Pressões de Trump atiram bolsas europeias para o vermelho. Rheinmetall afunda 6%
Juros aliviam com crude a ceder ligeiramente
Libra soma ganhos com eleições regionais a apontarem para derrotas do Partido Trabalhista de Starmer
Ouro avança e caminha para semana de ganhos. "Traders" aguardam por dados do emprego nos EUA
Crude soma ligeira subida após novas hostilidades no golfo. Brent acima dos 100 dólares
Ásia põe recuperação que levou índices a recordes em "pausa". Incerteza no golfo pressiona
Europa no vermelho com pressão de Trump. Rheinmetall afunda 6% após JP Morgan baixar "target" em 30%
Os principais índices europeus negoceiam com perdas em toda a linha, depois de os mais recentes confrontos militares entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão no estreito de Ormuz terem acrescentado uma nova camada de incerteza em relação às esperanças de que ambos estivessem mais próximos de um acordo de paz. A pressionar a negociação estão também novas ameaças de Donald Trump à Europa, desta feita, em relação ao acordo comercial entre Bruxelas e Washington.
Neste contexto, o índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – cede 0,79%, para os 611,57 pontos, com o “benchmark” do Velho Continente a afastar-se novamente do recorde atingido no início deste ano, depois de durante a sessão de ontem ter ficado a pouco mais de 1% do seu último máximo histórico.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX cai 0,88%, o italiano FTSEMIB desliza 0,19%, o francês CAC-40 perde 0,83%, o espanhol IBEX recua 0,61, ao passo que o neerlandês AEX regista perdas de 0,64%, num dia em que o britânico FTSE 100 subtrai 0,68%.
Nos últimos desenvolvimentos do conflito, as forças norte-americanas atacaram bases iranianas de lançamento de mísseis e drones, bem como outros alvos militares no Irão, ameaçando fraturar ainda mais um frágil cessar-fogo, enquanto as duas partes discutem um fim definitivo para a guerra.
O índice de referência europeu registou poucas alterações até agora em maio, apoiado por resultados financeiros que, em grande parte, superaram as expectativas do mercado. Mesmo assim, o Stoxx 600 tem apresentado um desempenho inferior ao das congéneres nos EUA e nos mercados emergentes desde o início da guerra, devido a preocupações com o impacto dos preços elevados da energia no crescimento económico da região.
“Não tenho a certeza de que a recuperação possa continuar de forma sustentável, a menos que vejamos alguns sinais concretos de que o impacto negativo do aumento dos custos da energia foi contido”, disse à Bloomberg Andrea Gabellone, da KBC Securities.
Entretanto, o Presidente norte-americano deu à União Europeia até 4 de julho para ratificar o seu acordo comercial com os EUA, depois de ter ameaçado anteriormente aumentar as tarifas sobre as importações de automóveis já esta semana, caso tal não acontecesse.
Entre os setores, todos negoceiam no vermelho, com o das seguradoras (-1,74%), o do aeroespaço e defesa (-1,60%) e o do turismo (-1,24%) a registarem as quedas mais expressivas.
Quanto aos movimentos do mercado, a companhia aérea IAG perde por esta altura mais de 2,50%, depois de ter chegado a tombar cerca de 6% no arranque da sessão, após a dona da British Airways ter revelado que os lucros seriam reduzidos devido ao aumento dos custos do jet fuel causado pela guerra. Por outro lado, a alemã Rheinmetall afunda mais de 6,50%, depois de analistas do JP Morgan terem revisto em baixa a classificação dos títulos da gigante da defesa para “neutral” e reduzido o seu preço-alvo em quase 30%.
Juros aliviam com crude a ceder ligeiramente
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar alívios contidos em praticamente toda a linha na sessão desta sexta-feira, com um ligeiro recuo dos preços do crude - depois de terem arrancado a sessão com ganhos – a aliviar as preocupações quanto a uma escalada da inflação na região.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, contrariam a tendência e agravam-se em 0,4 pontos-base para os 3,004%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade alivia 0,2 pontos-base para 3,623%. Já em Itália, os juros cedem 0,6 pontos-base para 3,731%.
