros devidos, determinou o Tribunal Provincial de Álava, no País Basco.

O Centro Galego contrata grupos musicais para animar as festividades da Festa de Santiago há quarenta anos, através do mesmo representante, e para 2023 recomendou a orquestra 'Ciudad de Vigo'.

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A presidente do Centro Galego, Mónica Calvo, explicou à agência Efe que o contrato para os dois dias de festividades desse fim de semana, 22 e 23 de julho de 2023, totalizava quase 14.000 euros e que, ao contrário dos anos anteriores, o grupo exigiu um adiantamento de 50%.

Pagaram esse valor, mas após a apresentação, o Centro Galego de Vitória recusou-se a pagar o restante contrato, alegando incumprimento contratual, e a orquestra interpôs uma ação judicial exigindo o pagamento do saldo remanescente.

Numa decisão emitida em abril deste ano, o Tribunal Provincial de Álava confirmou uma decisão anterior de um tribunal inferior e rejeitou a ação da orquestra, isentando o Centro do pagamento do valor remanescente acordado, por ter determinado que houve incumprimento contratual.

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A decisão confirma a existência de "numerosas irregularidades e violações de um padrão mínimo razoável, percetíveis a qualquer ouvinte médio, na performance e execução da apresentação artística da banda contratada, corroboradas por gravações vídeo".

A decisão inicial concluiu que havia provas suficientes de "discrepâncias e defeitos na performance da orquestra para considerar o contrato quebrado" e rejeitou a ação.

Calvo explicou que forneceram ao juiz vídeos, fotos e testemunhos de pessoas presentes no espetáculo, que descreveu como lamentável.

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A queixa alegava que os músicos, com uma exceção, não correspondiam aos das imagens promocionais, os cantores não sabiam a coreografia nem a letra das canções, o cronograma não foi cumprido, houve "constantes desafinações, microfones com defeito e a música e as canções estavam constantemente dessincronizadas".

Além disso, apesar de terem contratado uma banda com um camião-palco, o Centro Galego queixou-se que chegaram a Vitória atrasados com um veículo que estava "pronto para o ferro-velho".

"Acho que nem se conheciam; não sabiam a letra das canções, que tiveram de procurar nos telemóveis, e cantaram desafinados. Foi terrível", sublinhou Calvo.

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