Havana chama pela diáspora para tentar evitar colapso económico

Mudança de rumo tem como objetivo dinamizar setores desde o imobiliário ao turismo. Até agora, cubano-americanos só podem investir no país se restabelecerem a residência em Cuba e qualquer fluxo significativo de capital exigiria que os EUA levantassem sanções.
Havana, Cuba
AP/Ramon Espinosa
João Duarte Fernandes 14:43

O Governo cubano quer abrir a sua economia à diáspora cubano-americana, para permitir que empresários residentes no estrangeiro possam abrir negócios e adquirir imóveis na ilha do Caribe, numa tentativa de evitar um desastre económico face à persistente pressão da Administração Trump.

O vice-primeiro-ministro cubano, Oscar Pérez-Oliva Fraga — sobrinho do ex-presidente e líder do Partido Comunista de Cuba (PCC) Raúl Castro — afirmou, numa entrevista à NBC News, que o Executivo está aberto a manter uma relação comercial fluida “com os cubanos que residem nos Estados Unidos (EUA) e os seus descendentes”.

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Durante a mesma entrevista, cita o Wall Street Journal (WSJ), Fraga sublinhou ainda que o Governo está igualmente aberto a estabelecer relações com empresas norte-americanas, pretendendo dinamizar setores da economia que vão desde o imobiliário ao turismo e às infraestruturas. Isto apenas dias depois de o Presidente do país caribenho, Miguel Díaz-Canel, ter reconhecido pela primeira vez que existem negociações em curso com a Administração Trump. Díaz-Canel disse num discurso que as conversações “se destinam a encontrar soluções através do diálogo para as diferenças bilaterais entre as duas nações. Os fatores internacionais facilitaram estas trocas”. .

As declarações de Oscar Pérez-Oliva Fraga representam um afastamento de décadas de hostilidade contra a diáspora cubano-americana, que tem sido uma das principais defensoras do endurecimento das sanções contra Havana.

Mas qualquer fluxo significativo de capital cubano-americano para o país exigiria que os EUA levantassem as sanções atuais que impedem os norte-americanos de realizar muitas transações comerciais com Cuba. E, para já, responsáveis da Administração Trump não deram sinais de que estejam dispostos a fazê-lo.

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“Nada disto altera as regras e restrições nos EUA”, disse Matthew Aho, especialista em assuntos cubanos do escritório de advogados Akerman, ao WSJ. “São precisos dois para dançar o tango”, acrescentou.

Ainda durante esta madrugada, o Presidente dos EUA disse que Cuba é "uma nação muito enfraquecida neste momento", numa referência à grave crise energética que o país enfrenta. Os EUA colocaram um , que era uma das principais fontes energéticas do país.

De acordo com a legislação cubana, os cubano-americanos só podem investir na ilha se restabelecerem a residência em Cuba. E dada a influência desta comunidade, há muito tempo que Havana resiste a permitir que invistam na ilha por receio de perder o controlo político do país.

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Na sua maioria, referiu ao WSJ William LeoGrande, da American University, apenas pessoas com uma ligação emocional à ilha estariam dispostas a investir, tendo em conta o quão más são as condições económicas e empresariais atuais.

No mês passado, sob pressão dos EUA, Cuba anunciou uma série de reformas económicas, incluindo a autorização para que empresas privadas importem e distribuam combustível no país para atenuar a crise energética. Na segunda-feira, toda a rede elétrica de Cuba entrou em colapso, expondo o frágil momento que o país atravessa.

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