Witkoff e genro de Trump viajam para o Paquistão para novas negociações com Irão
Acompanhe os desenvolvimentos do dia no conflito no Médio Oriente.
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Witkoff e genro de Trump viajam para o Paquistão para novas negociações com Irão
O enviado especial dos Estados Unidos (EUA) para o Médio Oriente, Steve Witkoff, e o genro do Presidente norte-americano Jared Kushner, vão viajar para o Paquistão para uma nova ronda de negociações com o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, apontada para este fim de semana.
A informação, avançada pela CNN que cita duas fontes do Governo dos EUA com conhecimento do assunto, chega depois de dirigentes paquistaneses terem confirmado que Abbas Araghchi e uma pequena equipa iraniana têm viagem marcada para Islamabad, capital do Paquistão, para esta sexta-feira à noite.
De fora fica o vice-presidente JD Vance, que liderou a primeira ronda de negociações entre as duas partes, mas que não tenciona participar nas novas conversações.
Segurança aérea europeia prolonga até maio recomendação para não voar no Médio Oriente
A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA) prolongou até 01 de maio a recomendação a todas as companhias aéreas europeias para evitarem o espaço aéreo do Irão e de outros dez países do Médio Oriente.
O último Boletim de Informação para Zonas de Conflito (CZIB) da agência abrange o espaço aéreo do Bahrein, Irão, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
A AESA indicou que as companhias aéreas não devem operar dentro do espaço aéreo afetado "em nenhum nível de voo nem altitude".
No entanto, poderão operar acima dos 32.000 pés dentro dos espaços aéreos da Arábia Saudita e de Omã situados a sul dos segmentos definidos pela AESA no boletim.
As companhias aéreas deverão implementar "um processo de monitorização sólido e uma avaliação de riscos atualizada" neste caso.
De um modo geral, a AESA solicitou às companhias aéreas que "supervisionem de perto a evolução do espaço aéreo na região e acompanhem todas as publicações aeronáuticas disponíveis".
A agência recordou que também se mantém em vigor a recomendação de não operar em todos os níveis de voo e altitudes sobre o espaço aéreo da Síria e do Iémen.
Estreito de Ormuz ficará "fechado o tempo que for necessário", diz secretário da Defesa dos EUA
Os Estados Unidos prometem manter fechado o estreito de Ormuz pelo "tempo que for necessário", garantiu esta sexta-feira o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, voltando a acusar a Europa de não ser um parceiro "leal" e de não estar a contar com o velho aliado para a guerra no Irão.
"O bloqueio [será mantido] pelo tempo que for necessário. É o que o Presidente Trump decidir", assegurou Hegesth na conferência de imprensa no Pentágono acompanhado pelo general Dan Caine, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA. "O essencial continua a ser o essencial: o Irão nunca obterá uma bomba nuclear. A escolha é deles, mas com este bloqueio o tempo não joga a seu favor", acrescentou, garantindo que com o bloqueio dos EUA à passagem de navios iranianos a economia do Irão vai "colapsar".
"Todos os navios que os EUA consideram enquadrar-se nos nossos critérios, sejam iranianos ou provenientes de e com destino a portos iranianos, foram mandados regressar. Até esta manhã [desde o dia 13 de abril], o total era de 34", referiu, indicando que os navios não iranianos podem atravessar o estreito.
"Não contamos com a Europa"
O secretário da Defesa dos EUA repetiu a posição de Donald Trump em relação à Europa, garantindo que não preciso do tradicional aliado, apesar de considerar que é mais prejudicada pelo bloqueio.
"A Europa e a Ásia beneficiaram da nossa proteção durante décadas, mas acabou-se a hora de viver à custa dos outros", afirmou, acrescentando que "A América e o mundo livre merecem aliados capazes, leais e que entendam que ser aliado não é uma via de sentido único. É uma via de dois sentidos".
