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Alemanha vai propor missão conjunta da NATO no Ártico

Chanceler Merz pretende aliviar as tensões com os Estados Unidos devido às ameaças de anexação da Gronelândia feitas por Trump, segundo duas fontes próximas do governo alemão citadas pela Bloomberg.

Merz propõe missão da NATO no Ártico para aliviar tensões com EUA
Merz propõe missão da NATO no Ártico para aliviar tensões com EUA Michael Kappeler/AP
13:30

A Alemanha vai propor a criação de uma missão conjunta da NATO para monitorizar e proteger os interesses de segurança na região do Ártico, numa tentativa de aliviar as tensões com os EUA devido às ameaças de anexação da Gronelândia, de acordo com duas pessoas familiarizadas com a estratégia do governo.

 A missão "Baltic Sentry" da NATO - lançada há um ano para proteger infraestruturas críticas no Mar Báltico - poderá servir de modelo para uma nova missão "Arctic Sentry", que incluiria a Gronelândia, afirmaram as mesmas fontes, que pediram o anonimato por estarem a discutir planos confidenciais.

 Embora o Presidente dos EUA, Donald Trump, pondere há muito tomar a Gronelândia parte dos EUA por razões de segurança nacional, o seu foco na ilha autónoma que faz parte do Reino da Dinamarca intensificou-se nos últimos dias, após a audaciosa operação militar norte-americana para capturar o Presidente da Venezuela. Essa ação gerou novos receios entre os aliados sobre a disponibilidade de Trump para destacar as forças militares dos EUA para atingir os seus objetivos de política externa.

 No domingo, o vice-chanceler da Alemanha - que voa para Washington esta semana para uma reunião dos ministros das Finanças do G7, convocada pelo Secretário do Tesouro, Scott Bessent - instou os EUA a respeitarem a soberania da Gronelândia e o direito internacional.

 "Cabe apenas à Dinamarca e à Gronelândia decidir o futuro da Gronelândia", afirmou Lars Klingbeil, que é também o responsável pelas Finanças da Alemanha. "A soberania e a integridade territorial têm de ser respeitadas. Estes princípios do direito internacional aplicam-se a todos — incluindo aos Estados Unidos. Estamos a trabalhar em conjunto como aliados da NATO para aumentar a segurança no Ártico, e não uns contra os outros."

 Klingbeil não é o único alto governante alemão a visitar a capital dos EUA esta semana. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, também se deverá reunir com o seu homólogo americano, Marco Rubio.

 "É claro que cabe apenas à Gronelândia e à Dinamarca decidir sobre questões de território e soberania sobre a Gronelândia", disse Wadephul ao Bild am Sonntag, destacando a "nova importância da política de segurança" na região do Ártico.

Entretanto, o Reino Unido está também em negociações com aliados sobre o envio de tropas para a Gronelândia como parte de uma possível missão da NATO, de acordo com uma reportagem do Sunday Telegraph. Quando questionada sobre a reportagem na Sky News, a secretária de Transportes, Heidi Alexander, disse que elas faziam parte de discussões normais com aliados para defender a Gronelândia contra qualquer ameaça russa.

Num post na rede social X, a NATO confirmou que as forças navais da aliança estão "a treinar em conjunto nas condições adversas do extremo norte para manter esta região estrategicamente importante segura".

Reforçar as cadeias de abastecimento

Este domingo foi também tornado público que a Alemanha está aberta a tomar uma "ação conjunta" com parceiros internacionais para reforçar as cadeias de abastecimento e garantir o acesso a matérias-primas críticas para a indústria, afirmou o Vice-Chanceler e Ministro das Finanças, Lars Klingbeil, antes de partir para uma visita de dois dias aos EUA.

 Em Washington DC pela terceira vez desde que assumiu o cargo em maio de 2025, Klingbeil participará numa reunião de ministros das finanças convocada pelo Secretário do Tesouro, Scott Bessent. Espera-se que as conversações — que incluirão ministros do Grupo dos Sete (G7), bem como representantes da Austrália, Coreia do Sul, Índia, México e da União Europeia — se foquem nas matérias-primas críticas e na segurança das cadeias de abastecimento globais.

 A Alemanha pretende "reduzir dependências e reforçar a segurança do abastecimento" nesta área, que é crucial para a sua economia, referiu Klingbeil num comunicado.

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