Antes das negociações, Trump manifesta confiança na reabertura de Ormuz em breve
O início das conversações entre EUA e Irão, que serão decisivas para o desfecho do conflito no Médio Oriente, está marcado para este sábado, em Islamabad, no Paquistão.
- 28
- ...
- Trump manifesta confiança na reabertura de Ormuz em breve
- Trump volta a ameaçar Irão. "A única razão para estarem vivos hoje é para negociar”
- Irão impõe medidas para iniciar negociações. Trump ameaça com novos ataques
- Ormuz com movimento muito reduzido apesar do cessar-fogo
- Estreito de Ormuz deve voltar à normalidade em 2 meses, diz conselheiro da Casa Branca
- Grupo francês TotalEnergies pára refinaria saudita devido a ataques
- Japão vai colocar no mercado 20 dias de reservas estratégicas de petróleo
- Crescimento das economias na Ásia-Pacífico desacelera para 5,1%
- Coreia do Sul envia representante especial a Irão por incertezas em Ormuz
- ONU alerta para rápido aumento da insegurança alimentar no Líbano
O Presidente dos EUA, Donald Trump, a poucas horas do início das negociações com o Irão, desejou boa sorte ao seu “vice” JD Vance, que irá liderar a delegação norte-americana.
“Desejo-lhe boa sorte. Ele tem uma grande tarefa”, disse Trump antes das conversações marcadas para sábado em Islamabad, no Paquistão. “Vamos descobrir o que se passa. Eles estão militarmente derrotados.”
Antes de entrar a bordo do Air Force One para viajar para um evento de angariação de fundos, Trump manifestou confiança de que o estreito de Ormuz será aberto à navegação em breve.
“E agora vamos abrir o Golfo com ou sem eles”, referindo-se aos iranianos, que têm condicionado fortemente a travessia da via marítima crucial para o mercado de crude. “Mas isso será aberto”, referiu.
A poucas horas de se iniciarem as negociações entre as delegações dos EUA e Irão, em Islamabad, o Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou às redes sociais para criticar os iranianos.
“Os iranianos não parecem ter percebido que não têm cartas, a não ser uma extorsão de curto prazo ao mundo utilizando águas internacionais A única razão para estarem vivos hoje é para negociar!”, escreveu Trump na Truth Social.
O Presidente norte-americano referia-se aos condicionamentos que continuam a existir no estreito de Ormuz, impedindo a navegação de centenas de petroleiros pela importante via marítima. Trump tinha já avisado Teerão para “parar de cobrar portagens” pela travessia.
Numa outra mensagem, Trump escreveu que os “iranianos são melhores em lidar com os media das notícias falsas, e ‘Relações Públicas’, do que são a combater”.
As tensões entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão mantêm-se elevadas antes de se iniciarem as negociações entre as duas partes no Paquistão, agendadas para este sábado.
Para Teerão, duas medidas acordadas mutuamente ainda não foram implementadas e “devem ser cumpridas antes do início das negociações”, escreveu o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, numa publicação no X.
Estas medidas são o cessar-fogo no Líbano - que continua a ser alvo de ataques israelitas - e “a libertação dos ativos iranianos bloqueados antes do início das negociações”, acrescentou o político.
Já do lado norte-americano, o Presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao New York Post nesta sexta-feira que os navios de guerra dos EUA estão a ser reabastecidos com “as melhores munições” para retomar os ataques contra o Irão, caso as negociações de paz em Islamabad fracassem.
Trump falou pouco depois de o vice-presidente, J.D Vance, ter embarcado no Air Force Two a caminho da capital do Paquistão, onde se juntará ao enviado especial dos EUA Steve Witkoff e ao genro de Trump, Jared Kushner, para negociar um acordo de paz.
“Vamos descobrir dentro de cerca de 24 horas. Vamos saber em breve”, disse Trump numa entrevista por telefone ao jornal norte-americano, quando questionado se achava que as negociações seriam bem-sucedidas.