Hegseth clarificou logo a seguir que "não estamos a contar com a Europa, mas eles precisam do estreito de Ormuz muito mais do que nós e talvez devessem começar a falar menos, fazer menos conferências sofisticadas na Europa e meter-se num barco. Esta guerra é muito mais deles do que nossa", sublinhou.
E reafirmou que o bloqueio bloqueio dos EUA "está apenas a crescer e a tornar-se global. E, como disse o Presidente, temos todo o tempo do mundo. O Irão tem uma oportunidade histórica para fazer um acordo sério e a decisão está do lado deles", disse.
Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão vai a Islamabad esta sexta-feira. Segunda ronda de negociações deve avançar
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, e uma pequena equipa têm viagem marcada para Islamabad, capital do Paquistão, para esta sexta-feira à noite. A informação está a ser avançada por dirigentes paquistaneses, citados pela Bloomberg, que dizem que a segunda ronda de negociações entre Irão e EUA deverá mesmo avançar - embora não especifiquem quando.
De acordo com as mesmas fontes, que pediram para não serem identificadas, uma equipa norte-americana já está presente em Islamabad, local onde se realizou a primeira ronda de negociações. O impasse nas conversações de paz só terá sido possível desbloquear devido à intermediação paquistanesa.
Esta viagem representa uma inversão da posição iraniana, após Teerão ter mostrado alguma resistência em avançar com uma nova ronda de negociações. A delegação do Irão e a dos EUA tinham encontro marcado para a passada terça-feira na capital paquistanesa, mas a persistência do bloqueio norte-americano no estreito de Ormuz acabou por fazer cair as conversações de paz por terra.
Apesar de a informação ainda não ter sido confirmada por nenhuma das partes, o seu impacto já se faz sentir no mercado petrolífero. Depois de ter arrancado o dia com ganhos, o crude de referência para a Europa - Brent - está agora a negociar com perdas de 1,16% para 103,97 dólares por barril
(Notícia atualizada)
Voos internacionais em aeroporto de Teerão retomados no sábado
Os voos internacionais no Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerão, um dos dois principais aeroportos da capital iraniana, vão ser retomados no sábado, anunciou hoje a agência de notícias iraniana ISNA.
A autoridade de aviação civil iraniana já tinha avançado na segunda-feira que tanto este aeroporto como o segundo maior de Teerão, o Mehrabad, iam retomar as operações, mas sem adiantar a data estimada.
"De acordo com um comunicado do Aeroporto Internacional Imam Khomeini, os voos internacionais para Istambul [Turquia] e Mascate [Omã] serão retomados amanhã [sábado]", noticiou a ISNA.
O tráfego aéreo de passageiros no Irão foi interrompido no início da ofensiva israelo-americana, a 28 de fevereiro, como medida de segurança imediata.
Apesar da reabertura técnica dos aeroportos, muitas companhias internacionais mantêm suspensões ou restrições devido aos riscos de segurança e escassez de combustível na Europa.
Sánchez propõe prolongamento de fundos europeus por seis meses a um ano
O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, propôs aos restantes líderes europeus o prolongamento por mais seis meses a um ano dos fundos Next Generation, associados aos planos de resiliência, com mecanismos para facilitar o investimento em energias renováveis.
A proposta foi feita na quinta-feira, no arranque do Conselho Europeu que decorre no Chipre, disse hoje o próprio Sánchez, em declarações a jornalistas à chegada para o segundo dia da reunião.
Além do prolongamento dos fundos Next Generation, para além de agosto deste ano, Sánchez propôs uma flexibilização das regras fiscais para investimentos em energias renováveis, explicou.
O primeiro-ministro espanhol defendeu o prolongamento destes fundos pela necessidade de "prosseguir com a eletrificação e com a transformação energética verde", como ficou de novo demonstrado com a atual guerra no Médio Oriente.
"É uma lição de todos estes choques energéticos derivados das guerras", afirmou.
Os líderes da UE estão hoje reunidos em Nicósia para o segundo dia de uma cimeira informal em Chipre, que vai começar com uma discussão sobre o financiamento do orçamento da União Europeia para o período entre 2028 e 2034.
