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Líderes da UE pedem moratória nos ataques a infraestruturas energéticas do Médio Oriente

Acompanhe os desenvolvimentos desta quinta-feira sobre o conflito no Médio Oriente.

19 de Março de 2026 às 22:27
Líderes da UE pedem moratória nos ataques a infraestruturas energéticas no Médio Oriente

Os líderes dos 27 países da UE, reunidos esta quinta-feira no Conselho Europeu, pediram uma moratória nos ataques a infraestruturas de energia e água no Médio Oriente e a reabertura do estreito de Ormuz.           

Os chefes de Estado e Governo da UE também pediram ao Irão para parar de atacar os vizinhos do Médio Oriente, apelaram à cooperação internacional para evitar uma crise de refugiados em larga escala e disseram que alguns países da UE “estão a explorar formas de assegurar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz”.            

Os líderes europeus também evitaram as tentativas do Presidente dos EUA, Donald Trump, de os envolver na guerra, mas também criticaram ferozmente o governo iraniano, de acordo com a AP.

Nas conclusões da cimeira relativa ao conflito no Médio Oriente, os líderes da UE afirmaram que os "desenvolvimentos no Irão e na região mais ampla ameaçam a segurança regional e global", sem nunca se referirem diretamente aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Apelando a uma redução das tensões e "à máxima contenção", os líderes da UE pedem que se protejam as infraestruturas civis e se garanta o "pleno respeito pelo direito internacional por todas as partes, incluindo os princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional humanitário".

"Neste contexto, [o Conselho Europeu] apela a uma moratória sobre ataques a instalações de energia e de água", lê-se, depois de, na quarta-feira, Telavive ter atacado o campo de gás 'offshore' iraniano de South Pars, tendo o Irão retaliado com um ataque a uma refinaria de petróleo no norte de Israel.

Esta proposta de moratória tinha sido avançada esta quarta-feira pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e, esta quinta-feira, subscrita pelos líderes do Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos, França e Japão num comunicado conjunto.

Nas conclusões da cimeira, os líderes abordam também as consequências migratórias do conflito no Médio Oriente, salientando que, apesar de ainda não se estarem a verificar "fluxos imediatos" provocados pela guerra, é necessário "manter um elevado nível de vigilância e garantir o nível necessário de preparação".

"A UE está preparada para mobilizar plenamente as suas ferramentas diplomáticas, jurídicas, financeiras e operacionais para prevenir movimentos migratórios descontrolados para a UE e para preservar a segurança da Europa", afirmam, em linha com um documento hoje divulgado pelas primeiras-ministras da Dinamarca e de Itália em que pediam mais controlo migratório face à guerra no Médio Oriente.

Em termos de resolução do conflito, os chefes de Estado e de Governo afirmam que a UE "vai continuar a colaborar com os parceiros na região para contribuir para reduzir as tensões e para a estabilidade regional".

"Mantém-se disponível para contribuir para todos os esforços diplomáticos destinados a reduzir as tensões e a alcançar uma solução duradoura para pôr fim às hostilidades, impedir o Irão de adquirir uma arma nuclear e pôr termo às suas atividades desestabilizadoras, incluindo o seu programa de mísseis balísticos", indicam.

Depois de o chanceler alemão, Friedrich Merz, ter dito que a Alemanha está disponível para integrar uma missão internacional para garantir a livre circulação no estreito de Ormuz quando a guerra acabar, o Conselho Europeu diz saudar os "esforços acrescidos anunciados pelos Estados-membros" para "garantir a liberdade de navegação" nessa artéria comercial "uma vez reunidas as condições necessárias".

Os líderes condenam veementemente os "ataques indiscriminados do Irão contra os países da região", apesar de nunca se referirem aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

As menções relativas a Israel encontram-se apenas nas conclusões relativas ao Líbano e à Faixa de Gaza e Cisjordânia.

No que se refere ao conflito no Líbano, pedem a Telavive para se "abster de novas escaladas através de operações aéreas ou terrestres e a respeitar a soberania e a integridade territorial do Líbano" e condenam veementemente "a decisão do Hezbollah de atacar Israel em apoio ao Irão", instando o movimento xiita a "parar imediatamente".

