As gigantes tecnológicas estão a perder o fôlego?
As sete magníficas das tecnologias têm estado com algumas dificuldades e apenas a Nvidia e a Apple apresentaram saldo positivo desde o início do ano. O explicador esclarece o que se passa.
Terminado o calendário de apresentação de resultados das sete magníficas, ficou a sensação de alguma desilusão e não foram afastados os receios dos investidores.
Mais do que previsões, lucros e receitas, as grandes tecnológicas terão de gerir as expectativas sobre a sustentabilidade das margens e o retorno a curto prazo que os investidores esperam, numa altura em que os gastos com Inteligência Artificial (IA) ascendem a milhares de milhões e em que o fantasma de uma bolha e disrupção do setor continua a pairar.
O que se passa?
Depois de três anos de ganhos em bolsa, as sete magníficas das tecnologias têm estado desde o início de 2026 a debater-se para se manterem à tona. Apenas duas – Nvidia e Apple – estão com saldo positivo e os ganhos são débeis. As restantes cinco estão a cair no acumulado do ano, com destaque para a Microsoft e Amazon.
E a que se deve esta perda de fôlego? Essencialmente, os investidores receiam que este grupo de “big tech” esteja a gastar milhares de milhões de dólares em laboratórios e centros de dados que poderão demorar anos até serem rentáveis. E os acionistas querem ver resultados.
Só em 2026, a Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta pretendem investir 660 mil milhões de dólares em Inteligência Artificial, com a grande fatia desses investimentos a irem para a construção de centros de dados. Se os retornos não existirem no curto prazo, os investidores vão continuar a penalizar estas empresas.
Há uma mudança de mentalidade?
As reações do mercado não vão todas no mesmo sentido: os investidores estão a recompensar a “Inteligência Artificial tangível” (receitas da “cloud” e eficiência da publicidade), ao mesmo tempo que castigam a “Inteligência Artificial especulativa” (projetos com horizontes distantes em termos de receitas).
Além disso, os receios em torno da sustentabilidade do negócio do software continuam a crescer. No começo de fevereiro, a forte queda das cotadas deste segmento levou mesmo a que se falasse de um “software-Armageddon”, ou seja, há receios de que as novas soluções de Inteligência Artificial tornem o software tradicional obsoleto, o que levou a uma liquidação generalizada no setor, com a Microsoft e a IBM a serem claramente castigadas em bolsa.
Ainda assim, muitos líderes das tecnológicas têm relativizado os receios do mercado, especialmente de que a Inteligência Artificial vá substituir o software empresarial. O CEO da Nvidia diz que essa ideia “é a coisa mais ilógica do mundo” e o CEO da tecnológica britânica Arm Holdings descreveu os recentes temores do mercado como uma “micro-histeria”.
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