Irão atacou a maior refinaria de gás natural do mundo. Duas refinarias de petróleo também afetadas
Acompanhe os desenvolvimentos desta quinta-feira sobre o conflito no Médio Oriente.
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Teerão intensificou ataques contra instalações de energia no Golfo
O Irão intensificou esta quinta-feira os ataques contra infraestruturas de energia dos países do Golfo, incendiando instalações de gás natural liquefeito (GNL) do Qatar e duas refinarias de petróleo do Kuwait.
O agravamento da guerra no Médio Oriente fez disparar novamente os preços globais dos combustíveis, com o preço do gás na Europa a disparar 35%.
Um navio atingido incendiou-se ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos e outro ficou danificado perto do Qatar, numa altura em que se verifica um controlo "de facto" do Estreito de Ormuz por parte do Irão.
O Qatar, importante fornecedor de gás natural para os mercados mundiais, informou que os bombeiros extinguiram um incêndio numa instalação de GNL, depois de ter sido atingida por mísseis iranianos.
A produção já tinha sido interrompida após ataques anteriores, mas o país afirmou que a última vaga de mísseis causou incêndios "consideráveis".
Um ataque com um aparelho aéreo não tripulado (drone) contra a refinaria Mina Al-Ahmadi, no Kuwait, provocou um grande incêndio, segundo a agência de notícias estatal KUNA.
A refinaria é uma das maiores do Médio Oriente, com uma capacidade de produção de petróleo de 730 mil barris por dia.
China opõe-se à inaceitável eliminação de líderes nacionais
A China afirmou esta quinta-feira que “a eliminação de líderes nacionais e ataques contra alvos civis no Irão são absolutamente inaceitáveis”, após Israel ter morto o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão e ex-presidente do parlamento, Ari Larijani.
O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim “se opõe sistematicamente ao uso da força nas relações internacionais”.
Lin lamentou que “as chamas da guerra se estejam a expandir pelo Médio Oriente e que as tensões regionais estejam a aumentar”.
“Um cessar-fogo imediato e o fim das hostilidades representam a aspiração comum da comunidade internacional”, acrescentou o porta-voz, apelando “a todas as partes envolvidas” para que interrompam “imediatamente as operações militares e evitem que a situação regional se torne incontrolável”.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou na quarta-feira ter lançado um ataque com mísseis contra Telavive, em represália pela morte de Larijani, que era conselheiro do antigo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, também morto numa operação israelita no início do atual conflito.
Emirados fecham instalações de gás e petróleo devido a queda de destroços de mísseis iraniano
Destroços de mísseis atingiram esta quinta-feira (hora local) as instalações de gás e um campo petrolífero nos Emirados Árabes Unidos, que foram encerrados, na sequência de ataques iranianos contra infraestruturas energéticas dos países do golfo Pérsico.
O Gabinete de Imprensa de Abu Dhabi informou nas suas redes sociais que as autoridades estão a responder a "incidentes" ocorridos nas instalações de gás de Habshan e no campo de Bab.
Estes incidentes, que não causaram feridos, foram provocados pela queda de restos de mísseis lançados do Irão e intercetados pelas defesas aéreas.
Um dos ataques iranianos mais graves desta quinta-feira foi o que afetou a refinaria de Ras Laffan, a principal de gás natural liquefeito do Catar, que sofreu um incêndio e danos graves.
Estes ataques ocorrem depois de Israel ter atacado as instalações de gás de Pars Sul, que fazem parte do maior campo de gás do mundo partilhado pelo Irão e Catar, pelo que o Exército iraniano prometeu que não ia ficar impune.
Trump afirma que desconhecia planos de Israel para atacar campo de gás natural iraniano
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que não tinha conhecimento do ataque que Israel iria realizar contra o campo de gás natural South Pars, no Golfo Pérsico, no Irão.
Numa publicação em que Trump se desligou do ataque, indicou que: "Israel, enfurecido com o que aconteceu no Médio Oriente, atacou uma importante instalação no Irão conhecida como o campo de gás South Pars. Apenas uma pequena parte ficou danificada".
O chefe de Estado insistiu que os Estados Unidos não tiveram "conhecimento prévio do ataque" e que "o Irão, sem conhecer os factos, respondeu atacando injustificadamente uma parte da fábrica de gás natural liquefeito do Catar".
"Israel não voltará a atacar o campo de gás South Pars, de importância vital, a menos que o Irão decida imprudentemente atacar um país inocente, neste caso o Catar", acrescentou.
