Central nuclear no Irão atingida por projétil. Embaixada dos EUA no Iraque sofre novo ataque
Teerão e Moscovo afirmam que central nuclear de Bushehr foi atingida por projétil
Pelo menos 19 mortos em novos ataques de Israel contra o Líbano
Embaixada dos EUA no Iraque sofre novo ataque
Estados Unidos atacam instalações de mísseis próximas do Estreito de Ormuz
Casa Branca rejeita argumento anti-guerra de demissão de diretor de contraterrorismo
Seul diz ser "a prioridade" dos EAU, que vão fornecer 24 milhões de barris de petróleo
Tóquio insta Teerão a cessar ações que ameacem navegação no Estreito de Ormuz
Mais explosões no Curdistão iraquiano junto a interesses dos EUA
Pelo menos quatro fortes explosões foram ouvidas esta quarta-feira em Erbil, no Curdistão iraquiano, segundo a agência noticiosa francesa AFP, após registo de ataques pró-iranianos com drones nos últimos dias contra interesses dos Estados Unidos da América (EUA) naquela zona.
Os jornalistas da AFP descreveram colunas de fumo nos arredores daquela cidade do Iraque, onde se situa o consulado dos EUA e estão estacionadas tropas da coligação internacional liderada pelos norte-americanos contra os grupos jihadistas, junto ao aeroporto.
Na passada semana, também bases militares italianas e francesas foram atacadas nesta região norte do Iraque, tendo sido morto um soldado do contingente da França ali destacado, além de outros sete feridos.
Os EUA e Israel lançaram em 28 de fevereiro uma ofensiva militar contra o Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Teerão e Moscovo afirmam que central nuclear de Bushehr foi atingida por projétil
Teerão e Moscovo afirmam que um projétil atingiu as instalações da central nuclear de Bushehr, no Irão, levantando o espetro de um incidente radioativo, quando se intensifica a guerra de Israel e Estados Unidos contra a República Islâmica.
Nem o Irão nem a Rússia afirmam que tenha havido qualquer libertação de material nuclear no incidente, ocorrido na terça-feira, mas este sublinha mais uma vez uma preocupação de longa data dos vizinhos do Irão — que a central, situada nas margens do Golfo Pérsico, possa ser atingida por um ataque ou por um terramoto.
A agência de notícias estatal russa Tass citou na terça-feira à noite o CEO da Rosatom, Alexey Likhachev, que afirmou que "um ataque atingiu a área adjacente ao edifício do serviço de metrologia localizado no local da Central Nuclear de Bushehr, nas imediações da unidade de energia em funcionamento". Técnicos russos da Rosatom operam a central, utilizando urânio pouco enriquecido de fabrico russo.
"Não houve vítimas entre o pessoal da Corporação Estatal Rosatom", disse Likhachev. "A situação de radiação no local é normal", acrescentou o gestor.
A Organização de Energia Atómica do Irão emitiu posteriormente um comunicado afirmando que "não ocorreram danos financeiros, técnicos ou humanos e nenhuma parte da central foi danificada".
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) emitiu hoje uma declaração segundo a qual revela ter sido "informada pelo Irão de que um projétil atingiu as instalações da central nuclear de Bushehr na terça-feira à noite".
Pelo menos 19 mortos em novos ataques de Israel contra o Líbano
O Exército de Israel anunciou esta quarta-feira novos ataques contra o Líbano, que registou, pelo menos, 19 mortos devido a bombardeamentos ocorridos durante esta madrugada.
"As Forças de Defesa de Israel (FDI) começaram a atacar alvos terroristas do Hezbollah no sul do Líbano", comunicou o Exército israelita na rede de mensagens Telegram.
O anúncio surge depois de as FDI terem recomendado a retirada de civis na região de Tiro, no sul do Líbano e solicitado, horas depois, também a evacuação do bairro de Bashoura, em Beirute, a capital do país.
A Agência Nacional de Notícias (ANN) libanesa, citando o Ministério da Saúde, noticiou a morte de, pelo menos, 19 pessoas nas últimas horas.
Oito pessoas morreram num ataque contra a localidade de Haboush, enquanto outras quatro, todas de nacionalidade síria, morreram num bombardeamento em Jibchit, ambos os locais no distrito de Nabatia, no sul do Líbano.
Além destas mortes, um bombardeamento contra Baalbek, a nordeste de Beirute, matou mais quatro pessoas, segundo a ANN.
A agência de notícias libanesa noticiou ainda três vítimas mortais em Qanarit, no distrito de Sidon, na costa do país.
Estados Unidos atacam instalações de mísseis próximas do Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos atacaram esta noite várias instalações de mísseis do Irão, estrategicamente localizadas perto do Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos divulgou, nas suas páginas oficiais, um mapa com vários locais de mísseis anti navio que afirma terem sido atacados com sucesso.
De acordo com esse comando tutelado pelo Departamento de Defesa norte-americano, os mísseis guardados nessas instalações representavam “um risco” à navegação internacional no estreito.
O anúncio ocorre poucas horas depois de Teerão confirmar a morte do secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, na sequência de um ataque aéreo israelita, e de o presidente norte-americano, Donald Trump, criticar vários membros da NATO por recusarem colaborar no esforço para a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo, está temporariamente fechado pelo Irão desde 15 de março devido às tensões militares em curso.