À hora de almoço, está previsto um dos momentos mais simbólicos desta cimeira: um encontro com os líderes do Líbano, Egito e Síria, do príncipe herdeiro da Jordânia e do secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo.
EUA ponderam suspender Espanha da NATO
Os EUA estarão a ponderar suspender Espanha da NATO devido às restrições colocadas no uso das suas bases aéreas no âmbito do conflito do Irão.
A notícia é avançada pela Reuters e citada por vários meios de comunicação, apontando para um email interno do Pentágono onde estão delineadas opções para punir os aliados da NATO que Donald Trump considera que não estão a apoiar os EUA na guerra o Irão. A suspensão de Espanha faz parte da lista de possibilidades, bem como rever a posição dos EUA sobre a reivindicação de soberania do Reino Unido sobre as ilhas Falkland.
Estas ideias estão a ser discutidas apesar de, ainda este mês, o Presidente norte-americano ter ameaçado retirar os EUA da NATO.
Agência Internacional de Energia alerta sobre efeitos na produção de gás
A Agência Internacional de Energia alertou hoje que as consequências da guerra no Médio Oriente na produção de gás natural liquefeito (GNL) vão fazer-se sentir durante os próximos dois anos.
Na mesma linha, a Agência Internacional de Energia frisou que o mercado de GNL "vai manter-se restrito" em 2026 e 2027, por causa da guerra que começou no dia 28 de fevereiro.
Os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irão e, apesar do cessar-fogo em vigor, os constrangimentos no estreito de Ormuz condicionaram o transporte de gás e crude provocando efeitos a nível global.
Num relatório publicado hoje, a Agência Internacional de Energia, estimou que os danos nas infraestruturas de liquefação de gás do Qatar, em particular, vão agravar-se.
Mesmo assim, a empresa QatarEnergy anunciou hoje que exportou o primeiro carregamento de gás natural liquefeito no quadro da parceria com a ExxonMobil e a Golden Pass LNG, do Texas, Estados Unidos.
Em comunicado, a QatarEnergy referiu que o carregamento decorreu com segurança.
Empresas pagam até 3,24 milhões para atravessar Panamá face a bloqueio de Ormuz
A Autoridade do Canal do Panamá disse que empresas têm pago até quatro milhões de dólares (3,24 milhões de euros) para enviar navios através do canal, face ao encerramento efetivo do estreito de Ormuz.
Embora a passagem pela Canal do Panamá tenha geralmente um preço fixo, mediante reserva, as empresas sem reserva podem pagar uma taxa adicional num leilão por lugares, em vez de esperar dias ao largo.
Os valores dos leilões e a procura por estas vagas aumentaram vertiginosamente nas últimas semanas, à medida que o Irão e os Estados Unidos bloquearam o estreito de Ormuz.
"Com todos os bombardeamentos, mísseis, drones... as empresas estão a dizer que é mais seguro e menos dispendioso atravessar o Canal do Panamá", disse Rodrigo Noriega, advogado e analista na Cidade do Panamá.
"Tudo isto está a afetar as cadeias de abastecimento globais", sublinhou.
Noriega disse que o Governo do Panamá está a "maximizar o que pode ganhar com o Canal do Panamá".
O preço médio para atravessar o canal varia entre 300 mil e 400 mil dólares (entre 257 e 340 mil euros), dependendo da embarcação.
Mas Ricaurte Vásquez, administrador do canal, disse que uma empresa, cujo nome não revelou, pagou quatro milhões de dólares quando um navio-tanque teve de mudar de destino devido às tensões geopolíticas em curso.
"Era um navio que transportava combustível para a Europa, e redirecionaram-no para Singapura, pois precisava de lá chegar, porque Singapura está a ficar sem combustível", disse Vásquez.
