Trump quer ficar com o petróleo iraniano e garante que 20 petroleiros vão atravessar Ormuz
Trump avalia possibilidade de operação militar para extrair urânio do Irão
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a considerar a possibilidade de avançar com uma operação militar para extrair o equivalente a 450 quilos de urânio do Irão, avança, esta segunda-feira, o The Wall Street Journal (WSJ).
Segundo o diário, que cita autoridades norte-americanas, Trump ainda não decidiu se vai dar a ordem para essa missão, descrita como complexa e árdua, estando a ponderar o risco que representaria para as forças norte-americanas, na medida em que implicaria que permanecessem no país pelo menos durante dias.
Ainda assim o Presidente norte-americano mantém-se, de um modo geral, aberto à ideia, segundo as mesmas fontes, dado que tal poderia ajudar a alcançar o seu objetivo de impedir o Irão de desenvolver uma arma nuclear.
Trump diz que quer ficar com o petróleo iraniano e garante que 20 petroleiros vão atravessar Ormuz
O Presidente dos Estados Unidos manifestou interesse em apropriar-se do petróleo iraniano e tomar conta da ilha de Kharg, onde são geridas as exportações de crude no Irão. Numa entrevista ao Financial Times, Donald Trump expressou a sua "preferência em tomar o petróleo", afirmando, ao mesmo tempo, que "algumas pessoas estúpidas nos EUA dizem 'Porque é que vais fazer isso?'".
Trump disse ainda que "talvez nos apropriemos da Ilha de Kharg, talvez não, temos muitas opções". O líder norte-americano afirmou que o Irão concordou em permitir que 20 petroleiros atravessem o estreito de Ormuz a partir da manhã de segunda-feira e durante os próximos dias, como forma de "presente".
Ao FT, Trump explica que inicialmente os iranianos autorizaram 10 navios, mas aumentaram o número para 20, tendo o aumento sido autorizado pelo presidente do parlamento iraniano,Bagher Ghalibaf. "Foi ele que autorizou os navios. Lembram-se de eu ter dito que me iam dar um presente? E toda a gente disse 'Que presente? É treta'. Quando eles ouviram isso fecharam a boca e as negociações estão a correr muito bem".
Ataque atinge central petroquímica iraniana sem fuga de substâncias perigosas
Uma fábrica petroquímica localizada no noroeste do Irão foi hoje alvo de um ataque, que não provocou a libertação de substâncias perigosas, de acordo com a imprensa oficial iraniana.
Segundo a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda da Revolução Islâmica do Irão, o "ataque EUA-sionista" contra fábrica petroquímica, localizada em Tabriz, não causou danos.
"A situação está controlada. Equipas de resgate e operacionais estão presentes no local e nenhuma substância perigosa, tóxica ou poluente foi libertada. A população não tem de se preocupar", acrescentou a Tasnim.
Horas antes, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA, na sigla em inglês) disse que a central nuclear de Khondab, no Irão, deixou de funcionar devido a danos sofridos num ataque, mas não continha material nuclear.
Em comunicado publicado na rede social X, a AIEA revelou que, "com base numa análise independente de imagens de satélite e com conhecimento das instalações" de Khondab, concluiu que a central que produz "água pesada" sofreu graves danos e está inoperacional.
Na sexta-feira, os Estados Unidos e Israel atacaram as centrais de Khondab e Ardakan, consideradas instalações-chave na transformação de urânio com vista ao enriquecimento nuclear, e igualmente a de Bushehr, no sul do Irão, sem causar vítimas.
De acordo com o último levantamento do Crescente Vermelho Iraniano, mais de 93 mil instalações civis, incluindo 600 escolas e 295 centros de saúde, foram danificadas no Irão desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel no passado dia 28 de fevereiro.
Em retaliação, o Irão tem lançado mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos nos países vizinhos, para além de manter um bloqueio ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo.
O Governo do Kuwait anunciou hoje que o Irão atacou uma central de dessalinização no país, que também gera eletricidade, matando um cidadão indiano.
"Um edifício de serviços numa central de dessalinização que gera eletricidade foi atacado no âmbito da agressão iraniana contra o Estado do Kuwait, resultando na morte de um trabalhador indiano e em danos materiais significativos", escreveu o Ministério da Eletricidade e Água do Kuwait na rede social X.
Também hoje, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita anunciou a interceção de cinco mísseis balísticos que se dirigiam para o leste do país.
"Cinco mísseis balísticos foram detetados e intercetados quando se dirigiam para a província oriental" da Arábia Saudita, afirmou o ministério em comunicado, sem especificar a origem dos projéteis.
Trump expressa otimismo sobre acordo de paz com nova liderança de Teerão
O Presidente norte-americano, Donald Trump, expressou otimismo sobre um acordo com a nova liderança do Irão e alegou que a guerra lançada em conjunto com Israel resultou numa mudança de regime em Teerão.
O Presidente dos EUA declarou no domingo à noite que os sucessivos assassínios dos principais líderes da República Islâmica, a começar pelo líder supremo, aiatola Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, provocaram uma mudança de facto do regime.
"Estamos a lidar com pessoas diferentes de todas as que já lidámos antes", disse Trump aos jornalistas, descrevendo-as como "muito mais razoáveis" do que as antecessores.
O líder republicano disse que "vê um acordo" com a nova liderança iraniana, "talvez em breve".
Trump afirmou que o Irão está prestes a permitir a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz nos próximos dias.
O Irão bloqueou esta via navegável estratégica, que transporta normalmente um quinto do petróleo e gás natural mundiais, o que fez com que os preços dos hidrocarbonetos disparassem.
Os preços do petróleo abriram hoje em forte alta nos mercados asiáticos, antes das declarações do Presidente norte-americano.
Numa entrevista publicada no domingo à noite pelo jornal britânico Financial Times, Trump alertou que os militares norte-americanos poderiam "muito facilmente" tomar a ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, onde se situa o maior terminal petrolífero do Irão, responsável por aproximadamente 90% das exportações de crude.
A ilha foi alvo de um ataque norte-americano em meados de março.
Um navio de assalto anfíbio dos Estados Unidos, liderando um grupo naval composto por "cerca de 3.500" marinheiros e fuzileiros, chegou à região na sexta-feira, o que reforçou os sinais de que está em preparação o eventual envio de tropas norte-americanas para solo iraniano, uma possibilidade sobre a qual Donald Trump se tem revelado ambíguo.
"O inimigo está a enviar mensagens públicas de negociação e diálogo, enquanto planeia secretamente uma ofensiva terrestre", denunciou o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
"Os nossos homens aguardam a chegada dos soldados norte-americanos a terra para os atacar e castigar os seus aliados regionais de uma vez por todas", acrescentou.
O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, agradeceu às autoridades religiosas e ao povo iraquiano o apoio face à ofensiva americano-israelita, que descreveu como uma "agressão".
Mojtaba Khamenei, que se manteve fora de vista desde a nomeação, a 08 de março, voltou a pronunciar-se numa mensagem escrita divulgada pelos meios de comunicação iranianos.
A sua ausência tem alimentado especulações, e o próprio Donald Trump questionou se o novo aiatola está vivo.
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