Pelo menos nove navios transitaram na quinta-feira pelo estreito de Ormuz, em comparação com cinco no primeiro dia do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irão, afirmou hoje a plataforma de monitorização marítima MarineTraffic.
"Em 09 de abril, o número de navios que cruzaram o estreito aumentou para nove diários, face aos cinco do dia anterior, mas o tráfego mantém-se muito abaixo do que indicaria uma normalização generalizada", disse a MarineTraffic.
O cessar-fogo de duas semanas entrou em vigor na quarta-feira e estava condicionado à retoma do tráfego pelo estreito, por onde passa um quinto do petróleo e gás comercializado no mundo.
A via estratégica tem estado praticamente bloqueada pelo Irão desde o início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.
A MarineTraffic precisou que "o ambiente operacional parece praticamente inalterado" no estreito.
Registam-se "movimentos ainda limitados a passagens autorizadas sob estritas medidas de controlo, em vez de uma reabertura total impulsionada por um cessar-fogo", referiu numa análise divulgada na internet, citada pela agência de notícias espanhola EFE.
Dos navios que transitaram por Ormuz na quinta-feira, cinco estavam autorizados e dois pertenciam à frota de reserva, de acordo com a MarineTraffic.
A maioria transportava carga a granel e produtos petrolíferos.
Os fluxos direcionais mantiveram-se "relativamente equilibrados, com uma ligeira tendência para os movimentos de oeste para leste" do estreito, ou seja, de saída do golfo Pérsico.
"É provável que a maioria dos participantes do mercado continue na expectativa, à espera de provas mais claras de que a passagem pelo estreito de Ormuz pode manter-se de forma segura e previsível", considerou.
A plataforma com sede em Atenas e comprada pela belga Kpler admitiu que o recente aumento de travessias pode dever-se a "uma flexibilidade operacional seletiva", e não a um retorno generalizado do tráfego.
O diretor do Conselho Económico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, diz que o estreito de Ormuz pode reabrir e o fluxo de petróleo retomar a normalidade dentro de dois meses.
O prazo foi indicado por Hassett numa entrevista à Fox Business, indicando que já há embarcações a passar, mas cerca de 10% em comparação com o pré-guerra. Depois de o estreito reabrir espera-se "uma rápida redução dos preços da energia".
O grupo empresarial petrolífero francês TotalEnergies anunciou esta sexta-feira a paralisação da sua refinaria em Satorp, na Arábia Saudita, devido a danos provocados nas instalações por ataques militares.
"Como medida de segurança", as unidades da plataforma, de propriedade conjunta da empresa saudita Aramco (62,5%) e da TotalEnergies (37,5%), "foram paralisadas" após "incidentes ocorridos durante a noite de 7 para 08 de abril, que danificaram uma das duas linhas de processamento da refinaria", lê-se.
Os responsáveis pelo conglomerado energético francês esclareceram que "não houve vítimas" resultantes das ofensivas sofridas no complexo industrial, junto à margem do golfo Pérsico.
Quinta-feira, o ministério da Energia saudita tinha relatado "múltiplos ataques" contra "importantes instalações de energia no Reino", incluindo a referida refinaria do grupo francês.
O cessar-fogo provisório de duas semanas para negociações, sobretudo em relação ao bloqueio da navegação no estreito de Ormuz, foi anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na quarta-feira, estando previstas negociações para o Paquistão, previsivelmente a partir de sábado.
O entendimento, mediado por Islamabade, visa conversações para tentar repor a normalidade na zona do golfo Pérsico, após 40 dias de ofensiva militar conjunta israelo-americana contra Teerão e consequentes retaliações por parte da República Islâmica contra alvos nos países vizinhos.
As autoridades japonesas vão colocar no mercado o equivalente a vinte dias de abastecimento das reservas estratégicas de petróleo bruto para fazer face às interrupções no abastecimento decorrentes da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão.
A libertação, confirmada esta sexta-feira pela primeira-ministra, Sanae Takaichi, com início no início de maio, visa garantir que o arquipélago mantenha um abastecimento estável, segundo explicou a chefe do Governo numa reunião do Conselho de Ministros, avançou a estação japonesa de televisão NHK.
