EUA vão manter bloqueio a navios iranianos enquanto for necessário
EUA vão manter bloqueio a navios iranianos enquanto for necessário
Amnistia Internacional pede ao Governo que recuse uso das Lajes pelos EUA
EasyJet espera prejuízos maiores no 1º semestre devido à guerra no Médio Oriente
Líderes do Líbano e Israel falam hoje. Será a primeira vez em 34 anos
EUA pedem aos fabricantes de automóveis que ajudem na produção de armas
Washington diz estar a discutir nova ronda de negociações com Teerão
Lufthansa encerra a filial CityLine devido a custos do combustível e conflitos laborais
O grupo Lufthansa anunciou hoje o encerramento da filial regional CityLine devido ao aumento dos custos do querosene (combustível derivado do petróleo), associado à guerra no Médio Oriente, e aos encargos adicionais decorrentes de conflitos laborais.
"Como primeiro passo com efeito imediato, a partir de depois de amanhã [sábado], os 27 aviões operacionais da Lufthansa CityLine serão definitivamente retirados do programa para reduzir as perdas desta companhia aérea deficitária", explicou o grupo num comunicado.
Estas aeronaves, do tipo Canadair CRJ, encontram-se já perto do fim da sua vida útil e os custos de manutenção são elevados, explicou a companhia, pelo que a suspensão das operações da filial já fazia parte da estratégia da Lufthansa, que agora decidiu antecipar esta medida.
Além disso, assim que o verão terminar, serão eliminados da programação seis voos intercontinentais, pelo que os últimos quatro Airbus A340-600 e dois Boeing 747-400 sairão da frota em outubro.
O terceiro passo será a eliminação do programa de inverno de várias rotas de curta e média distância, o que permitirá retirar mais cinco aeronaves da marca Lufthansa.
A poupança de querosene através da retirada de aviões ineficientes permitirá assim reduzir a percentagem de combustível que o grupo consome.
"Especialmente para os colegas da Lufthansa CityLine, é um passo doloroso. É por isso que é agora ainda mais importante procurar, dentro da empresa, possibilidades de os manter", afirmou o diretor financeiro do grupo, Till Streichert.
A todos os funcionários da filial regional CityLine foi oferecida a possibilidade de mudarem para outras empresas do grupo, destacou o comunicado.
Centenas de voos da Lufthansa ficaram esta semana em terra na Alemanha devido a uma greve de 48 horas do pessoal de cabina da marca Lufthansa e da CityLine, bem como a greves de 48 horas dos pilotos do grupo (com exceção da Eurowings, onde a greve é de 24 horas).
Na quarta-feira, o grupo alemão celebrou o centenário do primeiro voo regular da Lufthansa, com uma cerimónia em Frankfurt na qual participaram o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o ministro dos Transportes, Patrick Schnieder.
EUA vão manter bloqueio a navios iranianos enquanto for necessário
Os Estados Unidos vão manter o bloqueio aos portos iranianos, em vigor desde segunda-feira, "o tempo que for necessário", afirmou hoje o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth.
"Manteremos este bloqueio, que está a funcionar, o tempo que for preciso", declarou Hegseth durante uma conferência de imprensa no Pentágono, a sede do departamento, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Ao seu lado, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, Dan Caine, esclareceu que a medida se aplica a todos os navios, independentemente da bandeira, que tenham como destino ou origem os portos iranianos.
"Esta operação norte-americana é um bloqueio aos portos iranianos e não um bloqueio ao estreito de Ormuz", precisou o responsável militar.
O bloqueio foi ordenado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, na sequência do fracasso das negociações com Teerão para o fim da guerra que os Estados Unidos e Israel iniciaram em 28 de fevereiro.
As negociações estão a ser mediadas pelo Paquistão, que admitiu novas conversações em breve, ainda durante a vigência do acordo de cessar-fogo de duas semanas, que termina em 22 de abril.
Hegseth avisou que as forças armadas norte-americanas estavam preparadas para retomar os ataques ao Irão caso Teerão não aceite um acordo de paz durante o cessar-fogo.
Afirmou que os efetivos norte-americanos permanecem na região para assegurar um "bloqueio férreo" e garantir uma "posição ótima para retomar as operações de combate".
Hegseth descreveu o bloqueio aos portos iranianos como a "opção mais diplomática" para exercer pressão sobre o Irão.
"Esperamos que este novo regime iraniano escolha sabiamente", disse Hegseth, também citado pela agência espanhola EFE, sem precisar a que autoridades se referia.