Relativamente à Palestina, os líderes da UE manifestam "preocupação séria" com a "deterioração da situação em Gaza e na Cisjordânia", reiterando a defesa da solução dos dois Estados e pedindo que se implemente o cessar-fogo na Faixa de Gaza.

*Com agências

EUA vão manter exportações de combustíveis, diz secretário da Energia

O secretário norte-americano da Energia garantiu esta qunta-feira que os Estados Unidos irão manter as exportações de petróleo e gás, contrariamente a outros países que as proibiram em resposta aos problemas de abastecimento causados pela guerra no Médio Oriente.

Os EUA "não têm planos para implementar restrições às exportações de petróleo e gás", afirmou o secretário Chris Wright na rede social X, respondendo a especulações de que a medida estaria em preparação para conter os preços internos dos combustíveis.

"Graças ao Presidente (Donald Trump), os Estados Unidos são o maior produtor mundial de petróleo e gás natural. Somos também o maior exportador de gás natural e um dos maiores exportadores de petróleo", adiantou Wright.

Uma das principais consequências da intervenção militar no Médio Oriente, que resultou num bloqueio das exportações de combustíveis através do Estreito de Ormuz, é a instabilidade económica global provocada pelo aumento dos preços da energia.

Trump desvalorizou hoje a subida dos preços do petróleo e do gás provocada pela escalada do conflito com o Irão.

Em declarações na Casa Branca, Trump confessou que antecipava aumentos mais acentuados nos mercados energéticos.

"Pensei que os números seriam piores. Pensei que subiriam mais do que subiram", afirmou Trump, acrescentando que a intervenção militar resultará num mundo "mais seguro".

O chefe de Estado norte-americano considerou que a economia estava a ter um bom desempenho antes do conflito, com preços energéticos baixos, mas defendeu que a ofensiva norte-americana e israelita contra o Irão, iniciada em 28 de fevereiro, era necessária.

Trump admitiu ainda que já previa uma subida dos preços do petróleo e algum impacto económico, mas alegou que a situação atual "não está má", sugerindo que o conflito poderá terminar em breve.

Na guerra contra o Irão foram mortos o Líder Supremo iraniano, Ali Khamenei, grande parte da liderança militar da República Islâmica, centenas de iranianos, incluindo civis e crianças, e pelo menos treze militares norte-americanos.

AIE sobe para 426 milhões os barris de petróleo a libertar

A Agência Internacional de Energia (AIE) subiu para até 426 milhões o número de barris de petróleo a libertar das suas reservas estratégicas, foi anunciado.

Entre estes incluem-se 301 milhões de barris de petróleo bruto e 125 milhões de barris de produtos refinados.

Em comunicado, a agência, que tem sede em Paris, detalhou que a libertação dos volumes iniciais, sobretudo de petróleo bruto, já teve início.

"A guerra no Médio Oriente está a provocar a maior perturbação da história no fornecimento de petróleo a nível global", apontou.

O volume de crude retirado do mercado superou o registado durante a crise energética de 1973.

Os EUA são o maior contribuinte, com 172,2 milhões de barris de petróleo bruto.

Seguem-se o Japão (79,8 milhões de barris de petróleo), Canadá (23,6 milhões), Coreia do Sul (22,5 milhões), Alemanha (19,5 milhões), França (14,6 milhões), Reino Unido (14 milhões), Espanha (11,6 milhões) e Itália (10 milhões).

Netanyahu vê guerra a terminar "muito mais cedo do que as pessoas pensam"
Netanyahu vê guerra a terminar 'muito mais cedo do que as pessoas pensam'

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, garantiu esta quinta-feira que vê a guerra no Irão a terminar "muito mais cedo do que as pessoas pensam". Numa conferência de imprensa, o líder israelita afirmou que o Irão, neste momento, não tem "capacidade para avançar com o enriquecimento de urânio [essencial para a construção de armas nucleares] nem capacidade para produzir mísseis balísticos".

Dirigindo-se aos cidadãos, o líder israelita elogiou a sua resiliência e reafirmou os três grandes objetivos que Tel Aviv quer alcançar com este conflito: "aniquilar completamente" o programa nuclear do Irão, fazer o mesmo com a capacidade de produzir mísseis balísticos e ainda criar condições para os iranianos "assumirem as rédeas do seu próprio destino". Netanyahu revelou ainda que Israel está a ajudar os EUA a reabrirem o estreito de Ormuz. 

