Comissão parlamentar iraniana aprova portagens em Ormuz. Irão ataca petroleiro do Kuwait no Dubai
Acompanhe os desenvolvimentos do dia no conflito no Médio Oriente.
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Irão ataca petroleiro do Kuwait no Dubai
O petroleiro de bandeira do Kuwait Al-Salmi foi atacado pelo Irão enquanto estava atracado no porto do Dubai, anunciou a Kuwait Petroleum Corp., a petrolífera do país.
O navio estava totalmente carregado e sofreu danos no casco, tendo deflagrado um incêndio a bordo.
As equipas de emergência foram mobilizadas e estão a trabalhar para conter a situação. O ataque poderá resultar num derrame de crude nas águas circundantes.
Israel alcançou mais de metade dos objetivos na guerra contra o Irão, diz Netanyahu
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou esta segunda-feira que foram alcançados mais de metade dos objetivos da guerra contra o regime iraniano, prevendo que este irá acabar numa “derrocada”.
"Claramente, estamos a meio do caminho. Mas não quero estabelecer um calendário", afirmou Netanyahu numa entrevista ao canal de notícias conservador norte-americano Newsmax, no 31.º dia da guerra contra o Irão.
Questionado sobre a solidez da República Islâmica, que já perdeu o Líder Supremo ‘Ayatollah’ Ali Khamenei e alguns dos seus principais dirigentes, o chefe do governo israelita previu que acabará por ruir, embora tenha reiterado que não era esse o objetivo da guerra travada por Israel e pelos Estados Unidos.
"Acredito que este regime irá sofrer uma derrocada. Mas, por agora, neste preciso momento, o que estamos a fazer é simplesmente alterar as suas capacidades militares, as suas capacidades de mísseis balísticos, as suas capacidades nucleares, e também enfraquecê-lo por dentro", declarou Netanyahu.
“Acho que conquistámos muito. Enfraquecemos este regime. Desferimos-lhes um golpe muito duro. (...) Matámos milhares de membros da Guarda Revolucionária Islâmica e (...) matámos os seus líderes”, reivindicou o primeiro-ministro israelita.
Rubio critica Espanha por não permitir uso do espaço aéreo para ofensiva no Irão
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, criticou esta segunda-feira a Espanha por proibir o uso do espaço aéreo, tendo questionado o papel da NATO se os Estados Unidos não se puderem servir "quando necessário".
"Temos países como a Espanha, um membro da NATO que nos comprometemos a proteger e que nos 2nega o uso do seu espaço aéreo e se vangloria disso, que nos nega o uso das suas bases, afirmou Rubio numa entrevista à Al Jazeera. "E há outros países que também o fizeram, e então perguntamo-nos: o que ganha os Estados Unidos?", argumentou.
Rubio explicou que uma das razões pelas quais ele próprio apoiava a NATO é porque as bases "dão influência, dão flexibilidade e dão capacidade operacional em todo o mundo" ao EUA.
"Mas se a NATO serve apenas para defendermos a Europa caso seja atacada, enquanto eles nos negam acesso às suas bases quando precisamos delas... não é um acordo muito bom", afirmou.
Rubio, que é também conselheiro de Segurança Nacional do presidente norte-americano, Donald Trump, alertou que "é difícil manter um compromisso e dizer que é bom para os Estados Unidos". "Tem sido muito frustrante", sublinhou.
Os Estados Unidos, recordou, têm dezenas de milhares de militares na Europa, milhares de milhões de dólares em armamento por toda a Europa. "Tudo isto para defender a Europa, não para defender os Estados Unidos (...) vamos ter de rever tudo isto" quando terminar a ofensiva contra o Irão, indicou.
Rubio salientou que "se amanhã decidíssemos retirar as nossas tropas da Europa, seria o fim da NATO".
Por outro lado, Rubio insistiu que o Irão "nunca pode vir a ter armas nucleares" porque as utilizaria para "chantagear" o mundo. "Não vamos permitir que isso aconteça de forma alguma, o risco é demasiado grande", sublinhou.
"E têm de deixar de patrocinar o terrorismo, e têm de deixar de construir armas que ameaçam os seus vizinhos, estes mísseis de curto alcance que estão a lançar têm apenas um objetivo, que é atacar a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar, o Kuwait e o Bahrein", argumentou.
Por fim, sobre Cuba, Rubio sublinhou que os cortes de energia que ocorrem na ilha "não têm nada a ver" com os EUA. "Tiveram cortes de energia no ano passado, têm cortes de energia porque têm uma infraestrutura dos anos 50 e uma rede que nunca mantiveram e nunca melhoraram porque são incompetentes, é por isso que têm cortes de energia", salientou.
