A desigualdade salarial vai continuar a aumentar nos EUA
O Departamento Orçamental do Congresso dos Estados Unidos antecipa que, entre 2016 e 2026, os norte-americanos mais ricos continuarão a ver os seus salários crescer mais rapidamente do que aqueles que recebem menos dinheiro. Ou seja, o país será cada vez mais desigual.
O relatório do departamento (conhecido pela sigla CBO) sobre o orçamento e a economia foi publicado na semana passada, mas um detalhe passou um pouco despercebido: os números apresentados no relatório parecem concluir que a desigualdade salarial, já bastante elevada, continuará a agravar-se nos próximos dez anos.
Quem identificou essa conclusão foi o "think-tank" CEPR (Centro de Investigação Económica e Política), com sede em Washington. Se todos os salários pagos na economia forem um bolo, os dados do CBO mostram que a fatia que vai para aqueles que ganham mais de 118,5 mil dólares por ano (106 mil euros) vai aumentar entre 2016 e 2026. Quanto? Mais quatro pontos percentuais do total de rendimentos passarão a ser pagos aos 7% mais ricos, que estão acima do limite de taxação de rendimentos para efeitos de Segurança Social (os tais 118,5 mil dólares).
"Projecta-se que as receitas de impostos sobre os rendimentos diminuam ligeiramente em relação ao PIB durante a próxima década, essencialmente como resultado de um esperado aumento da percentagem de salários ganhos pelos contribuintes com rendimentos mais altos; esse aumento vai fazer com que uma fatia maior dos salários esteja acima do montante máximo sujeito aos impostos sobre o rendimento da Segurança Social", escreve o CBO no seu relatório.
Mais à frente, os técnicos do organismo sublinham que os salários ganhos por estes contribuintes com maiores rendimentos passarão a representar 20% de todo o bolo salarial em 2026. Actualmente, essa percentagem é 16%.
Isto também causa um problema às contas públicas dos Estados Unidos. O tecto máximo de 118,5 mil dólares normalmente acompanha o crescimento do salário médio. Se a desigualdade aumentar e os salários mais altos avançarem mais rapidamente do que a média, haverá mais rendimentos isentos. Logo, a receita fiscal cai. O "post" do CEPR, assinado por Dean Baker e Nick Buffie e publicado hoje, 19 de Fevereiro, explica que nos últimos 30 anos a percentagem de rendimentos que estão isentos de impostos quase duplicou.
Para o futuro, cerca de 33% de todo o crescimento salarial ocorrerá entre os rendimentos que estão acima do tecto máximo. Esses salários deverão aumentar 92% entre 2016 e 2026, enquanto todos os outros crescerão 48%. Se a desigualdade não aumentasse, nota o CEPR, os trabalhadores com salários médios e baixos teriam um "aumento" de 6% dos seus salários ao longo dos próximos dez anos, em comparação com um cenário em que a desigualdade se agrava.