O primeiro-ministro israelita passou ainda uma boa parte da conferência de imprensa a negar que o país tenha arrastado os EUA para a guerra -  uma acusação feita pelo antigo diretor do Centro Nacional Contraterrorismo norte-americano. "Alguém acredita mesmo que se pode dizer ao Presidente Trump o que fazer?", indagou, afirmando que o líder dos EUA "faz sempre as suas decisões a pensar no que é bom para a América". 

Fazendo um ponto de situação sobre o conflito, Netanyahu afirmou que o Médio Oriente tinha mudado "de tal forma que já está irreconhecível", com Israel a estar "mais forte do que nunca" e o Irão "mais fraco do que nunca". Mesmo assim, "ainda há trabalho a fazer e nós vamos continuar" - "durante quanto tempo for necessário", assegurou, acrescentando que falou com o Presidente norte-americano e, para já, vai suspender qualquer ataque a infraestruturas energéticas do Irão. 

Trump vai pedir ao Congresso mais 200 mil milhões de dólares para a guerra. "É um pequeno preço a pagar"
Trump vai pedir ao Congresso mais 200 mil milhões de dólares para a guerra. 'É um pequeno preço a pagar'

O Presidente dos EUA, Donald Trump, vai pedir ao Congresso para aprovar mais 200 mil milhões de dólares para financiar a guerra no Irão. Numa conferência de imprensa ao lado da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, o líder da maior economia do mundo garantiu que ainda existem "muitas razões" para continuar o conflito e que as forças armadas norte-americanas precisam de "grandes quantidades de munições" para atingir os objetivos. 

"Queremos estar na melhor forma possível, na melhor forma em que já estivemos. É um pequeno preço a pagar para garantir que nos mantemos no topo", respondeu Trump aos jornalistas, aproveitando a presença da líder nipónica para elogiar o apoio do Japão no conflito do Médio Oriente - ao contrário dos aliados da NATO que foram, mais uma vez, alvo de críticas do Presidente dos EUA. 

Questionado sobre o porquê de não ter avisado o Japão de que os EUA e Israel iriam atacar o Irão, Donald Trump desviou-se da pergunta e remeteu para o ataque dos japoneses a Pearl Harbor durante a II Guerra Mundial. "Quem entende melhor de surpresas do que o Japão? Por que não nos contaram sobre Pearl Harbor?", questionou o líder norte-americano, não conseguindo arrancar uma reação de Takaichi. 

Olhando para a guerra, Trump confirmou que falou com o líder israelita, Benjamin Netanyahu, sobre os ataques ao campo de exploração de gás iraniano de South Pars, garantindo que Tel Aviv não vai voltar a lançar uma ofensiva sobre as infraestruturas energéticas do país. "Somos independentes e damo-nos lindamente. Ocasionalmente, ele [Netanyahu] faz umas coisas que eu não gosto. Portanto, não vamos voltar a fazer isso", acrescentou. 

Na quarta-feira, o Presidente norte-americano já tinha revelado que não tinha sido informado do ataque a South Pars. Garantiu, no entanto, que, caso o Irão voltasse a lançar uma ofensiva sobre o Catar, os EUA iriam "explodir a totalidade" do campo de exploração de gás iraniano. 

Trump rejeita envio de tropas para o terreno no Médio Oriente

Donald Trump rejeitou a possibilidade de enviar tropas para o terreno no Médio Oriente, . “Não. Eu não vou colocar tropas em lado nenhum”, disse o Presidente dos EUA durante um encontro com a primeira-ministra japonesa, na Casa Branca.

Trump resslavou que pode destacar forças militares sempre que quiser, mas que não iria revelar os seus planos aos jornalistas. Contudo, acrescentou que “não vai colocar tropas”.

A agência avançou que a Administração Trump estaria a considerar o envio de milhares de militares para o Médio Oriente, com o objetivo de desbloquear o tráfego de petroleiros pelo estreito de Ormuz, colocando militares na costa iraniana.