Espanha fechou o espaço aéreo a todos os voos envolvidos nos ataques ao Irão, além de ter recusado a utilização de duas bases militares pelos Estados Unidos (EUA), disseram o Governo e as forças armadas espanholas.
Aliados dos EUA no golfo querem derrota clara do Irão
Os aliados dos EUA no golfo Pérsico defendem que o regime de Teerão não foi enfraquecido o suficiente pela ofensiva que começou há cerca de um mês, de acordo com fontes norte-americanas, israelitas e do golfo citadas pela AP.
Responsáveis da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Kuwait e Bahrein transmitiram em conversas privadas que não querem que a operação militar acabe até que haja mudanças significativas no regime ou uma mudança drástica no comportamento iraniano, diz a agência.
Embora os líderes regionais apoiem em grande medida a ofensiva dos EUA, um diplomata do golfo descreveu alguma divisão, com a Arábia Saudita e os Emirados a liderarem os apelos para o aumento da pressão militar sobre Teerão.
Os EAU surgiram como os mais agressivos dos aliados dos EUA no golfo e estão a pressionar fortemente o Presidente dos EUA, Donald Trump, a ordenar uma invasão terrestre, disse o diplomata à AP.
Irão pressiona Houthis para ataques no Mar Vermelho caso EUA agravem conflito
O Irão está a pressionar os Houthis para se prepararem para uma nova campanha contra a navegação no Mar Vermelho, caso haja uma escalada da ofensiva dos EUA contra o país, e acordo com responsáveis europeus citados pela Bloomberg.
Os líderes dos Houthis do Iémen, aliados do Irão, estão a avaliar opções para ações mais agressivas depois de terem lançado misseis balísticos contra Israel, de acordo com a agência. Contudo, as divisões dentro dos líderes dos Houthis sobre a agressividade da resposta fizeram com que o grupo apenas entrasse na guerra quase um mês após o início do conflito.
Apesar de os Houthis terem dito que vão continuar os ataques até que cessem as operações dos EUA e Israel contra o Irão e as suas milícias aliadas – como o Hezbollah no Líbano – responsáveis norte-americanos e sauditas acreditam que o grupo quer evitar uma nova escalada contra ativos dos EUA da Arábia Saudita por agora
Comissão parlamentar iraniana aprova portagens no estreito de Ormuz
Uma comissão parlamentar iraniana aprovou um plano para cobrar portagens aos navios que transitam pelo estratégico Estreito de Ormuz, informaram esta segunda-feira os meios de comunicação estatais.
A televisão estatal iraniana informou, citando um membro da comissão de segurança do parlamento, que o plano inclui "disposições financeiras e sistemas de portagens em rials", a moeda iraniana, bem como a cooperação com Omã, localizado do outro lado do estreito.
O plano inclui ainda "uma proibição de passagem para os americanos e o regime sionista" (Israel), bem como para outros países que impuseram sanções contra o Irão, segundo a mesma fonte.
Em tempos de paz, aproximadamente um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo transita pelo Estreito de Ormuz, que o Irão declarou encerrado à navegação após os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irão, a 28 de fevereiro.
Desde então, o tráfego marítimo caiu cerca de 95%, segundo a plataforma de rastreio marítimo Kpler.
Trump diz estar a negociar com presidente do Parlamento iraniano. Responsável nega
A troca de argumentos sobre as alegadas negociações entre EUA e Irão continuam, lançando novas incertezas sobre estão realmente a decorrer conversações.
Vários responsáveis norte-americanos recusaram identificar os interlocutores de Teerão nas negociações, tendo Donald Trump adiantado numa entrevista ao New York Post que estaria a negociar com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.
Trump foi questionado sobre se o Qalibaf é alguém no regime de Teerão com quem os EUA podem trabalhar, algo que tem sido noticiado nas últimas semanas. “Digo-vos dentro de uma semana”, respondeu.
A alegação de Trump foi desmentida quer pelo próprio Qalibaf, numa publicação no X, quer por um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. O parlamentar disse que os EUA estão a promover “desejos como notícias enquanto ameaçam a nossa nação".
Já o porta-voz Esmaeil Baqaei disse que não decorreram quaisquer negociações, embora tenha confirmado que alguns intermediários entregaram um conjunto de propostas ao Irão.
O responsável disse que o Irão “não esquece a traição que foi infligida à diplomacia em dois momentos em menos de um ano”, referindo-se às negociações que antecederam os ataques norte-americanos em 2025 e 2026.
