Pacto para a Justiça: Sócios deverão ser impedidos de abrir e fechar empresas sem justificação
A ideia é controlar o incumprimento de obrigações e a proposta é que seja criada uma "inibição dos administradores, gerentes e sócios maioritários de sociedades que não se apresentem à insolvência, ou que tenham sido liquidadas administrativamente" de poderem constituir novas empresas durante um período de cinco anos.
PUB
Esta é uma das 88 propostas constantes dos Acordos para o Sistema de Justiça, um documento que resulta do chamado Pacto para a Justiça, que reuniu Magistrados Judiciais e do Ministério Público, advogados, funcionários judiciais e solicitadores e agentes de execução. O documento será oficialmente entregue a Marcelo Rebelo de Sousa esta sexta-feira, 12 de Janeiro, tendo entretanto sido divulgado pelo jornal Público e pelo Eco.
Com o impedimento aos administradores, gestores e sócios de sociedades, o que se pretende é garantir "um pressuposto básico de controlo geral ao incumprimento de obrigações", basicamente acabar com situações de empresários que fecham as suas empresas sem cumprir todas as obrigações e abrem depois empresas novas e "limpas" de compromissos, nomeadamente de dívidas.
PUB
"Não se trata de limitar a forma de constituição de sociedades ou se essa constituição é feita "na hora" ou com recurso a procedimentos "simplex"", sublinha o documento. A ideia, a ser aceite pelo Executivo, será apenas "instituir uma limitação subjectiva prévia" à constituição de uma nova empresa, ou seja, obrigar os empresários a mostrar o seu histórico de aberturas e fechos de sociedades, justificando estes últimos e comprovando que não houve qualquer intuito fraudulento.
Por outro lado, é proposto o estudo e implementação de mecanismos concretos para a dissolução administrativa de sociedades. Aqui a ideia é que o tecido económico possa ser "expurgado, de forma rápida e eficaz, das empresas que não reúnam requisitos de funcionamento". Na prática é conseguir que se passem realmente a aplicar regras como a que obriga à dissolução de empresas que não apresentem contas em dois anos. Hoje em dia, a maior parte dos casos acabam por ir parar a tribunal, onde entopem o movimento processual.
PUB
O Pacto para a Justiça dedica especial atenção à área económica, sendo apresentadas 24 propostas de medidas. Entre elas constam a criação de um Guia do Investidor que "em português e inglês, explique aos investidores nacionais e internacionais, de forma clara, simples e acessível, o sistema de cobrança de dívidas português e o que do mesmo podem esperar". Ou, ainda, a criação de um portal público no Ministério da Justiça que permita informação e acesso centralizado a todas as formas de resolução de conflitos, incluindo os julgados de paz e todos os centros de arbitragem.
PUB
Pretende-se ainda que o PEPEX (procedimento extrajudicial pré-executivo) passe a estar integrado no processo executivo – hoje em dia ainda depende de uma iniciativa do credor. Com este mecanismo é possível detectar se o devedor possui ou não bens com os quais possam ser saldadas as suas dívidas e, em caso negativo, evita-se a abertura de um novo processo.
Saber mais sobre...
Saber mais Marcelo Rebelo de Sousa Sistema de Justiça Magistrados Judiciais Ministério Público solicitadores agentes de execução tribunais“Parem de se queixar”
Literacia financeira ASAP
Mais lidas
O Negócios recomenda