Ouro avança pela terceira sessão consecutiva. Trump atira dólar para mínimos de uma semana
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Trump prega "rasteira" ao dólar e atira moeda para mínimos de uma semana
As perspetivas de um fim do conflito no Irão estão a pressionar o dólar norte-americano - um dos ativos que mais beneficiaram com o estalar do conflito no Médio Oriente no final de fevereiro. A "nota verde" está a negociar em território negativo face aos seus principais rivais, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter sinalizado que a guerra no Irão poderá acabar "dentro de duas a três semanas" - com ou sem um acordo com o regime de Teerão.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa norte-americana face às suas principais concorrentes - cede 0,29%, atingindo mínimos de cerca de uma semana. Por sua vez, o euro acelera 0,33% para 1,1590 dólares, numa altura em que vários membros do Banco Central Europeu (BCE) têm pedido cabeça fria na hora de responder aos impactos da guerra no Irão, enquanto a libra ganha 0,38% para 1,3279 dólares.
Por sua vez, a "nota verde" cai 0,16% para 158,44 ienes, depois de ter chegado a tocar nos 160 dólares, forçando as autoridades nipónicas a falarem de uma possível intervenção na moeda. Apesar da recuperação, os movimentos da divisa japonesa têm sido mais retraídos do que os seus pares e os dados económicos positivos vindos do país pouco têm feito para animar o iene, deixando as autoridades em alerta.
A atenção dos investidores vira-se agora para o discurso de Trump na próxima madrugada. A Casa Branca promete uma "importante atualização relacionada com o Irão", depois de também o secretário de Estado, Marco Rubio, ter contado à Fox News que já vê "a linha do fim" para o conflito no Médio Oriente. Apesar destas declarações, a guerra no terreno não dá grandes sinais de apaziguamento e os EUA continuam a reforçar a presença militar na região.
Após um arranque do ano bastante negativo para o dólar, com as políticas erráticas do Presidente norte-americano a pressionarem a "nota verde", o estalar do conflito devolveu o otimismo em torno da divisa. Os investidores viraram-se para o dólar em procura de refúgio, numa altura em que o ouro perdeu atratividade e os mercados apontam para uma política monetária mais restritiva em 2026 do que inicialmente antecipado.
Ouro avança pela terceira sessão consecutiva e recupera o patamar dos 4.700 dólares
O ouro está a negociar em território positivo pela terceira sessão consecutiva, numa altura em que a guerra no Irão dá sinais de estar mais próxima do fim e os investidores começam a mostrar-se mais preocupados com o impacto do conflito no crescimento económico mundial do que com os efeitos para a política monetária.
A esta hora, o metal precioso acelera 1,03% para 4.722,28 dólares por onça, depois de ter chegado a valorizar mais de 3,5% na sessão anterior. Na quarta-feira à noite, já depois do encerramento dos mercados, o Presidente dos EUA, Donald Trump, garantiu que o conflito no Irão irá terminar "dentro de duas a três semanas" e que um acordo com o regime de Teerão poderá chegar mesmo antes desse prazo.
Esta garantia foi suficiente para devolver o otimismo aos mercados, com os investidores a apostarem numa resolução do conflito no curto prazo. O fim da guerra torna a reabertura do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás natural consumidos a nível global, mais plausível, após um bloqueio de várias semanas realizado pelo Irão em resposta aos ataques dos EUA e Israel no último dia de fevereiro.
Com muito poucas embarcações a passarem por esta artéria vital do comércio mundial, os preços da energia dispararam e aumentaram os receios de uma escalada da inflação - que já começa a ser materializada, depois de os preços terem acelerado de 1,9% para 2,5% na Zona Euro em março, segundo a estimativa rápida do Eurostat divulgada esta terça-feira. A previsão era que, com uma inflação descontrolada, os bancos centrais por todo o mundo seriam obrigados a apertar a política monetária, o que tende a ser prejudicial para o ouro, uma vez que o metal não rende juros.
"O apelo do ouro como porto seguro tende a ressurgir quando a narrativa passa da inflação para o risco de crescimento", explica Yuxuan Tang, diretora de estratégia de taxas e câmbio para a no JPMorgan Private Bank, à Bloomberg. “Estamos firmemente convencidos de que a Reserva Federal tem margem limitada para aumentar as taxas neste ciclo” e que, em vez disso, se concentrará no mercado de trabalho sob pressão, afirmou ainda.