Qalibaf, um antigo piloto de 64 anos e antigo comandante da Guarda Revolucionária, já tinha já negado estar a negociar com os EUA depois de ter sido referenciado como o parceiro preferencial dos EUA para as negociações.
Rubio afirma haver “fraturas internas” na liderança iraniana
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou esta segunda-feira que existem fissuras na liderança do Irão, apontando a diferença entre discurso público e privado dos seus interlocutores iranianos, sobre quem se escusou a fornecer pormenores, por segurança.
Em declarações ao canal televisivo ABC News, o chefe da diplomacia norte-americana afirmou que não revelaria a identidade das pessoas com as quais mantém diálogo em Teerão, para acordar o fim da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel, porque “provavelmente isso lhes causaria problemas com outros grupos dentro do Irão”.
“Há lá algumas fraturas internas (na liderança iraniana). E creio que se há pessoas no Irão que agora, dadas todas as circunstâncias, estão dispostas a encaminhar o seu país numa direção diferente, isso será algo positivo”, acrescentou.
Hoje, o Presidente norte-americano, Donald Trump, insistiu na sua rede social, Truth Social, que o seu país “está em conversações sérias com um novo e mais razoável regime” no Irão, ao mesmo tempo reiterando as suas ameaças às instalações elétricas e petrolíferas da República Islâmica, “se não se chegar em breve a um acordo”.
Rubio assegurou depois à ABC que há pessoas em Teerão que, “em privado, estão a dizer algumas das coisas certas”.
“O que dizem e tornam público para o mundo não reflete necessariamente o que dizem nas nossas conversas. Mas, no final, temos de ver se estas pessoas acabarão por ser as que estão ao comando, se serão elas que têm o poder para cumprir o acordo. (…) Temos esperança de que seja esse o caso”, afirmou.
Países do G7 dispostos a tomar "medidas necessárias" à estabilidade e segurança energéticas
Os ministros das Finanças e da Energia do Grupo dos Sete (G7) manifestaram esta segunda-feira disponibilidade para tomar todas as medidas necessárias para preservar a estabilidade e a segurança do mercado energético ameaçadas pelo conflito no Médio Oriente.
"Estamos preparados para tomar todas as medidas necessárias em estreita coordenação com os nossos parceiros [...] para preservar a estabilidade e a segurança do mercado energético", declararam os países do G7, que inclui o Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, num comunicado conjunto após uma reunião por videoconferência.
Convocada pela França, que detém este ano a presidência do G7, o encontro dos ministros da Energia e das Finanças contou também com a presença dos governadores dos bancos centrais do grupo para avaliar a evolução da situação no Médio Oriente e as suas implicações para os mercados energéticos, a economia global e a estabilidade financeira.
"Continuamos a acompanhar de perto os desenvolvimentos e o seu potencial impacto no crescimento global e nas condições do mercado financeiro", acrescentaram os membros do G7 no mesmo comunicado, destacando as avaliações em curso de organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, a OCDE, a Agência Internacional de Energia (AIE) e o Conselho de Estabilidade Financeira.
O G7 saudou também a decisão tomada há alguns dias pelos membros da AIE sobre uma maior libertação coordenada das suas reservas de petróleo, num esforço para conter a volatilidade dos preços.
Por sua vez, os bancos centrais reiteraram o seu compromisso com a estabilidade de preços, sublinhando que "a política monetária continuará a ser orientada por dados" que reflitam o impacto dos preços da energia na inflação e na atividade económica.
Os ministros das Finanças e da Energia do G7 reforçaram ainda a necessidade de garantir mercados energéticos "que funcionem adequadamente, sejam estáveis e transparentes", e que assegurem o fornecimento suficiente de petróleo e gás "sem restrições injustificadas" à exportação de hidrocarbonetos.
"Da mesma forma, reafirmamos a importância de fluxos comerciais seguros e ininterruptos, incluindo a segurança da navegação e a proteção de infraestruturas marítimas críticas", acrescentaram.
EUA prometem "retomar controlo do estreito de Ormuz"
Quer seja com escoltas americanas ou multinacionais, os EUA prometem, "com o tempo" vir a "retomar o controlo do estreito de Ormuz", disse o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, numa entrevista à Fox News.
Bessent admitiu que o mercado global de petróleo está com um "défice de 10 a 12 milhões de barris por dia e estamos a compensar esse défice". A libertação de reservas de crude pela Agência Internacional de Energia contribui para essa compensação, disse.