A agência Associated Press avançou esta quinta-feira que os Estados Unidos terão sido informados sobre os planos de Israel de atacar o South Pars, mas não participaram na operação. A AP, que cita uma fonte anónima, acrescentou que esta não quis, porém, esclarecer se a Administração Trump concordou com a decisão israelita de atacar o campo.
Na manhã de quarta-feira, ataques israelitas, que os meios de comunicação da região associaram aos Estados Unidos como parte da operação, atingiram as instalações do vasto campo de gás no sul do Irão, conhecido como a maior reserva natural do mundo e fornecedor de 70% do gás doméstico utilizado pelo Estado persa.
Teerão respondeu com ataques ao Catar e Emirados Árabes Unidos, provocando um incêndio considerável na refinaria de Ras Laffan, a principal refinaria de gás natural liquefeito catari, num depósito de combustível para aviões em Riade e assim como numa refinaria no Bahrein.
O Governo do Catar informou que a defesa civil interveio no incêndio que causou "graves danos" em Ras Laffan, o principal local de produção de gás natural liquefeito do país.
Trump advertiu que autorizará a destruição do campo de South Pars, no Irão, caso Teerão se atreva a atacar novamente as refinarias do Catar.
Catar reporta "incêndios de grandes proporções" em instalações de gás natural
O Catar informou esta quinta-feira que ataques com mísseis iranianos danificaram mais instalações de gás natural liquefeito no país rico em recursos energéticos, "provocando incêndios de grandes proporções e danos adicionais extensos".
De acordo com a Qatar Energy, empresa estatal de petróleo e gás do país, o combate aos incêndios ainda decorre e, até ao momento, não se registaram feridos.
O Catar, que é um importante fornecedor de gás natural para os mercados energéticos mundiais, já tinha suspendido a produção no início da guerra, e estes danos extensos podem atrasar o país no pleno regresso ao mercado após o fim da guerra com o Irão.
O Irão confirmou esta quarta-feira a morte do ministro com a tutela dos serviços de informações, Ismail Khatib, num ataque aéreo israelita na noite de terça-feira, dia em que também reconheceu os assassínios de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e de Gholamreza Soleimani, líder da milícia Basij.
Por outro lado, o país sofreu também um ataque das forças israelitas ao enorme campo de gás natural de South Pars, com o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, a alertar para "consequências incontroláveis" que "podem engolir o mundo inteiro".
Em resposta, o Irão intensificou os ataques às instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo Pérsico, atingindo instalações de gás no Catar, e Doha reagiu ordenando aos funcionários da Embaixada iraniana que abandonassem o país no prazo de 24 horas.
Teerão também atacou as instalações de gás de Habshan e o campo de Bab, nos Emirados Árabes Unidos, o que o governo local classificou como uma "escalada perigosa" na guerra da República Islâmica contra Israel e os Estados Unidos. As autoridades de Abu Dhabi afirmam que as operações de gás foram interrompidas após a deteção de atividades suspeitas sobre os locais.
A vasta Província Oriental da Arábia Saudita, onde se encontram muitos dos campos petrolíferos do país, bem como o Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos foram igualmente atacados.
Japão retoma subsídios aos combustíveis para mitigar subida do preço do petróleo
O Japão reativou esta quinta-feira uma série de subsídios para conter o custo dos combustíveis, depois de a gasolina ter atingido um recorde máximo, em plena subida dos preços do petróleo devido ao conflito no Médio Oriente.
O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, confirmou que o plano visa "limitar o preço de venda ao público da gasolina a cerca de 170 ienes [0,93 euros]" para proteger a economia da atual subida dos preços do petróleo.
A gasolina atingiu na segunda-feira o preço médio de 190,8 ienes por litro (1,04 euros) no Japão.
O programa de subsídios à gasolina tinha sido suspenso no final de 2025, na sequência de uma abolição do imposto sobre os combustíveis.
Os subsídios deverão ser refletidos nos preços de venda ao público no prazo de duas semanas, segundo a emissora pública japonesa NHK.
O programa poderá custar ao Governo cerca de 300 mil milhões de ienes (1,64 mil milhões de euros) por mês, caso o preço dos combustíveis atinja 200 ienes por litro (1,09 euros), segundo as estimativas da ministra das Finanças, Satsuki Katayama, divulgadas pelo jornal Japan Times.
"Espera-se que o ritmo da inflação aumente, impactado pela recente subida dos preços do crude", alertou hoje o banco central do Japão.
A medida responde à crescente incerteza em torno do conflito que opõe os Estados Unidos e Israel ao Irão e à situação no Estreito de Ormuz, um ponto geográfico crucial para o Japão.
Cerca de 95% das importações de crude do Japão provém do Médio Oriente e 70% transitava pelo estreito de Ormuz antes do conflito.
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