A agência pública sul-coreana Kyodo tinha já revelado na quinta-feira que as autoridades estavam a planear uma libertação adicional de barris de petróleo bruto, atendendo à manutenção das incertezas relativamente à navegação pelo Estreito de Ormuz, apesar do cessar-fogo de duas semanas anunciado por Washington e Teerão.
Na terça-feira, antes de se saber da notícia do cessar-fogo, a primeira-ministra japonesa disse aos meios de comunicação que o seu país tem o abastecimento de petróleo garantido até ao próximo ano, "mantendo a libertação de reservas ao mínimo", em virtude de ter ampliado o abastecimento a partir de fontes alternativas, como os Estados Unidos.
O Japão importa cerca de 90% do petróleo bruto que consome do Médio Oriente, e o encerramento do Estreito de Ormuz na sequência da guerra obrigou o país a libertar milhões de barris das suas reservas estratégicas e a subsidiar as petrolíferas para reduzir os preços dos combustíveis, entre outras medidas.
O Banco Asiático de Desenvolvimento prevê que as economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico cresçam 5,1% em 2026, desacelerando face a 2025, devido à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
O conflito no Médio Oriente "agravou as tensões geopolíticas globais" e as "perturbações" no setor energético, "aumentando a inflação e travando ainda mais o crescimento em toda a região", indicou o BAD no seu principal relatório anual de perspetivas, Asian Development Outlook (ADO).
A instituição multilateral, com sede em Manila, antecipa que a guerra no Médio Oriente "afete negativamente as perspetivas dos países em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico", cujo crescimento deverá moderar-se para 5,1%, tanto em 2026 como em 2027, num cenário otimista de "estabilização precoce".
Neste contexto, o BAD prevê um crescimento do PIB de 4,6% na China em 2026; de 6,9% na Índia; e de 4,7% no conjunto dos países do Sudeste Asiático.
No entanto, num cenário hipotético em que as perturbações no Médio Oriente se prolonguem até ao terceiro trimestre de 2026, o crescimento regional poderá cair para 4,7%, em 2026, e 4,8%, em 2027.
A instituição referiu que o aumento dos preços da energia -- provocado pela crise de abastecimento resultante do bloqueio, por parte do Irão, do estratégico Estreito de Ormuz, do qual os países asiáticos dependem fortemente -- "elevará os custos de produção e os preços ao consumidor".
Ainda assim, o crescimento das exportações normalizar-se-á após ter sido afetado pela política tarifária da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, enquanto a "forte procura interna", sobretudo nas economias em desenvolvimento do Sul e Sudeste Asiático, "continuará a impulsionar o crescimento".
No relatório, o BAD fixou o crescimento relativo a 2025 do conjunto das economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico em 5,4%, mais três décimas do que o previsto no início de dezembro passado. Perante um contexto complexo e incerto, a região mantém uma posição de robustez, assinalou.
A divulgação deste relatório de referência ocorre numa altura em que o Paquistão ultima os preparativos para receber delegações de alto nível dos Estados Unidos e do Irão, com vista à negociação de um acordo de paz no conflito iniciado a 28 de fevereiro.
As conversações terão lugar no quadro de um cessar-fogo de duas semanas acordado entre as partes, sob a ameaça de Teerão de não participar caso Israel não cesse os seus ataques contra o Líbano.
A Coreia do Sul vai enviar um representante especial ao Irão, face à incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, em condições semelhantes às anteriores da guerra, apesar do acordo de cessar-fogo entre Washington e Teerão.
O ministro dos Negócios Estrangeiros sul-coreano, Cho Hyun, acordou na quinta-feira à noite, num telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Aragchi, o envio de um funcionário especial a Teerão "para tratar da situação no Médio Oriente e dos assuntos bilaterais" entre os países, de acordo com um comunicado ministerial.