O secretário do Tesouro não se mostrou muito preocupado com possíveis perturbações no Mar Vermelho devido ao envolvimento do grupo rebelde houthi, dizendo que têm estado "muito calmos e espero que se mantenham assim". Quanto ataque com mísseis balísticos, este sábado, contra a Israel, Bessent diz ser "específico de Israel".
Trump volta a ameaçar Irão e promete "explodir" toda a infraestrutura energética do país
Donald Trump voltou à carga nas redes sociais. Esta segunda-feira, o Presidente dos EUA voltou a ameaçar a infraestrutura energética iraniana caso Teerão não desbloqueie o estreito de Ormuz, aumentando os receios de uma escalada de conflito na região, numa altura em que os norte-americanos têm reforçado a sua presença militar no Médio Oriente.
Apesar de afirmar que os EUA estão em "discussões sérias" com o Irão para acabar com a guerra, Trump afirma que, caso um acordo não seja alcançado, o país vai concluir a sua "encantadora 'estadia' no Irão fazendo explodir e destruindo completamente todas as suas centrais elétricas, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente todas as estações de dessalinização)".
Na última semana, o Presidente norte-americano tem regularmente oscilado entre dizer que um acordo de cessar-fogo com o Irão está próximo e ameaçar o país do Golfo Pérsico com novas intervenções militares. Do outro lado, Teerão tem rejeitado qualquer aproximação com os EUA e sinalizado que este conflito pode durar muito mais tempo do que está a ser antecipado - mesmo com várias figuras da Casa Branca a apontarem para uma resolução nas próximas semanas.
Irão nega negociações diretas com EUA
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão nega que estejam em curso quaisquer negociações diretas com os Estados Unidos.
"O que foi discutido foram mensagens que recebemos através de intermediários a dizer que os EUA querem negociar", afirmou o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, citado pela agência Tasnim. "O Irão tem sido claro nas suas posições desde o princípio, e sabemos muito bem qual enquadramento que estamos a considerar. O material que nos foi transmitido contém pedidos excessivos e irrazoáveis", disse, sem especificar.
Trump avalia possibilidade de operação militar para extrair urânio do Irão
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a considerar a possibilidade de avançar com uma operação militar para extrair o equivalente a 450 quilos de urânio do Irão, avança, esta segunda-feira, o The Wall Street Journal (WSJ).
Segundo o diário, que cita autoridades norte-americanas, Trump ainda não decidiu se vai dar a ordem para essa missão, descrita como complexa e árdua, estando a ponderar o risco que representaria para as forças norte-americanas, na medida em que implicaria que permanecessem no país pelo menos durante dias.
Ainda assim o Presidente norte-americano mantém-se, de um modo geral, aberto à ideia, segundo as mesmas fontes, dado que tal poderia ajudar a alcançar o seu objetivo de impedir o Irão de desenvolver uma arma nuclear.
Trump diz que quer ficar com o petróleo iraniano e garante que 20 petroleiros vão atravessar Ormuz
O Presidente dos Estados Unidos manifestou interesse em apropriar-se do petróleo iraniano e tomar conta da ilha de Kharg, onde são geridas as exportações de crude no Irão. Numa entrevista ao Financial Times, Donald Trump expressou a sua "preferência em tomar o petróleo", afirmando, ao mesmo tempo, que "algumas pessoas estúpidas nos EUA dizem 'Porque é que vais fazer isso?'".
Trump disse ainda que "talvez nos apropriemos da Ilha de Kharg, talvez não, temos muitas opções". O líder norte-americano afirmou que o Irão concordou em permitir que 20 petroleiros atravessem o estreito de Ormuz a partir da manhã de segunda-feira e durante os próximos dias, como forma de "presente".
Ao FT, Trump explica que inicialmente os iranianos autorizaram 10 navios, mas aumentaram o número para 20, tendo o aumento sido autorizado pelo presidente do parlamento iraniano,Bagher Ghalibaf. "Foi ele que autorizou os navios. Lembram-se de eu ter dito que me iam dar um presente? E toda a gente disse 'Que presente? É treta'. Quando eles ouviram isso fecharam a boca e as negociações estão a correr muito bem".
Trump expressa otimismo sobre acordo de paz com nova liderança de Teerão
O Presidente norte-americano, Donald Trump, expressou otimismo sobre um acordo com a nova liderança do Irão e alegou que a guerra lançada em conjunto com Israel resultou numa mudança de regime em Teerão.
O Presidente dos EUA declarou no domingo à noite que os sucessivos assassínios dos principais líderes da República Islâmica, a começar pelo líder supremo, aiatola Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, provocaram uma mudança de facto do regime.