Petróleo cai abaixo dos 100 dólares com investidores a apostarem no fim do conflito
Donald Trump, Presidente dos EUA, prometeu acabar com a guerra no Irão "dentro de duas a três semanas" e a resposta dos investidores não podia ter sido mais otimista. O preço do petróleo Brent - que serve de referência para a Europa - caiu pela primeira vez em mais de uma semana abaixo dos 100 dólares por barril, pressionado pela perspetiva de que o estreito de Ormuz poderá voltar a abrir com o fim das hostilidades.
A esta hora, o Brent cai quase 5% para 98,91 dólares por barril, depois de ter chegado a atingir os 118,35 dólares nas últimas semanas, enquanto o West Texas Intermediate também caiu abaixo da marca dos 100 dólares, negociando agora com perdas de 4,40% para 96,87 dólares. Também o gás natural está a ser pressionado pelas palavras do Presidente norte-americano, com a matéria-prima de referência para o Velho Continente a cair quase 6% para 47,86 euros por megawatt-hora.
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Abril traz otimismo para os mercados. Ásia vive melhor sessão em mais de um ano com conflito próximo do fim
Os principais índices asiáticos registaram a melhor sessão em mais de um ano, numa altura em que os investidores já abrem a porta a um possível fim do conflito no Médio Oriente, que levou a severas disrupções no mercado e deixou o mundo à beira de uma nova crise energética. No final da noite de quarta-feira, Donald Trump mostrou alguma fadiga da guerra e afirmou que o conflito com o Irão vai terminar dentro de "duas a três semanas" - sendo possível "haja um acordo antes disso".
As declarações levaram o MSCI Asia Pacific Index a disparar quase 5%, recuperando em parte daquele que foi o pior mês para as ações em mais de 17 anos. O avanço seguiu-se a uma sessão extremamente positiva para Wall Street, com o S&P 500 a acelerar cerca de 3% e a registar a melhor sessão desde maio do ano passado, e deve também chegar à Europa, com os futuros do Euro Stoxx 50 a valorizar quase 3%.
Uma resolução do conflito, que já vai na quinta semana, devolveria a confiança dos investidores, após os receios de uma nova crise energética - que leve a um disparo da inflação e a uma política monetária mais restritiva - terem atirado várias praças globais para território de correção. O foco agora vira-se para a resposta dos países aos elevados preços da energia e às disrupções nas cadeias de abastecimento, bem como para os impactos no crescimento económico. Trump vai falar na próxima madrugada à nação para dar o que diz ser uma "atualização importante" sobre a guerra no Irão.
"A possibilidade de os EUA estarem a procurar um apaziguamento pode contribuir para o apetite pelo risco a curto prazo, tal como se verificou nas últimas 24 horas", explica Tai Hui, estratega-chefe de mercado na JPMorgan Asset Management, à Bloomberg. "No entanto, poderemos ainda assistir a alguma volatilidade caso a administração Trump venha a rever a sua estratégia militar", antecipa.
Do lado do Irão, o Presidente Masoud Pezeshkian diz que o país está preparado para terminar com a guerra, mas exige garantias, reiterando as exigências feitas na semana passada aos EUA para terminar com o conflito. Numa chamada telefónica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, Pezeshkian disse que o Irão tem "a vontade necessária para pôr fim a esta guerra", mas espera que sejam cumpridos determinados requisitos, "especialmente as garantias essenciais para impedir a repetição da agressão".
As perspetivas de um conflito com resolução a curto prazo marcam um início solarengo de abril para os mercados. O sul-coreano Kospi liderou os ganhos asiáticos, ao acelerar 8,47% esta sessão, enquanto o japonês Nikkei 225 disparou 5,21% e os chineses Hang Seng e Shanghai Composite ganharam 2,44% e 1,39%, respetivamente. Também o australiano S&P/ASX 200 celebrou o possível fim da guerra, ao saltar 2,24%, enquanto o indiano Nifty 50 sobe 2,27%.