Coreia do Sul e Brasil elevam relação bilateral a "parceria estratégica"
Vão ser retomadas as negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul e foram assinados onze memorandos de entendimento em setores como saúde, agricultura, espaço e defesa.
Coreia do Sul e Brasil acordaram esta segunda-feira elevar as relações bilaterais ao nível de "parceria estratégica", numa cimeira realizada em Seul entre os presidentes sul-coreano, Lee Jae-myung, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
"Decidimos elevar a nossa relação bilateral a uma 'parceria estratégica'", anunciou Lee, numa conferência de imprensa após o encontro.
O Presidente sul-coreano explicou que o "Plano de Ação Quinquenal Coreia do Sul-Brasil", adotado esta segunda-feira, servirá como roteiro integral em áreas como política, economia, cooperação prática e intercâmbios entre cidadãos.
Entre os principais resultados das conversações, destacou o impulso à retoma das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, bem como a assinatura de onze memorandos de entendimento em setores como PME, saúde, agricultura, espaço, defesa e aviação.
Em matéria económica, os dois países concordaram com a necessidade de ampliarem a cooperação mutuamente benéfica e apoiaram a pronta retoma das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul.
Lee destacou que o acordo de cooperação regulatória na área da saúde permitirá que os cosméticos sul-coreanos, atualmente populares no Brasil, cheguem a um número maior de consumidores.
No domínio da agricultura, foram assinados três acordos focados na segurança alimentar e no fortalecimento da cooperação em tecnologias agrícolas de última geração, com vistas ao desenvolvimento sustentável das economias rurais.
O Presidente sul-coreano lembrou a tentativa de lançamento do foguete comercial sul-coreano Hanbit-Nano no Centro Espacial de Alcântara em dezembro e expressou a expectativa de que seja bem-sucedido no futuro, ao mesmo tempo que destacou a cooperação em cadeias de abastecimento aeronáuticas e a aspiração de avançar para o co-desenvolvimento de aeronaves civis de nova geração.
Os dois países comprometeram-se também a promover o intercâmbio estudantil, o ensino do coreano no Brasil e a coprodução audiovisual.
Por sua vez, Lula da Silva lembrou que o Brasil abriga a maior comunidade de origem coreana da América Latina, com cerca de cinquenta mil pessoas, e que o K-pop, as telenovelas e a culinária da Coreia do Sul têm milhões de consumidores no Brasil.
O Brasil é o principal parceiro comercial da Coreia do Sul na América do Sul, enquanto, segundo o Presidente brasileiro, Seul é o quarto parceiro comercial do país sul-americano na Ásia.
"A transição energética abre novas oportunidades de complementaridade produtiva. As cadeias de minerais críticos oferecem amplas possibilidades de agregação de valor. Há espaço para cooperação em alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial", destacou Lula sobre as áreas de oportunidade.
O líder brasileiro explicou ainda que comunicou a Lee "que a conclusão dos procedimentos sanitários para exportar carne bovina brasileira poderá beneficiar os consumidores sul-coreanos".
Lula também valorizou a firmeza e a resiliência de ambas as democracias perante as recentes tentativas de golpe de Estado que ambos os países sofreram, numa referência às ações dos respectivos antecessores no poder, Jair Bolsonaro e Yoon Suk-yeol.
O Presidente brasileiro participará esta tarde num fórum empresarial e deixará a Coreia do Sul na terça-feira.
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