Entre as possibilidades em analise, estaria também a ocupação da ilha Kharg, o principal centro de exportações petrolíferas do Irão.

EUA não têm previsão para fim da guerra e prometem "morte e destruição"

O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, disse nesta quinta-feira que não existe um "calendário definitivo" para o fim da guerra no Irão e que, entretanto, se alastrou a vários outros países do Médio Oriente.

O elemento da Administração Trump afirmou que os EUA não têm uma previsão para o fim da guerra. "Não queríamos estabelecer um calendário definitivo", disse Hegseth na conferência de imprensa desta quinta.

"Será o Presidente a escolher, em última instância, quando disser 'conseguimos aquilo que precisávamos'".

Numa atualização ao desenvolvimento do conflito, Hegseth confirmou que os EUA já atacaram mais de sete mil alvos no Irão e que esta quinta-feira vai trazer "o maior ataque até agora... morte e destruição vindas do céu", segundo o jornal .

Ataques iranianos a complexo de Ras Laffan levarão três a cinco anos a reparar

A empresa estatal QatarEnergy escreveu num comunicado que várias das suas instalações de GNL na cidade industrial de Ras Laffan foram atingidas, causando incêndios de grandes proporções e danos adicionais extensos, tendo os ataques resultado, também, em danos expressivos na fábrica de gás-para-líquidos da Shell, no mesmo complexo.

Sabe-se que os ataques do Irão - que foram anunciados como uma retaliação face aos ataques de Israel ao campo de South Pars - danificaram instalações que representam 17% da capacidade de exportação de gás natural liquefeito da QatarEnergy, e a sua reparação levará entre três a cinco anos, disse o CEO da gigante energética, Saad al-Kaabi, numa entrevista à Reuters citada por meios de comunicação internacional.

Este complexo alberga a maior fábrica de produção e exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo e era, até ao início da guerra no Médio Oriente, responsável por cerca de um quinto do abastecimento global desta matéria-prima.

Teerão ameaça destruir infraestruturas energéticas na região

O exército do Irão reiterou esta quinta-feira as ameaças de destruição de infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em caso de novo ataque às instalações iranianas.

"Avisamos o inimigo de que está a cometer um erro grave ao atacar a infraestrutura energética da República Islâmica do Irão", declarou o centro de comando conjunto Khatam Al-Anbiya, citado pela agência de notícias Fars.

"Se isto se repetir, as represálias contra as vossas infraestruturas energéticas e as dos vossos aliados continuarão até à sua destruição", avisou, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).

O comando alertou para uma "resposta muito mais violenta" do que a registada durante os ataques realizados durante esta madrugada contra locais do Golfo.

A companhia energética pública do Catar anunciou que novos ataques de mísseis iranianos ocorridos ao amanhecer causaram "danos consideráveis" no complexo de gás de Ras Laffan. Na Arábia Saudita, um drone abateu-se sobre a refinaria da Samref, situada na zona industrial de Yanbu.

Trata-se de um centro essencial para o escoamento de uma parte dos barris bloqueados pela quase paralisia do estreito de Ormuz, nas margens do mar Vermelho.

Macron quer negociações para impedir ataques a infraestruturas de energia

O Presidente francês pediu esta quinta-feira "conversações diretas" entre Estados Unidos e Irão para impedir danos na produção de petróleo em todo o Médio Oriente.

À chegada à cimeira dos líderes europeus, em Bruxelas, Emmanuel Macron considerou uma imprudência ter deixado alastrar o conflito a locais de produção de hidrocarbonetos, particularmente no Catar.

"Vários países do Golfo foram atingidos, pela primeira vez, nas suas capacidades de produção, da mesma forma que o Irão", observou o Presidente francês, pedindo uma "rápida desescalada" do conflito.

O Irão intensificou esta manhã os ataques contra infraestruturas de energia dos países do Golfo, incendiando instalações de gás natural liquefeito (GNL) do Catar e duas refinarias de petróleo do Kuwait.

O agravamento da guerra no Médio Oriente fez disparar novamente os preços globais dos combustíveis, com o preço do gás na Europa a subir 35%.

Também as autoridades dos Emirados Árabes Unidos disseram terem sido forçadas a interromper as operações na instalação de gás em Habshan e no campo de Bab.