Pela península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos mantém-se inalterada nos 3,359%, com a “yield” das obrigações espanholas a cair 0,6 pontos neste caso para 3,420%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, aliviam de forma mais expressiva e caem 4,7 pontos para 4,900%, depois de o Partido Trabalhista, no poder, ter sofrido fortes derrotas em eleições regionais.
Libra soma ganhos com eleições regionais a apontarem para derrotas do Partido Trabalhista de Starmer
A libra segue a registar valorizações face ao euro e ao dólar nesta sexta-feira, depois de resultados de eleições regionais no Reino Unido terem, até ao momento, confirmado as expectativas de perdas significativas para o Partido Trabalhista, no poder, com os investidores a voltarem a sua atenção para as perspetivas futuras do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Neste contexto, a libra soma agora 0,22%, para os 1,359 dólares.
Já quanto à “nota verde”, o índice do dólar - que mede a força da divisa americana face às principais concorrentes – soma uma ligeira subida de 0,05%, para os 98,115 pontos, apoiada por uma nova subida dos preços do crude nos mercados internacionais.
Pelo Japão, e numa altura em que dados mostram que as autoridades do país terão comprado ienes ao longo desta semana para apoiar a divisa, à semelhança do que foi confirmado pelo Nikkei na semana passada, o dólar cede 0,06%, para os 156,840 ienes.
Quanto à Zona Euro, o euro avança 0,15%, para os 1,175 dólares.
Ouro avança e caminha para semana de ganhos. "Traders" aguardam por dados do emprego nos EUA
O ouro está a negociar com valorizações e caminha para fechar o conjunto da semana com ganhos, devido à diminuição dos receios de uma escalada da inflação e de subidas das taxas de juro pelos bancos centrais, numa altura em que os investidores se mantêm otimistas quanto a um acordo de paz entre os EUA e o Irão, apesar do reacendimento das hostilidades.
A esta hora, o ouro soma 1,10% para os 4.709,390 dólares por onça, fixando já uma subida de mais de 2% nesta semana. No que toca à prata, o metal precioso ganha 1,56% para os 79,681 dólares por onça.
Os EUA e o Irão trocaram ataques na quinta-feira, no teste mais sério até agora ao cessar-fogo que dura há um mês, mas Teerão afirmou que a situação voltou ao normal, enquanto os EUA avançaram que não pretendiam uma nova escalada do conflito.
Os preços do ouro caíram mais de 10% desde o início da guerra, no final de fevereiro, pressionados pelos preços mais elevados do petróleo, que alimentam a inflação, aumentando a probabilidade de taxas de juro mais elevadas. E embora o ouro seja visto como uma proteção contra a subida generalizada e contínua dos preços, as taxas de juro elevadas tendem a pesar sobre a "commodity", que não rende juros.
Os mercados aguardam agora pela divulgação do relatório mensal de emprego dos EUA, a ser divulgado ainda esta sexta-feira, que poderá dar pistas sobre qual o rumo de política monetária que a Reserva Federal irá seguir nos próximos tempos.
Crude soma ligeira subida após novas hostilidades no golfo. Brent acima dos 100 dólares
Depois de terem arrancado a sessão desta sexta-feira com ganhos de cerca de 3%, os preços do crude estão a negociar agora com ligeiras valorizações, depois de EUA e Irão terem reacendido as hostilidades em Ormuz, pressionando o sentimento dos “traders”.
Nesta medida, o Brent – de referência para a Europa –, avança 0,82%, para os 100,88 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – soma 0,47% para os 95,26 dólares por barril.
Noutras matérias-primas, o preço do gás natural de referência para a Europa soma 1,34%, para os 44,14 euros por megawatt-hora.