O aviso de Washington surge num momento de elevada tensão, com os Estados Unidos a manterem a vigilância no estreito de Ormuz para forçar a liderança iraniana a negociar os termos de um pacto de paz definitivo.
Amnistia Internacional pede ao Governo que recuse uso das Lajes pelos EUA
A organização não governamental (ONG) Amnistia Internacional pediu hoje ao Governo português que recuse o uso norte-americano da base das Lajes, nos Açores, para ações de guerra contra o Irão e lançou uma petição pública nesse sentido.
Em comunicado, aquela instituição de defesa dos Direitos Humanos defende que Portugal deve "cessar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos (EUA) que possa tornar possíveis quaisquer violações do direito internacional, incluindo crimes de guerra".
"Portugal pode estar a violar os seus compromissos internacionais, ao permitir reiteradamente a utilização da base das Lajes para qualquer operação militar, direta ou indiretamente relacionada com os ataques verificados, sem que o Governo português consiga assegurar que não foram cometidos crimes com o uso das aeronaves e do material que passou pela ilha Terceira, nos Açores", lê-se.
A Amnistia Internacional (AI) dirige-se diretamente ao executivo da Aliança Democrática (PSD/CDS-PP), liderado por Luís Montenegro, pedindo que "recuse a disponibilização da Base das Lajes e do espaço aéreo nacional para apoiar operações militares norte-americanas no Irão, e no quadro do atual acordo bilateral com os EUA".
A suspensão imediata das "transferências de armas para qualquer parte envolvida no conflito atual, incluindo a facilitação dessas transferências de armas por parte dos EUA ao seu aliado Israel" é outra exigência da ONG.
Os responsáveis da AI pedem também que o Governo português "defenda e vote favoravelmente a suspensão do acordo de Associação União Europeia-Israel" e "denuncie publicamente as violações do direito internacional quando estas ocorrerem, independentemente se cometidas por um aliado como os EUA".
EasyJet espera prejuízos maiores no 1º semestre devido à guerra no Médio Oriente
A companhia aérea britânica EasyJet alertou hoje que os prejuízos no primeiro semestre do ano, período tradicionalmente negativo para a empresa, serão maiores do que esperava e deverão ficar entre os 621 milhões e 644 milhões de euros.
Segundo a empresa, este aumento do prejuízo no primeiro semestre fiscal, que acabou em março, deve-se, em particular, às consequências da guerra no Médio Oriente.
Por comparação, no primeiro semestre do ano fiscal anterior, os prejuízos da EasyJet tinham chegado aos 453 milhões de euros.
Esta informação surge antes de a companhia aérea britânica de baixo custo divulgar os seus resultados, previsto para o próximo mês.
"A EasyJet teve uma procura forte e contínua no primeiro semestre", mas os resultados financeiros "deterioraram-se, impactados pelo conflito no Oriente Médio e pelo ambiente competitivo em certos mercados", resumiu o presidente executivo do grupo, Kenton Jarvis.
O setor da aviação tem sido afetado pelos encerramentos do espaço aéreo desde o início da guerra no Médio Oriente, no final de fevereiro, e pela ameaça de escassez de combustível devido ao encerramento do Estreito de Ormuz.
Algumas companhias aéreas chegaram mesmo a suspender ligações devido ao aumento do preço dos combustíveis
Líderes do Líbano e Israel falam hoje. Será a primeira vez em 34 anos
Os Estados Unidos anunciaram que os líderes de Israel e do Líbano vão falar um com o outro esta quinta-feira - será a primeira vez em 34 anos.
O anúncio foi feito na quarta-feira pelo Presidente Donald Trump na rede social Truth Social, um dia depois de os embaixadores dos dois países se terem reunido em Washington. Em cima da mesa estavam os ataques que Israel tem feito ao Líbano e que não têm sido abrangidos pelo cessar-fogo.
"A tentar criar agum espaço de respiração entre Israel e o Líbano. Há muito tempo que os dois líderes não falam, uns 34 anos. Vai acontecer amanhã. Boa!", escreveu Trump.
EUA pedem aos fabricantes de automóveis que ajudem na produção de armas
O Departamento de Defesa dos EUA iniciou conversações com os principais fabricantes de automóveis para aumentar a produção de armas, dada a redução das reservas devido aos conflitos na Ucrânia e no Irão.
A informação é avançada pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal, que dá conta de que altos funcionários da defesa dos EUA se encontraram com executivos de empresas como a General Motors e a Ford Motor, propondo-lhes que dediquem parte da sua capacidade produtiva e pessoal ao fabrico de munições e equipamento militar.