Para Macron, este aprofundamento do conflito constitui "uma irresponsabilidade" sobre a qual já conversou com o Presidente dos EUA, Donald Trump, e espera poder falar também com o Irão.

Arábia Saudita ameaça com resposta militar por paciência ter limites

A Arábia Saudita advertiu esta quinta-feira o Irão que a paciência tem limites e ameaçou dar uma resposta militar aos ataques que tem sofrido, juntamente com outros países, em retaliação à ofensiva israelo-americana contra Teerão.

"O reino e os seus parceiros possuem capacidades significativas e a paciência que temos demonstrado não é ilimitada", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan. Sem adiantar prazos, o ministro saudita disse que a resposta militar regional poderá ocorrer a qualquer momento.

"Poderá ser um dia, dois dias ou uma semana, não o direi", afirmou a partir da capital, Riade, após uma reunião com 11 países para abordar a situação.

Bin Farhan realçou que a Arábia Saudita "se reserva o direito de adotar ações militares, se o considerar necessário".

As autoridades sauditas confirmaram o impacto de um drone numa refinaria na cidade portuária de Yanbu, nas costas do mar Vermelho, uma zona onde horas antes tinha sido destruído um míssil balístico.

Não foram divulgadas informações sobre eventuais vítimas ou danos.

O Irão reagiu à ofensiva militar lançada por Israel e pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro com ataques contra países do Médio Oriente com bases militares norte-americanas.

Também tem atingido complexos energéticos no golfo Pérsico, sobretudo em resposta a ataques contra infraestruturas petrolíferas iranianas, além de ter praticamente bloqueado o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio petrolífero mundial.

Parlamento do Irão debate taxas para navios no estreito de Ormuz

Os deputados iranianos estão debater a eventual imposição de taxas à passagem de navios pelo estreito de Ormuz, via de comunicação essencial para o comércio mundial, noticiou esta quinta-feira a agência de notícias ISNA.

"No parlamento, estamos a trabalhar num plano segundo o qual os países vão ter de pagar taxas e impostos à República Islâmica para o estreito de Ormuz ser usado como via navegável segura", disse a deputada de Teerão Somayeh Rafiei, referindo-se ao transporte de fontes de energia e de mercadorias.

Por aquela passagem marítima passa parte muito significativa das exportações energéticas dos países do golfo Pérsico, mas também constitui rota essencial de cadeias de abastecimento alimentares e industriais, incluindo um terço dos fertilizantes comercializados globalmente.

Os Estados Unidos e aliados estão a estudar opções militares para garantir a segurança no estreito de Ormuz perante uma queda do tráfego marítimo e os riscos crescentes para a economia e a segurança alimentar globais.

Teerão intensificou ataques contra instalações de energia no Golfo

O Irão intensificou esta quinta-feira os ataques contra infraestruturas de energia dos países do Golfo, incendiando instalações de gás natural liquefeito (GNL) do Qatar e duas refinarias de petróleo do Kuwait.

O agravamento da guerra no Médio Oriente fez disparar novamente os preços globais dos combustíveis, com o preço do gás na Europa a disparar 35%.

Um navio atingido incendiou-se ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos e outro ficou danificado perto do Qatar, numa altura em que se verifica um controlo "de facto" do Estreito de Ormuz por parte do Irão.

O Qatar, importante fornecedor de gás natural para os mercados mundiais, informou que os bombeiros extinguiram um incêndio numa instalação de GNL, depois de ter sido atingida por mísseis iranianos.

A produção já tinha sido interrompida após ataques anteriores, mas o país afirmou que a última vaga de mísseis causou incêndios "consideráveis".

Um ataque com um aparelho aéreo não tripulado (drone) contra a refinaria Mina Al-Ahmadi, no Kuwait, provocou um grande incêndio, segundo a agência de notícias estatal KUNA.

A refinaria é uma das maiores do Médio Oriente, com uma capacidade de produção de petróleo de 730 mil barris por dia.

China opõe-se à inaceitável eliminação de líderes nacionais

A China afirmou esta quinta-feira que “a eliminação de líderes nacionais e ataques contra alvos civis no Irão são absolutamente inaceitáveis”, após Israel ter morto o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão e ex-presidente do parlamento, Ari Larijani.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou, em conferência de imprensa, que Pequim “se opõe sistematicamente ao uso da força nas relações internacionais”.