Os ganhos registados nesta manhã interromperam três dias consecutivos de quedas, na sequência de notícias esta semana de que os EUA e o Irão estavam perto de chegar a acordo para pôr fim à guerra.
No conjunto da semana, ambos os contratos continuam a apontar para uma queda de cerca de 6%. A subida dos preços na sexta-feira seguiu-se às acusações do Irão de que os EUA violaram o cessar-fogo em vigor entre as duas partes, enquanto os EUA afirmaram que os seus ataques foram retaliatórios, após o Irão ter disparado contra navios da Marinha dos EUA que transitavam pelo estreito de Ormuz na quinta-feira.
Apesar da retomada dos combates, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse aos jornalistas na quinta-feira que o cessar-fogo continuava em vigor.
Ásia põe recuperação que levou índices a recordes em "pausa". Incerteza no golfo pressiona
Os principais índices asiáticos fecharam a última sessão da semana com uma maioria de perdas e afastando-se de recordes atingidos nos últimos dias, à medida que uma escalada das tensões no Médio Oriente durante o dia de ontem pressionou o sentimento do mercado e levou o petróleo a fixar novos ganhos.
Os futuros do norte-americano S&P 500 seguem a somar cerca de 0,30%, enquanto pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 cedem 0,70%, apontando para uma abertura em baixa.
Por Taiwan, o TWSE cedeu 0,79%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 0,96%, enquanto o Shanghai Composite deslizou 0,085%. Na Coreia do Sul, o Kospi fixou um novo máximo histórico de 7.503,27 pontos, com o “benchmark” do país a encerrar com ganhos de 0,13%. Já quanto ao Japão, o Nikkei perdeu 0,22% e o Topix caiu 0,31%.
O recuo das praças bolsistas chega depois de as forças norte-americanas terem respondido a ataques iranianos contra contratorpedeiros que navegavam no estreito de Ormuz na quinta-feira. O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou atacar o Irão de forma “mais violenta” no futuro, caso o país não assinasse um acordo rapidamente. Trump descreveu a ação militar como uma “palmadinha de amor” numa entrevista telefónica à ABC News e afirmou que o cessar-fogo com o Irão continuava “em vigor”.
Ainda assim, apesar da queda registada nesta sexta-feira, os principais índices asiáticos encerraram o conjunto da semana em território positivo pela quinta semana seguida - a série de valorizações mais longa desde janeiro -, com cotadas ligadas à inteligência artificial e o apetite renovado dos investidores por esta área a ajudarem a impulsionar as bolsas e cotadas da região.
O Kospi é o índice com melhor desempenho do mundo em 2026, à medida que os investidores apostam que as empresas do país irão beneficiar enquanto principais fornecedores da expansão da inteligência artificial. Nesta linha, o Goldman Sachs aumentou novamente a sua meta para o índice de referência da Coreia do Sul em menos de três semanas, afirmando que o mercado está a subestimar a durabilidade dos lucros do setor de memórias semicondutoras. Entre os movimentos do mercado no país, a SK Hynix pulou mais de 2%.
“As ações estão a ignorar a guerra, enquanto o petróleo continua a manter o seu prémio de guerra”, disse à Bloomberg Hebe Chen, da Vantage Global Prime. Trata-se de “uma desconexão que indica que os mercados concluíram discretamente que o pior cenário está a desaparecer e viraram uma nova página, mesmo que a tinta ainda não tenha secado”, acrescentou.
Noutra medida, “em todos os mercados acionistas, o ritmo dos ganhos tem sido, de facto, bastante rápido com catalisadores limitados, pelo que, quando surgem notícias negativas, os mercados ficam vulneráveis à realização de lucros”, afirmou, por sua vez, Yugo Tsuboi,da Daiwa Securities. “Não acredito que o otimismo em relação à conclusão de um acordo [entre os EUA e o Irão], que se acumulou ao longo da semana passada, vá desaparecer completamente depois disto”, resumiu.
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