Houthis entram na guerra e lançam míssil contra Israel
Militares dos EUA feridos e aviões danificados em ataque a base na Arábia Saudita
Enviado especial dos EUA diz que serão realizadas reuniões com Teerão nos próximos dias
Irão promete vingança por ataques a instalações estratégicas
Rubio diz que guerra poderá terminar em "semanas, não meses". Objetivos podem ser alcançados "sem tropas no terreno"
EUA e Israel atingem instalações nucleares e de aço do Irão. Teerão diz que vai responder
Teerão volta a ameaçar navios que tentem atravessar estreito de Ormuz
Chefe da diplomacia britânica criticou o controlo iraniano sobre Ormuz
Pentágono avalia envio de 10 mil soldados para o Médio Oriente
Alemanha diz que US e Irão vão encontrar-se em breve para negociar
Eurogrupo debate hoje medidas de alívio com alertas para apoios limitados
Dois navios da chinesa COSCO Shipping começam a atravessar estreito de Ormuz
Estratégia energética torna China mais resiliente a crise no Médio Oriente, diz MERICS
Trump prolonga prazo para Irão reabrir estreito de Ormuz até 6 de abril
Houthis entram na guerra e lançam míssil contra Israel
O grupo rebelde Houthi, do Iémen, afirmou ter lançado este sábado um ataque com mísseis contra Israel, na sua primeira intervenção direta no conflito entre Israel e o Irão.
De acordo com a imprensa internacional, o míssil foi abatido pela defesa aérea israelita.
Na sexta-feira, o porta-voz dos Houthis tinha garantido que o grupo estava preparado para uma intervenção militar caso a ofensiva contra o Irão continue.
Militares dos EUA feridos e aviões danificados em ataque a base na Arábia Saudita
Um ataque de mísseis iranianos a uma base aérea na Arábia Saudita feriu esta sexta-feira vários soldados norte-americanos e danificou aviões ali estacionados, noticiou a agência AP.
Um responsável militar disse à AP sob anonimato que o ataque à Base Aérea Príncipe Sultan durante o dia envolveu um míssil iraniano e ‘drones’.
Várias aeronaves de reabastecimento americanas foram danificadas, estando por apurar quantos soldados ficaram feridos e a gravidade dos ferimentos.
Fontes oficiais norte-americanas e árabes disseram ao Wall Street Journal que 10 militares norte-americanos ficaram feridos, dois deles em estado grave.
Anteriormente, foram publicadas em contas nas redes sociais imagens de satélite parecendo mostrar a zona de estacionamento de aeronaves da base saudita, antes e depois do ataque.
Enviado especial dos EUA diz que serão realizadas reuniões com Teerão nos próximos dias
O enviado especial norte-americano Steve Witkoff insistiu esta sexta-feira que estão em curso "negociações com o regime iraniano" para resolver o conflito no Médio Oriente e que ainda "esta semana" deverão ter lugar reuniões entre as partes.
Na véspera de se completar um mês desde o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irão, que desencadeou uma retaliação contra vários países da região, Witkoff afirmou "esperar sinceramente" que haja reuniões esta semana.
"Acho que o Presidente (Donald Trump) quer um acordo de paz", afiançou o enviado especial para O Médio Oriente.
Respondendo a questões durante um fórum empresarial em Miami (sul), Witkoff afirmou ainda que um "sinal muito, muito bom" de condições para resolução da crise é que "os navios estão a passar" pelo Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerão em retaliação pelos ataques, e por onde passa mais de um quinto das exportações globais de petróleo e gás.
O responsável norte-americano não esclareceu quais os navios que estão a passar pelo Estreito de Ormuz, num dia em que o serviço de monitorização Marine Traffic indicou que dois cargueiros chineses que tentaram atravessá-lo acabaram por recuar por não terem garantias de passagem por parte do Irão, cujo regime é próximo de Pequim.
Neste contexto, o barril de petróleo Brent para entrega em maio fechou a semana acima dos 112 dólares, o nível mais alto desde julho de 2022, indicando que o mercado não vê sinais de distensão no Golfo.
O enviado norte-americano para o Médio Oriente destacou como um sinal positivo para o mercado o adiamento por Trump até 06 de abril de um eventual ataque contra as instalações petrolíferas iranianas, dando espaço para negociações.
"Algumas pessoas negaram que estejamos a negociar. Penso que todos aqui sabemos que estamos a negociar. É evidente que alguns navios estão a passar. É possível que tenhamos uma definição diferente de 'negociar' da que eles têm", afirmou Witkoff.
O Irão tem rejeitado a existência de negociações com Washington, embora não negue que haja contactos.
Irão promete vingança por ataques a instalações estratégicas
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano prometeu que Teerão vai cobrar “um preço elevado” pelos “crimes israelitas”, referindo-se aos ataques aéreos de hoje a siderurgias e instalações nucleares civis iranianas.
“Israel atacou duas das mais importantes siderurgias do Irão, uma central elétrica e instalações nucleares civis, entre outras infraestruturas, em coordenação com os Estados Unidos”, declarou Abbas Araghchi.