"Estamos a lidar com pessoas diferentes de todas as que já lidámos antes", disse Trump aos jornalistas, descrevendo-as como "muito mais razoáveis" do que as antecessores.
O líder republicano disse que "vê um acordo" com a nova liderança iraniana, "talvez em breve".
Trump afirmou que o Irão está prestes a permitir a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz nos próximos dias.
O Irão bloqueou esta via navegável estratégica, que transporta normalmente um quinto do petróleo e gás natural mundiais, o que fez com que os preços dos hidrocarbonetos disparassem.
Os preços do petróleo abriram hoje em forte alta nos mercados asiáticos, antes das declarações do Presidente norte-americano.
Numa entrevista publicada no domingo à noite pelo jornal britânico Financial Times, Trump alertou que os militares norte-americanos poderiam "muito facilmente" tomar a ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, onde se situa o maior terminal petrolífero do Irão, responsável por aproximadamente 90% das exportações de crude.
A ilha foi alvo de um ataque norte-americano em meados de março.
Um navio de assalto anfíbio dos Estados Unidos, liderando um grupo naval composto por "cerca de 3.500" marinheiros e fuzileiros, chegou à região na sexta-feira, o que reforçou os sinais de que está em preparação o eventual envio de tropas norte-americanas para solo iraniano, uma possibilidade sobre a qual Donald Trump se tem revelado ambíguo.
"O inimigo está a enviar mensagens públicas de negociação e diálogo, enquanto planeia secretamente uma ofensiva terrestre", denunciou o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
"Os nossos homens aguardam a chegada dos soldados norte-americanos a terra para os atacar e castigar os seus aliados regionais de uma vez por todas", acrescentou.
O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, agradeceu às autoridades religiosas e ao povo iraquiano o apoio face à ofensiva americano-israelita, que descreveu como uma "agressão".
Mojtaba Khamenei, que se manteve fora de vista desde a nomeação, a 08 de março, voltou a pronunciar-se numa mensagem escrita divulgada pelos meios de comunicação iranianos.
A sua ausência tem alimentado especulações, e o próprio Donald Trump questionou se o novo aiatola está vivo.
Ataque atinge central petroquímica iraniana sem fuga de substâncias perigosas
Uma fábrica petroquímica localizada no noroeste do Irão foi hoje alvo de um ataque, que não provocou a libertação de substâncias perigosas, de acordo com a imprensa oficial iraniana.
Segundo a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda da Revolução Islâmica do Irão, o "ataque EUA-sionista" contra fábrica petroquímica, localizada em Tabriz, não causou danos.
"A situação está controlada. Equipas de resgate e operacionais estão presentes no local e nenhuma substância perigosa, tóxica ou poluente foi libertada. A população não tem de se preocupar", acrescentou a Tasnim.
Horas antes, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA, na sigla em inglês) disse que a central nuclear de Khondab, no Irão, deixou de funcionar devido a danos sofridos num ataque, mas não continha material nuclear.
Em comunicado publicado na rede social X, a AIEA revelou que, "com base numa análise independente de imagens de satélite e com conhecimento das instalações" de Khondab, concluiu que a central que produz "água pesada" sofreu graves danos e está inoperacional.
Na sexta-feira, os Estados Unidos e Israel atacaram as centrais de Khondab e Ardakan, consideradas instalações-chave na transformação de urânio com vista ao enriquecimento nuclear, e igualmente a de Bushehr, no sul do Irão, sem causar vítimas.
De acordo com o último levantamento do Crescente Vermelho Iraniano, mais de 93 mil instalações civis, incluindo 600 escolas e 295 centros de saúde, foram danificadas no Irão desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel no passado dia 28 de fevereiro.
Em retaliação, o Irão tem lançado mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos nos países vizinhos, para além de manter um bloqueio ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo.
O Governo do Kuwait anunciou hoje que o Irão atacou uma central de dessalinização no país, que também gera eletricidade, matando um cidadão indiano.
"Um edifício de serviços numa central de dessalinização que gera eletricidade foi atacado no âmbito da agressão iraniana contra o Estado do Kuwait, resultando na morte de um trabalhador indiano e em danos materiais significativos", escreveu o Ministério da Eletricidade e Água do Kuwait na rede social X.
Também hoje, o Ministério da Defesa da Arábia Saudita anunciou a interceção de cinco mísseis balísticos que se dirigiam para o leste do país.
"Cinco mísseis balísticos foram detetados e intercetados quando se dirigiam para a província oriental" da Arábia Saudita, afirmou o ministério em comunicado, sem especificar a origem dos projéteis.
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