Grupo francês TotalEnergies pára refinaria saudita devido a ataques
Acompanhe os desenvolvimentos do dia no conflito no Médio Oriente.
Grupo francês TotalEnergies pára refinaria saudita devido a ataques
O grupo empresarial petrolífero francês TotalEnergies anunciou esta sexta-feira a paralisação da sua refinaria em Satorp, na Arábia Saudita, devido a danos provocados nas instalações por ataques militares.
"Como medida de segurança", as unidades da plataforma, de propriedade conjunta da empresa saudita Aramco (62,5%) e da TotalEnergies (37,5%), "foram paralisadas" após "incidentes ocorridos durante a noite de 7 para 08 de abril, que danificaram uma das duas linhas de processamento da refinaria", lê-se.
Os responsáveis pelo conglomerado energético francês esclareceram que "não houve vítimas" resultantes das ofensivas sofridas no complexo industrial, junto à margem do golfo Pérsico.
Quinta-feira, o ministério da Energia saudita tinha relatado "múltiplos ataques" contra "importantes instalações de energia no Reino", incluindo a referida refinaria do grupo francês.
O cessar-fogo provisório de duas semanas para negociações, sobretudo em relação ao bloqueio da navegação no estreito de Ormuz, foi anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na quarta-feira, estando previstas negociações para o Paquistão, previsivelmente a partir de sábado.
O entendimento, mediado por Islamabade, visa conversações para tentar repor a normalidade na zona do golfo Pérsico, após 40 dias de ofensiva militar conjunta israelo-americana contra Teerão e consequentes retaliações por parte da República Islâmica contra alvos nos países vizinhos.
Japão vai colocar no mercado 20 dias de reservas estratégicas de petróleo
As autoridades japonesas vão colocar no mercado o equivalente a vinte dias de abastecimento das reservas estratégicas de petróleo bruto para fazer face às interrupções no abastecimento decorrentes da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
A libertação, confirmada esta sexta-feira pela primeira-ministra, Sanae Takaichi, com início no início de maio, visa garantir que o arquipélago mantenha um abastecimento estável, segundo explicou a chefe do Governo numa reunião do Conselho de Ministros, avançou a estação japonesa de televisão NHK.
A agência pública sul-coreana Kyodo tinha já revelado na quinta-feira que as autoridades estavam a planear uma libertação adicional de barris de petróleo bruto, atendendo à manutenção das incertezas relativamente à navegação pelo Estreito de Ormuz, apesar do cessar-fogo de duas semanas anunciado por Washington e Teerão.
Na terça-feira, antes de se saber da notícia do cessar-fogo, a primeira-ministra japonesa disse aos meios de comunicação que o seu país tem o abastecimento de petróleo garantido até ao próximo ano, "mantendo a libertação de reservas ao mínimo", em virtude de ter ampliado o abastecimento a partir de fontes alternativas, como os Estados Unidos.
O Japão importa cerca de 90% do petróleo bruto que consome do Médio Oriente, e o encerramento do Estreito de Ormuz na sequência da guerra obrigou o país a libertar milhões de barris das suas reservas estratégicas e a subsidiar as petrolíferas para reduzir os preços dos combustíveis, entre outras medidas.
Crescimento das economias na Ásia-Pacífico desacelera para 5,1%
O Banco Asiático de Desenvolvimento prevê que as economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico cresçam 5,1% em 2026, desacelerando face a 2025, devido à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
O conflito no Médio Oriente "agravou as tensões geopolíticas globais" e as "perturbações" no setor energético, "aumentando a inflação e travando ainda mais o crescimento em toda a região", indicou o BAD no seu principal relatório anual de perspetivas, Asian Development Outlook (ADO).
A instituição multilateral, com sede em Manila, antecipa que a guerra no Médio Oriente "afete negativamente as perspetivas dos países em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico", cujo crescimento deverá moderar-se para 5,1%, tanto em 2026 como em 2027, num cenário otimista de "estabilização precoce".
Neste contexto, o BAD prevê um crescimento do PIB de 4,6% na China em 2026; de 6,9% na Índia; e de 4,7% no conjunto dos países do Sudeste Asiático.
No entanto, num cenário hipotético em que as perturbações no Médio Oriente se prolonguem até ao terceiro trimestre de 2026, o crescimento regional poderá cair para 4,7%, em 2026, e 4,8%, em 2027.
A instituição referiu que o aumento dos preços da energia -- provocado pela crise de abastecimento resultante do bloqueio, por parte do Irão, do estratégico Estreito de Ormuz, do qual os países asiáticos dependem fortemente -- "elevará os custos de produção e os preços ao consumidor".
Ainda assim, o crescimento das exportações normalizar-se-á após ter sido afetado pela política tarifária da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, enquanto a "forte procura interna", sobretudo nas economias em desenvolvimento do Sul e Sudeste Asiático, "continuará a impulsionar o crescimento".
No relatório, o BAD fixou o crescimento relativo a 2025 do conjunto das economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico em 5,4%, mais três décimas do que o previsto no início de dezembro passado. Perante um contexto complexo e incerto, a região mantém uma posição de robustez, assinalou.
A divulgação deste relatório de referência ocorre numa altura em que o Paquistão ultima os preparativos para receber delegações de alto nível dos Estados Unidos e do Irão, com vista à negociação de um acordo de paz no conflito iniciado a 28 de fevereiro.
As conversações terão lugar no quadro de um cessar-fogo de duas semanas acordado entre as partes, sob a ameaça de Teerão de não participar caso Israel não cesse os seus ataques contra o Líbano.
Coreia do Sul envia representante especial a Irão por incertezas em Ormuz
A Coreia do Sul vai enviar um representante especial ao Irão, face à incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, em condições semelhantes às anteriores da guerra, apesar do acordo de cessar-fogo entre Washington e Teerão.
O ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano, Cho Hyun, acordou na quinta-feira à noite, num telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Aragchi, o envio de um funcionário especial a Teerão "para tratar da situação no Médio Oriente e dos assuntos bilaterais" entre os países, de acordo com um comunicado ministerial.
De acordo com Seul, Aragchi "acolheu favoravelmente a iniciativa" das autoridades sul-coreanas e defendeu a necessidade de manter uma comunicação fluida, além de explicar a posição iraniana relativamente à "situação atual" na região, incluindo Ormuz.
Durante a conversa, Cho saudou o acordo de cessar-fogo, que "abriu caminho para o reinício da navegação no Estreito de Ormuz", e manifestou esperança de que as negociações entre as partes sejam concluídas com sucesso.
Neste sentido, o ministro sul-coreano salientou a necessidade de retomar "de forma rápida e segura" a livre navegação por Ormuz de todos os navios, incluindo os sul-coreanos, e instou Aragchi a "continuar a zelar pela segurança dos cidadãos coreanos no Irão".
O chefe da diplomacia iraniana esclareceu que a navegação pelo estreito de Ormuz "será possível, em coordenação com as Forças Armadas do Irão e tendo em conta as limitações técnicas existentes", desde que "a outra parte cumpra os compromissos durante o período de cessar-fogo".
No entanto, Aragchi salientou que a "base para o fim total da guerra em todas as frentes" passa pelo facto de "todas as partes respeitarem" o pacto de trégua, "tal como" referiu o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito.
A Coreia do Sul importa cerca de 70% do petróleo bruto desta região em guerra, e mais de 95% do volume passa por Ormuz.
O país asiático elevou recentemente para o nível 3, o segundo mais alto, o alerta de crise de segurança energética.