A Guarda Revolucionária, exército ideológico da República Islâmica, também reagiu aos bombardeamentos, instando os responsáveis de instalações industriais da região do Médio Oriente ligadas aos Estados Unidos e a Israel a evacuarem esses locais, porque o Irão vai retaliar.
Por seu lado, o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, reiterou o “apelo para a contenção militar, para evitar qualquer risco de acidente” no Irão, após os ataques israelitas e norte-americanos a instalações nucleares.
“A AIEA foi informada pelo Irão” de um ataque contra a central de Arkadan, na província de Yadz, no centro do país, declarou a agência especializada da ONU nas redes sociais.
“Não foi registado qualquer aumento nos níveis de radiação fora da central”, acrescentou.
O ataque aéreo à unidade de processamento de urânio de Ardakan foi inicialmente anunciado pela Organização Iraniana de Energia Atómica e logo confirmado pelo Exército israelita.
As forças israelitas “atacaram a única instalação deste tipo no Irão utilizada para produzir materiais necessários ao processo de enriquecimento de urânio”, indicou o Exército num comunicado, acrescentando que Israel “não permitirá” que o Irão “avance com o programa de armas nucleares”.
O complexo de processamento de água pesada de Khondab (novo nome do reator de Arak), situado a duas horas da capital, foi também “alvo de um ataque, em duas fases, orquestrado pelo inimigo norte-americano e sionista”, informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte local.
Foram igualmente bombardeados dois importantes complexos siderúrgicos iranianos, na região de Isfahan, no centro do Irão, e na província de Cuzistão, no sudoeste.
Rubio diz que guerra poderá terminar em "semanas, não meses". Objetivos podem ser alcançados "sem tropas no terreno"
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após uma reunião com os homólogos do G-7, afirmou que a maioria dos objetivos da ofensiva no Irão “estão adiantados” em relação ao previsto e que o conflito poderá terminar numa questão de “semanas, não meses”. Rubio terá falado na reunião num prazo de “duas a quatro semanas”, de acordo com o site Axios e o Channel 12 israelita.
Rubio também afirmou que os objetivos “podem ser alcançados sem tropas no terreno”. Em relação a este ponto, Rubio afirmou que o Presidente dos EUA, Donald Trump, “tem de estar preparado para várias contingências” e que as forças militares estão disponíveis para dar a “opcionalidade máxima” e a “oportunidade para se ajustar às contingências caso estas emerjam”. Vários media noticiaram que milhares de militares norte-americanos estão a caminho do Médio Oriente.
Além disso, Rubio reconheceu que assegurar que o estreito de Ormuz continua aberto à navegação deve representar um “desafio imediato” mesmo depois de os EUA alcançarem os seus objetivos na guerra contra o Irão.
O chefe da diplomacia norte-americana comentou que a intenção do regime de Teerão de cobrar uma portagem aos navios que pretendem atravessar a via marítima pode causar danos económicos muito significativos a vários países e pediu cooperação internacional para manter o estreito aberto depois do fim do conflito.
“Não apenas isto é ilegal, como é inaceitável. É perigoso para o mundo”, disse Rubio sobre as taxas a cobrar pelo Irão. “É importante que o mundo tenha um plano”.
*Com agências
EUA e Israel atingem instalações nucleares e de aço do Irão. Teerão diz que vai responder
Os EUA e Israel bombardearam uma série de infraestruturas nucleares e fábricas de aço no Irão esta sexta-feira, numa altura em que Teerão continua a atacar os países do Golfo Pérsico e a rejeitar as exigências - cada vez mais insistentes - de se sentar à mesa com Washington para discutir um possível fim ao conflito. As ofensivas aéreas atingiram um reator de águas pesadas que faz parte do complexo nuclear de Arak, uma fábrica de processamento de urânio na província de Yazd e ainda duas das maiores fábricas de aço do país, de acordo com os meios de comunicação locais. A Organização de Energia Atómica do Irão diz que os ataques não representam riscos de contaminação radioativa, de acordo com os media estatais.
Os ataques surgiram em reposta à ofensiva de Teerão esta sexta-feira no Golfo Pérsico, que acabou por danificar dois portos no Kuwait, levou o Catar a acionar os alarmes na sua capital e a Arábia Saudita a intercetar vários mísseis e drones em Riade. O regime liderado por Mojtaba Khamenei já prometeu vingar-se dos ataques dos EUA e Israel e está agora a considerar as fábricas de aço israelitas, dos Emirados Árabes Unidos, do Catar, do Kuwait e de Bahrain como alvos legítimos.
Já o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, prometeu escalar ainda mais o conflito com um intensificar dos ataques contra a República Islâmica, em resposta a ataques do Irão que acusa de terem atingido civis. Esta sexta-feira, o Wall Street Journal noticiou que o Pentágono está a enviar mais 10 mil tropas para a região, apesar de os EUA terem sinalizado aos aliados de que não planeiam avançar com uma invasão terrestre, embora essa opção não esteja excluída, de acordo com a Bloomberg.
