Procura interna continua a ser principal fragilidade da economia chinesa, diz Fitch

A agência sublinha que o aumento dos custos das matérias-primas e as perturbações nas cadeias de abastecimento já estão a afetar a economia, ao mesmo tempo que elevam os riscos para a procura externa.
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Jessica Lee / Lusa - EPA
Lusa 08:07

A agência Fitch indicou que a fraca procura interna continua a ser o principal risco para a economia chinesa, num contexto em que a guerra no Irão agrava pressões externas e aumenta a vulnerabilidade a choques globais.

"A fraqueza do consumo interno é o principal problema que está a afetar a saúde financeira da economia chinesa no seu conjunto", refere num relatório publicado na quinta-feira a agência de notação financeira, alertando que o conflito no Irão pode funcionar como um "choque externo de curto prazo" que amplifica fragilidades existentes.

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A agência sublinha que o aumento dos custos das matérias-primas e as perturbações nas cadeias de abastecimento já estão a afetar a economia, ao mesmo tempo que elevam os riscos para a procura externa.

A elevada integração da China no comércio global torna o país particularmente sensível a estas dinâmicas, sobretudo devido à dependência energética: cerca de 40% a 50% das importações marítimas de petróleo passam pelo estreito de Ormuz, expondo Pequim à volatilidade dos preços e a atrasos logísticos.

Internamente, a Fitch destaca que a procura estruturalmente fraca afeta simultaneamente empresas, famílias e setor público, criando um efeito em cadeia sobre o crescimento económico.

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"A procura interna estruturalmente fraca é o principal ponto de pressão transversal, porque enfraquece simultaneamente os fluxos de caixa das empresas, a capacidade de pagamento das famílias e as receitas do Estado", indica a agência.

A situação é agravada por pressões deflacionistas e intensa concorrência de preços, que comprimem margens e reduzem lucros, num contexto de excesso de capacidade produtiva.

Segundo a Fitch, este cenário está a traduzir-se num aumento das dificuldades no mercado de trabalho, com impacto direto no consumo. "O mercado laboral é o principal canal através do qual a menor rentabilidade das empresas afeta o desempenho do crédito das famílias", refere.

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Apesar de Pequim apostar na indústria de alta tecnologia como motor de crescimento, a agência alerta que essa estratégia pode não gerar ganhos generalizados de rendimento ou um aumento significativo do consumo.

No plano externo, o conflito no Médio Oriente tende a agravar os custos energéticos, mas com impacto limitado nos consumidores. "Os custos mais elevados da energia são mais suscetíveis de aumentar os custos dos produtores do que os preços ao consumidor", aponta a Fitch.

A agência ressalva, no entanto, que a China dispõe de algumas almofadas para absorver choques, como reservas estratégicas de petróleo e reservas cambiais, o que coloca o país numa posição mais favorável do que outros países asiáticos.

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