Embaixada dos EUA no Iraque sofre novo ataque
A embaixada norte-americana em Bagdade foi esta quarta-feira alvo de novo ataque, enquanto se registaram ataques de ‘drones’ e ‘rockets’ na Arábia Saudita e Kuwait, no 19.º dia do conflito no Médio Oriente, noticiou a agência AP.
A embaixada dos Estados Unidos na capital iraquiana, que já tinha sido atacada várias vezes nos últimos dias, por disparos provenientes do Irão, foi "atingida diretamente por um ‘drone’", disse à AFP fonte dos serviços de segurança, sem especificar se houve ou não danos.
Um segundo responsável de segurança indicou que o ‘drone’ caiu "perto da vedação de segurança da embaixada".
Também esta madrugada, ‘rockets’ e ‘drones’ atingiram territórios da Arábia Saudita e do Kuwait anunciaram as autoridades dos dois países do Golfo.
Na Arábia Saudita, um porta-voz do Ministério da Defesa escreveu no portal X que o exército destruiu seis ‘drones’ no leste do país.
"As defesas aéreas do Kuwait estão a intercetar ataques hostis com ‘rockets’ e ‘drones’", afirmou também o exército do emirado no portal X.
Casa Branca rejeita argumento anti-guerra de demissão de diretor de contraterrorismo
A Casa Branca classificou esta noite como "falsas" e "absurdas" as razões invocadas pelo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo para se demitir, em protesto contra a ofensiva norte-americana-israelita em curso contra o Irão.
Numa longa publicação nas redes sociais, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, argumentou que a carta de demissão de Joe Kent "contém muitas afirmações falsas", nomeadamente negar que o Irão represente uma ameaça iminente para os Estados Unidos - argumento utilizado pelo Presidente Donald Trump e pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para justificar a sua ofensiva surpresa contra Teerão.
"Esta é a mesma afirmação falsa que os democratas e alguns órgãos de comunicação social liberais têm vindo a repetir inúmeras vezes", afirmou Leavitt.
O Centro Nacional de Contraterrorismo, pertencente ao Gabinete de Serviços Secretos Nacionais dos Estados Unidos, é um organismo criado após os atentados de 11 de setembro de 2001, para coligir informação sobre terrorismo internacional.
Leavitt adiantou que Trump "tinha provas sólidas e irrefutáveis de que o Irão atacaria os Estados Unidos primeiro" e "jamais tomaria a decisão de mobilizar recursos militares contra um adversário estrangeiro sem considerar todos os fatores".
O Irão "é o principal patrocinador estatal do terrorismo no mundo" e "matou orgulhosamente americanos e fez guerra contra" os Estados Unidos, que "ameaçou abertamente até ao lançamento da Operação Fúria Épica", a 28 de fevereiro.
Seul diz ser "a prioridade" dos EAU, que vão fornecer 24 milhões de barris de petróleo
A Coreia do Sul afirmou esta quarta-feira que os Emirados Árabes Unidos (EAU) darão prioridade a Seul no fornecimento petrolífero, após Abu Dhabi garantir fornecer 24 milhões de barris de crude, no contexto do bloqueio do Estreito de Ormuz.
Os Emirados prometeram que "nenhum país receberá petróleo bruto antes da Coreia do Sul", afirmou o chefe de gabinete do Presidente da República sul-coreano, Kang Hoon-sik, numa conferência de imprensa realizada em Seul para informar sobre os resultados da sua visita ao país da Ásia Ocidental.
Abu Dhabi afirmou que Seul é "a sua prioridade número um" dos EAU no fornecimento de petróleo, acrescentou.
O acordo prevê a importação de 18 milhões de barris adicionais, que se somam aos seis milhões anunciados anteriormente.
O responsável salientou que, face ao bloqueio efetivo do estreito de Ormuz, é necessário garantir as importações através de rotas de abastecimento alternativas para superar a atual crise energética.
A Coreia do Sul depende em grande medida do abastecimento energético desta região em guerra, de onde importa cerca de 70% do petróleo bruto e cerca de 20% do gás natural liquefeito.
Tóquio insta Teerão a cessar ações que ameacem navegação no Estreito de Ormuz
Tóquio instou na terça-feira Teerão a cessar ações que ameacem a navegação no estreito de Ormuz, quando se intensifica o debate sobre uma intervenção internacional para proteger o tráfego marítimo naquela via fundamental para o comércio energético.
O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, fez o apelo na terça-feira à noite durante um telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com um comunicado do chefe da diplomacia nipónica.
"O ministro Motegi instou veementemente o Irão a cessar imediatamente os ataques contra instalações civis e infraestruturas nos países do Golfo, bem como as ações que ameaçam a segurança da navegação no estreito de Ormuz", revelou o comunicado.
O ministro japonês expressou profunda preocupação com a continuação da troca de "ataques de retaliação" desde a anterior chamada telefónica que mantiveram em 9 de março, e com a extensão dos danos, que afetaram inclusivamente países vizinhos.
Além disso, Motegi manifestou preocupação com o elevado número de navios ligados ao Japão que se encontram atualmente retidos no Golfo Pérsico e solicitou ao Irão que adotasse as medidas necessárias para garantir a segurança de todos os navios no Estreito de Ormuz, "incluindo os do Japão e de outros países asiáticos".
Por seu lado, Araghchi expôs a posição do Irão e ambos os ministros concordaram em manter uma comunicação estreita com vista a um rápido alívio das tensões, de acordo com o comunicado japonês.
A conversa ocorre dias depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter solicitado aos aliados da NATO e a outros países que participassem numa operação para escoltar navios comerciais no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo bruto mundial.
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