EUA já gastaram 25 mil milhões de dólares com a guerra no Irão, diz Pentágono
É a estimativa pública mais completa do Pentágono sobre os gastos com a guerra no Irão. No Congresso norte-americano, o secretário da Defesa dos EUA esteve a defender o orçamento recorde que Washington quer para o setor e apontou ainda baterias à NATO.
Os EUA já gastaram cerca de 25 mil milhões de dólares (cerca de 21,37 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual) na guerra com o Irão. A estimativa foi apresentada esta quarta-feira pelo responsável orçamental do Pentágono, Jules Hurst, que esteve a responder às perguntas dos congressistas que compõem o comité das Forças Armadas da Câmara dos Representantes norte-americana - um testemunho feito ao lado do secretário da Defesa, Pete Hegseth.
Esta é, até agora, a estimativa pública mais completa dada pelo Pentágono sobre os valores despendidos pelos EUA num conflito que já dura há mais de dois meses. O responsável orçamental do Pentágono e o secretário da Defesa foram chamados à câmara baixa do Congresso norte-americano para responderem às perguntas dos congressistas sobre o pedido sem precedentes da Administração Trump, que pretende gastar 1,5 biliões de dólares em defesa no orçamento do próximo ano.
De acordo com Hegseth, o aumento de 40% nas verbas serve para reverter o que diz ser um grande desinvestimento no setor feito nos últimos anos. Apesar de precisar de aliados para fazer passar o orçamento, o secretário da Defesa não poupou nas palavras: "O maior desafio, o maior adversário que enfrentamos neste momento são as palavras imprudentes, irresponsáveis e derrotistas dos democratas do Congresso e de alguns republicanos".
Hegseth não se ficou pelas críticas internas. Seguindo os passos Donald Trump, Presidente dos EUA, o secretário da Defesa dos EUA apontou baterias aos aliados da NATO e a outros países aliados que, diz, não apoiaram Washington na sua incursão no Médio Oriente. "Os aliados exemplares que assumirem as suas responsabilidades, como Israel, a Coreia do Sul, a Polónia, a Finlândia, os países bálticos e outros, receberão o nosso apoio especial", enquanto "os aliados que não o fizerem - os aliados que continuem a não cumprir a sua parte na defesa coletiva - enfrentarão consequências".
O estalar do conflito no Irão levou ao encerramento do estreito de Ormuz e fez com que os preços da energia disparassem, mergulhando o mundo numa crise energética sem precedentes. Desde o início da guerra, o preço do petróleo já valorizou mais de 60%, impulsionado não só pelo bloqueio desta artéria do comércio global - por onde passa um quinto de todo o crude e gás natural consumidos no mundo - mas também pelos ataques à infraestrutura energética dos países do Golfo Pérsico.
Fazendo um balanço do conflito, o democrata Adam Smith afirmou que até agora os norte-americanos viram apenas os "custos da guerra", acusando a Administração Trump de não ter um plano para atingir os seus objetivos e de entrar no conflito no Médio Oriente "sozinho". Do lado dos republicanos, existe ainda alguma relutância por parte de vários congressistas em aceitar o pedido da Casa Branca de incrementar o orçamento da Defesa em 40% - muito devido às eleições intercalares que se aproximam.