Teerão volta a ameaçar navios que tentem atravessar estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irão reiterou hoje que o estreito de Ormuz continua fechado e ameaçou que qualquer embarcação que atravesse esta rota vital "enfrentará consequências graves".
"A circulação de qualquer embarcação 'de e para' os portos de origem de aliados e inimigos por qualquer corredor é proibida", advertiu a Guarda Revolucionária iraniana num comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim.
A mesma fonte afirmou que três navios porta-contentores de diferentes nacionalidades, não especificadas, tentaram seguir em direção ao "corredor designado para embarcações autorizadas", mas foram obrigados a regressar depois de receberem avisos da Marinha do corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
A guerra no Médio Oriente entra na quarta semana após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, aos quais Teerão respondeu com vagas de mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos no golfo Pérsico, além de manter um bloqueio de facto do estreito de Ormuz, uma importante via marítima por onde passa 20% do petróleo e gás natural do mundo.
O Estado persa permite apenas a passagem naquele canal de navios de países amigos.
Os Estados Unidos não descartaram uma operação terrestre na República Islâmica, apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter prorrogado a suspensão dos ataques contra as infraestruturas energéticas do Irão até 06 de abril, alegadamente "a pedido do Governo" iraniano.
Chefe da diplomacia britânica criticou o controlo iraniano sobre Ormuz
A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, apelou esta sexta-feira a uma resolução rápida para o conflito no Médio Oriente e criticou o controlo do Irão sobre a economia global.
No segundo dia da reunião do G7, nos arredores da capital francesa, Cooper sublinhou a necessidade de uma resolução que restaure a segurança e a estabilidade regional e que permita a reabertura do Estreito de Ormuz.
Por outro lado, Yvette Cooper disse que o Irão não deveria poder manter a economia global como "refém através de um estreito por onde passam rotas marítimas internacionais".
Hoje, os ministros dos Negócios Estrangeiros do Grupo dos Sete (G7), com a participação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, vão abordar as guerras no Irão e na Ucrânia.
As sessões sobre as guerras no Irão e na Ucrânia são os últimos pontos da agenda de hoje.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, foi também convidada para discutir os conflitos em curso no mundo, incluindo as situações no Sudão, Venezuela, Cuba e Haiti.
Durante a sessão dedicada à guerra no Irão e ao impacto na região do Médio Oriente, Marco Rubio deve informar os homólogos do G7 sobre os últimos desenvolvimentos do conflito que começou com os bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel no dia 28 de fevereiro.
A Presidência francesa prevê que os países do G7 adotem uma declaração de apoio ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), cuja conferência de revisão vai realizar-se em abril em Nova Iorque.
O grupo dos sete países mais industrializados do mundo é constituído pela Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e o Reino Unido.
Pentágono avalia envio de 10 mil soldados para o Médio Oriente
O Pentágono estará a ponderar enviar até 10 mil soldados adicionais para o Médio Oriente. Segundo o Wall Street Journal, o objetivo é dar mais opções militar ao Presidente Trump, mesmo com as negociações de paz com Teerão em primeiro plano.
A informação e avançada por fontes do Departamento de Defesa, que indicam ainda que o contingente deverá incluir infantaria e veículos blindados, juntando-se aos cerca de 5.000 fuzileiros navais e aos milhares de paraquedistas que já foram destacados para a região.
Alemanha diz que US e Irão vão encontrar-se em breve para negociar
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, diz que delegações dos EUA e do Irão vão encontrar-se em breve no Paquistão para negociar o fim da guerra - até agora, garante, têm tido negociações indiretas.
"Com base na minha informação tem havido contactos indiretos, e foram feitos preparativos para um encontro direto. Vai ser muito em breve no Paquistão, aparentemente", disse o ministro à rádio alemã Deutschlandfunk.
Trump prolonga prazo para Irão reabrir estreito de Ormuz até 6 de abril
O Presidente dos EUA, Donald Trump, prolongou o prazo para que o Irão reabra o estreito de Ormuz até 6 de abril, alegando novamente que as negociações estão em curso entre os dois países. Trump tinha dado na segunda-feira cinco dias para que Teerão normalizasse o tráfego, caso contrário destruiria as centrais energéticas iranianas.
“A pedido do governo iraniano, por favor deixem esta declaração servir para representar que estou a pausar o período de destruição das centrais elétricas por 10 dias até 6 de abril de 2026”, escreveu Trump na rede Truth Social. O prazo termina às 20:00 de Washington (01:00 de terça-feira em Lisboa).
“As conversações estão em curso e, apesar das declarações erróneas em contrário pelos media das notícias falsas, e outros, estão a correr muito bem”, afirmou Trump, apesar dos vários desmentidos das autoridades iranianas de que estejam sequer a decorrer negociações.
Esta é a segunda extensão do prazo dada por Donald Trump, depois de a 21 de março ter ameaçado inicialmente atacar as centrais energéticas do Irão caso o país não reabrisse o estreito à navegação em 48 horas, passando o ultimato na segunda-feira a cinco dias, devido às alegadas “conversações produtivas” com Teerão.
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