Inflação na China acelera para 1,2% em abril e supera previsões dos analistas

Os preços da energia subiram 5,7% em relação ao mês anterior, com um aumento de 12,6% na gasolina.
Procura por viagens de férias na China também ajudou na aceleração da inflação
Jessica Lee / Lusa - EPA
Lusa 07:12

O Índice de Preços no Consumidor (IPC), o principal indicador de inflação da China, subiu 1,2% em abril face ao período homólogo, mais 0,2 pontos percentuais em relação a março, foi anunciado esta segunda-feira.

Os dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatística (NBS, na sigla em inglês) contrariam as expectativas dos analistas, que previam uma queda, do valor de 1% registado em março, para 0,8%.

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A instituição atribuiu a tendência principalmente ao impacto dos preços internacionais do crude e ao aumento da procura devido às viagens de férias, num mês que incluiu um feriado prolongado de três dias pelo Dia dos Finados chinês e os dias que antecederam o feriado de cinco dias que começou a 1 de maio, o Dia do Trabalhador.

O especialista do NBS Dong Lijuan observou que os preços da energia subiram 5,7% em relação ao mês anterior, com um aumento notável de 12,6% na gasolina, no meio do aumento dos custos dos combustíveis devido à guerra no Irão e ao bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passam aproximadamente 45% das importações de gás e petróleo da China.

Dong salientou ainda que os serviços de transporte e turismo, impulsionados pelos feriados referidos, registaram aumentos mensais nas passagens aéreas (mais 29,2%), no aluguer de automóveis (mais 8,6%) e no alojamento em hotéis (mais 3,9%).

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Em comparação com o ano anterior, os preços dos alimentos caíram 1,6%. As reduções assinaláveis nesta categoria incluíram a carne de porco (menos 15,2%), os legumes frescos (menos 0,5%) e a fruta (menos 1%), estas últimas beneficiando do aumento das temperaturas e do aumento da oferta.

Entretanto, os preços das joias de ouro subiram 46,9% em termos homólogos, embora o aumento tenha desacelerado em comparação com o mês anterior.

A inflação subjacente, que exclui os preços dos alimentos e da energia devido à sua volatilidade, situou-se em 1,2% face ao ano anterior.

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O NBS divulgou também o Índice de Preços no Produtor (IPP), que mede os preços industriais e apresentou um aumento de 2,8% em abril na comparação anual, o valor mais elevado desde julho de 2022.

Na comparação mensal, o IPP passou de uma queda de 0,7% em março para um aumento de 0,3% no quarto mês do ano, impulsionado pelos "fatores internacionais" nos mercados de matérias-primas.

Os setores mais afetados foram a extração de petróleo e gás natural, onde os preços subiram 18,5% face ao mês anterior, e o processamento de combustíveis (mais 16,4%).

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Dong destacou ainda os aumentos de preços em setores ligados à computação e à eletrificação, como o fabrico de fibra ótica (mais 22,5%), devido ao rápido crescimento da procura de poder computacional impulsionado pela ascensão da inteligência artificial (IA).

Por fim, o NBS indicou que as medidas aplicadas para otimizar a ordem do mercado e combater a "concorrência irracional" permitiram mudanças positivas em setores como o fabrico de baterias de iões de lítio (mais 1,6% face ao mês anterior) ou os veículos elétricos e as energias renováveis, onde a descida dos preços abrandou para 0,1%.

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