Outras companhias petrolíferas pagaram mais de três milhões de dólares (2,57 milhões de euros), além da taxa de travessia, para acelerar a passagem face à subida dos preços do petróleo.
Vásquez disse que os navios não se acumularam no canal, mas sim que os custos podem ser atribuídos a mudanças de última hora e à maior urgência das embarcações em resultado do caos comercial generalizado.
Ao mesmo tempo que lucra mais com o novo negócio, o Governo do Panamá também sofreu um golpe com a disputa geopolítica.
Na quarta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país acusou o Irão de apreender ilegalmente um navio com bandeira do Panamá, da empresa italiana MSC Francesca, no estreito de Ormuz.
O Panamá, país com um dos maiores registos de navios do mundo, afirmou que o navio foi "tomado à força" pelo Irão. Não ficou imediatamente claro se a embarcação ainda permanece sob custódia iraniana.
"Isto representa um grave ataque à segurança marítima e constitui uma escalada desnecessária numa altura em que a comunidade internacional defende que o estreito de Ormuz se mantenha aberto à navegação internacional sem ameaças ou coação de qualquer tipo", declarou o Governo do Panamá.
Rodrigo Noriega disse que o valor que as empresas pagam para atravessar o Canal do Panamá pode aumentar ainda mais se o conflito continuar a prolongar-se, uma vez que os preços do petróleo estão a disparar.
O preço do barril de crude Brent chegou a ultrapassar 107 dólares (92 euros) esta semana, subindo de cerca de 66 dólares (57 euros) por barril há um ano.
"Ninguém previu realmente os potenciais efeitos que [a guerra] teria no comércio global", disse Noriega.
Governo Lula quer usar receitas do petróleo para baixar preço dos combustíveis
O Governo do Brasil anunciou na quinta-feira que encaminhou para o parlamento uma proposta que busca converter o aumento de receita extraordinária de petróleo em redução dos impostos nos combustíveis.
Assim, quando houver aumento de receita pública com o petróleo, haverá redução dos impostos que incidem sobre o gasóleo, gasolina, etanol e biodiesel.
A proposta enviada para o Congresso Nacional é mais uma medida do país para tentar conter a alta nos combustíveis no mercado interno, provocada pelos efeitos na guerra no Médio Oriente.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, para um país como o Brasil, produtor e exportador de hidrocarbonetos, as receitas públicas aumentam quando o preço do petróleo sobe em função de receitas com 'royalties', por exemplo.
"O ponto central é converter esse aumento de receita em mecanismos que possam amortecer os efeitos da guerra sobre a população (...) O que estamos propondo ao Congresso é converter esse aumento de receitas em redução [nos impostos] de combustíveis, de gasóleo, gasolina, etanol e biodiesel", assinalou.
O anúncio de quinta-feira foi feito por Bruno Moretti, com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e com o secretário de Relações Institucionais, José Guimarães, em conferência de imprensa em Brasília.
A Lei de Responsabilidade Fiscal brasileira estabelece que o Governo não pode criar uma despesa sem apontar uma fonte de receita. Dessa forma, a fonte dessa compensação serão recursos decorrentes da receita extraordinária com o petróleo e gás natural.
Recursos que incluem 'royalties' e participação especial do Estado na exploração de hidrocarbonetos, dinheiro oriundo da venda de hidrocarbonetos, receitas do Imposto de Exportação de 12% extraordinário sobre o petróleo e dividendos recebidos de empresas do setor.
Na prática, o projeto de lei é uma autorização para reduzir impostos sobre combustíveis toda a vez que o Brasil registar um aumento extraordinário das receitas do petróleo.
Caso a proposta seja aprovada, um decreto deverá ser editado pelo Governo a cada dois meses para definir o tamanho da redução dos impostos nos combustíveis.
No final de março, o Governo brasileiro previu um aumento de 16,7 mil milhões de reais (2,8 mil milhões de euros) das receitas com a exploração de recursos naturais, influenciado pela variação do preço do barril de petróleo nos mercados mundiais.
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