Crescimento económico de África pode abrandar para 4% em 2026
O crescimento económico de África deverá abrandar para 4,2% este ano ou até para 4% se o conflito no Médio Oriente se prolongar, segundo as perspetivas económicas do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para o continente, divulgadas nesta terça-feira.
No relatório "Perspetivas Económicas de África 2026: Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado" a instituição alerta que o impacto do conflito no Médio Oriente no crescimento e na estabilidade macroeconómica do continente dependerá da duração das perturbações nas cadeias de abastecimento e dos seus efeitos nos preços globais da energia e dos fertilizantes.
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O BAD antecipa que um crescimento de 4,2% em 2026 e 4,4% em 2027 (o mesmo nível de 2025) caso a guerra dure mais dois a três meses.
Mas o impacto pode ser maior caso o conflito se prolongue e passem "três a seis meses, até uma desescalada gradual das tensões", cenário em que o PIB real pode diminuir 0,4 pontos percentuais face a 2025, para 4% em 2026", lê-se no relatório.
O BAD aponta ainda que a "desigualdade de rendimento e a concentração são elevadas em África", onde os 10% mais ricos da população detêm entre 40% e 65% do rendimento total, enquanto os 50% mais pobres recebem apenas entre 10% e 15%.
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A inflação deverá também continuar alta no continente devido ao aumento dos preços globais do petróleo e do gás, de acordo com as perspetivas do banco, com uma inflação média de 10,4% em 2026, seguida de uma diminuição para 8,9% em 2027.
Ainda assim, a inflação projetada é menor do que os 13,7% de 2025, uma melhoria "atribuída ao aumento da produção agrícola e aos efeitos das políticas monetárias restritivas aplicadas nos meses anteriores".
Em relação ao défice orçamental, o BAD prevê uma melhoria este ano e no próximo, depois do aumento ligeiro para 4,9% do PIB em 2025 "refletindo receitas fracas num contexto de despesas elevadas", face aos 4,8% em 2024.
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"Uma queda de 14% nos preços globais do petróleo em 2025 alargou o défice orçamental nos países exportadores para 6,4% do PIB, face a 5,7% em 2024. Este resultado reflete a natureza pró-cíclica das posições orçamentais relativamente às flutuações dos preços do petróleo. Esta simetria implica que a atual vaga de preços elevados do petróleo reforçará as receitas dos exportadores líquidos e melhorará a posição orçamental média para 5,6% do PIB em 2026", lê-se.
Desta forma, deverá existir uma redução do défice orçamental médio global para 4,8% do PIB em 2026 e para 4,6% em 2027, perspetivam os economistas do BAD.
"Contudo, os países importadores líquidos de petróleo poderão enfrentar um forte aumento das faturas de importação devido aos elevados preços do petróleo", avisa a instituição, o que "pode limitar a capacidade dos países importadores líquidos de petróleo para apoiar os agregados familiares de baixos rendimentos afetados pelo aumento dos custos energéticos".
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O relatório foi apresentado no primeiro dia de reuniões do encontro anual do Grupo BAD, no qual representantes dos 81 países membros, incluindo chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, incluindo de países africanos lusófonos, vão analisar os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham.
O lema das reuniões deste ano é "Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado" e no qual, até sexta-feira, a capital da República do Congo, Brazzaville, torna-se o centro financeiro de África acolhendo mais de 3.000 mil pessoas de 81 delegações.
As reuniões deste ano estão a ser marcadas por medidas sanitárias contra o Ébola, que foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo (RDCongo) por um rio, e o próprio formato dos encontros foi alterado, com o Banco a adotar "um formato híbrido, permitindo que todos os delegados participem plenamente nos trabalhos, independentemente das condições de viagem e logísticas".
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