De acordo com Seul, Aragchi "acolheu favoravelmente a iniciativa" das autoridades sul-coreanas e defendeu a necessidade de manter uma comunicação fluida, além de explicar a posição iraniana relativamente à "situação atual" na região, incluindo Ormuz.
Durante a conversa, Cho saudou o acordo de cessar-fogo, que "abriu caminho para o reinício da navegação no Estreito de Ormuz", e manifestou esperança de que as negociações entre as partes sejam concluídas com sucesso.
Neste sentido, o ministro sul-coreano salientou a necessidade de retomar "de forma rápida e segura" a livre navegação por Ormuz de todos os navios, incluindo os sul-coreanos, e instou Aragchi a "continuar a zelar pela segurança dos cidadãos coreanos no Irão".
O chefe da diplomacia iraniana esclareceu que a navegação pelo estreito de Ormuz "será possível, em coordenação com as Forças Armadas do Irão e tendo em conta as limitações técnicas existentes", desde que "a outra parte cumpra os compromissos durante o período de cessar-fogo".
No entanto, Aragchi salientou que a "base para o fim total da guerra em todas as frentes" passa pelo facto de "todas as partes respeitarem" o pacto de trégua, "tal como" referiu o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito.
A Coreia do Sul importa cerca de 70% do petróleo bruto desta região em guerra, e mais de 95% do volume passa por Ormuz.
O país asiático elevou recentemente para o nível 3, o segundo mais alto, o alerta de crise de segurança energética.
As Nações Unidas alertaram hoje para o rápido aumento da insegurança alimentar no Líbano, um país mergulhado na guerra que está a atingir a região do Médio Oriente.
"Os comboios do Programa Alimentar Mundial (PAM) ainda estão a funcionar, mas o ambiente operacional está a tornar-se cada vez mais complexo", disse a diretora do PAM no Líbano, Allison Oman.
"A segurança já não pode ser dada como garantida, mas entretanto, as necessidades estão a aumentar rapidamente", referiu Oman, a partir de Beirute, aos jornalistas em Genebra.
"Embora dez comboios tenham conseguido partir" desde o início do conflito para chegar às populações necessitadas no Líbano, "muitos" outros não o conseguiram porque "a segurança não podia ser garantida", explicou.
Para além das dificuldades no transporte dos comboios, Oman explicou que as perturbações nas cadeias de abastecimento e o aumento da insegurança alimentar se devem, em particular, à incapacidade de alguns agricultores em cultivar as suas terras no sul do Líbano e às dificuldades de transporte.
A responsável do PAM indicou que se soma à situação os efeitos do aumento dos preços globais dos combustíveis e dos fertilizantes.
O movimento xiita Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional no Médio Oriente, em 02 de março, lançando mísseis contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que foi morto no primeiro dia da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, em 28 de fevereiro.
Um frágil cessar-fogo está atualmente em vigor entre o Irão e os Estados Unidos. A comunidade internacional teme que esta trégua possa ser comprometida pela continuidade da campanha israelita no Líbano.
O Programa Alimentar Mundial apelou ao "acesso seguro e contínuo" para prestar a ajuda necessária às comunidades afetadas, particularmente em zonas de difícil acesso.
A crise no Líbano "está a tornar-se rapidamente uma crise de segurança alimentar", afirmou Oman, explicando que o PAM já está a observar claros sinais de aumento dos preços dos alimentos, principalmente do pão e dos legumes, em todo o país.
"Para as famílias que já lutam para sobreviver, a situação é extremamente preocupante e estamos a assistir a um conjunto de circunstâncias muito alarmantes: os preços estão a subir, os rendimentos estão a cair e a procura está a aumentar", alertou, referindo que o Líbano já enfrentava uma grave crise económica antes desta guerra.
"Mesmo antes desta última escalada, aproximadamente 900 mil pessoas no Líbano sofriam de insegurança alimentar e a nossa análise mais recente, que será provavelmente publicada na próxima semana, indica que este número tende a aumentar", enfatizou a responsável do PAM.