As conversações incluem também grupos como a General Electric Aerospace e a Oshkosh Corporation, e abordam a capacidade das empresas de converter rapidamente as suas operações para a produção militar, bem como os obstáculos regulamentares ou contratuais existentes, de acordo com o jornal.
A administração Trump considera a expansão da base industrial uma questão de segurança nacional, numa altura em que os EUA e os seus aliados transferiram grandes volumes de armamento para a Ucrânia desde a invasão russa de 2022, sobrecarregando assim a capacidade de produção interna.
O jornal indica que a utilização da indústria civil como investimento tem precedentes nos EUA, como quando, durante a Segunda Guerra Mundial, os fabricantes de automóveis de Detroit redirecionaram a sua produção para fabricar bombardeiros, motores de aviões e veículos militares.
Mais recentemente, empresas como a General Motors e a Ford colaboraram na produção de ventiladores durante a pandemia.
Washington diz estar a discutir nova ronda de negociações com Teerão
Washington está a discutir a possibilidade de novas negociações com Teerão, declarando-se otimista quanto a um acordo, após a ameaça iraniana de bloquear a circulação no mar Vermelho em resposta ao bloqueio dos portos do país persa.
O Irão reafirmou a vontade de continuar a negociar, enquanto o mundo espera a prorrogação do cessar-fogo, em vigor desde 08 de abril, e o fim de uma guerra que causou milhares de mortos, principalmente no Irão e no Líbano, ao mesmo tempo que abalou a economia mundial.
Estão a decorrer discussões com vista a uma retoma das negociações em Islamabade, capital do Paquistão, "mas nada é oficial" ainda, declarou na quarta-feira a porta-voz da Casa Branca.
"Mas estamos otimistas quanto à perspetiva de um acordo", acrescentou Karoline Leavitt, após o fracasso de uma primeira ronda de negociações, também em Islamabade, no domingo.
O influente chefe do exército paquistanês, Asim Munir, foi recebido na quarta-feira no Irão pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.
O porta-voz da diplomacia de Teerão, Esmail Baghai, afirmou que "várias mensagens tinham sido trocadas através do Paquistão" nos últimos três dias.
No entanto, manteve-se firme numa exigência fundamental do Irão: o direito à energia nuclear civil não pode ser "retirado sob pressão ou através da guerra", afirmou, abrindo apenas a porta a debates sobre "o nível e o tipo de enriquecimento" do urânio.
Os objetivos de Israel e dos Estados Unidos relativamente ao Irão "são idênticos", assegurou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, referindo-se nomeadamente ao "abandono da capacidade de enriquecimento no interior do Irão".
No terreno, Teerão continua a bloquear o estreito de Ormuz e Washington impõe, desde segunda-feira, um bloqueio aos navios provenientes ou com destino aos portos iranianos.
O exército norte-americano anunciou na quarta-feira ter impedido dez navios de deixar os portos iranianos.
"As forças norte-americanas paralisaram completamente o comércio marítimo" do Irão, afirmou o chefe das forças norte-americanas na região. Brad Cooper sublinhou que cerca de 90% da economia iraniana depende do comércio marítimo.
Se os Estados Unidos "criarem insegurança para os navios comerciais do Irão e os petroleiros", isso constituirá "o prelúdio" para uma violação do cessar-fogo, retorquiu o chefe do comando das forças armadas iranianas, general Ali Abdollahi.
O Irão não permitirá "nenhuma exportação ou importação no golfo Pérsico, no mar de Omã ou no mar Vermelho", acrescentou, sem especificar a forma que o bloqueio no mar Vermelho assumiria.
Por sua vez, o conselheiro do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaei, ameaçou afundar os navios dos EUA caso estes tentassem fazer "de polícia" no estreito.
"Os vossos navios serão afundados pelos nossos primeiros mísseis e isso representa um perigo para os militares americanos", ameaçou Rezaei, na televisão iraniana.
Os ministros das Finanças de 11 países, incluindo Reino Unido, Japão e Austrália, apelaram para uma "resolução negociada" do conflito, referindo-se às ameaças "à segurança energética mundial, às cadeias de abastecimento, bem como à estabilidade económica e financeira".
A bolsa de Nova Iorque encerrou em alta na quarta-feira, com os índices S&P 500 e Nasdaq Composite a atingirem novos recordes, com os investidores a apostarem na continuação das negociações entre EUA e Irão.
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