Lin lamentou que “as chamas da guerra se estejam a expandir pelo Médio Oriente e que as tensões regionais estejam a aumentar”.

“Um cessar-fogo imediato e o fim das hostilidades representam a aspiração comum da comunidade internacional”, acrescentou o porta-voz, apelando “a todas as partes envolvidas” para que interrompam “imediatamente as operações militares e evitem que a situação regional se torne incontrolável”.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou na quarta-feira ter lançado um ataque com mísseis contra Telavive, em represália pela morte de Larijani, que era conselheiro do antigo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, também morto numa operação israelita no início do atual conflito.

Emirados fecham instalações de gás e petróleo devido a queda de destroços de mísseis iraniano

Destroços de mísseis atingiram esta quinta-feira (hora local) as instalações de gás e um campo petrolífero nos Emirados Árabes Unidos, que foram encerrados, na sequência de ataques iranianos contra infraestruturas energéticas dos países do golfo Pérsico.

O Gabinete de Imprensa de Abu Dhabi informou nas suas redes sociais que as autoridades estão a responder a "incidentes" ocorridos nas instalações de gás de Habshan e no campo de Bab.

Estes incidentes, que não causaram feridos, foram provocados pela queda de restos de mísseis lançados do Irão e intercetados pelas defesas aéreas.

Um dos ataques iranianos mais graves desta quinta-feira foi o que afetou a refinaria de Ras Laffan, a principal de gás natural liquefeito do Catar, que sofreu um incêndio e danos graves.

Estes ataques ocorrem depois de Israel ter atacado as instalações de gás de Pars Sul, que fazem parte do maior campo de gás do mundo partilhado pelo Irão e Catar, pelo que o Exército iraniano prometeu que não ia ficar impune.

Trump afirma que desconhecia planos de Israel para atacar campo de gás natural iraniano

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que não tinha conhecimento do ataque que Israel iria realizar contra o campo de gás natural South Pars, no Golfo Pérsico, no Irão.

Numa publicação em que Trump se desligou do ataque, indicou que: "Israel, enfurecido com o que aconteceu no Médio Oriente, atacou uma importante instalação no Irão conhecida como o campo de gás South Pars. Apenas uma pequena parte ficou danificada".

O chefe de Estado insistiu que os Estados Unidos não tiveram "conhecimento prévio do ataque" e que "o Irão, sem conhecer os factos, respondeu atacando injustificadamente uma parte da fábrica de gás natural liquefeito do Catar".

"Israel não voltará a atacar o campo de gás South Pars, de importância vital, a menos que o Irão decida imprudentemente atacar um país inocente, neste caso o Catar", acrescentou.

A agência Associated Press avançou esta quinta-feira que os Estados Unidos terão sido informados sobre os planos de Israel de atacar o South Pars, mas não participaram na operação. A AP, que cita uma fonte anónima, acrescentou que esta não quis, porém, esclarecer se a Administração Trump concordou com a decisão israelita de atacar o campo.

Na manhã de quarta-feira, ataques israelitas, que os meios de comunicação da região associaram aos Estados Unidos como parte da operação, atingiram as instalações do vasto campo de gás no sul do Irão, conhecido como a maior reserva natural do mundo e fornecedor de 70% do gás doméstico utilizado pelo Estado persa.

Teerão respondeu com ataques ao Catar e Emirados Árabes Unidos, provocando um incêndio considerável na refinaria de Ras Laffan, a principal refinaria de gás natural liquefeito catari, num depósito de combustível para aviões em Riade e assim como numa refinaria no Bahrein.

O Governo do Catar informou que a defesa civil interveio no incêndio que causou "graves danos" em Ras Laffan, o principal local de produção de gás natural liquefeito do país.

Trump advertiu que autorizará a destruição do campo de South Pars, no Irão, caso Teerão se atreva a atacar novamente as refinarias do Catar.

Catar reporta "incêndios de grandes proporções" em instalações de gás natural

O Catar informou esta quinta-feira que ataques com mísseis iranianos danificaram mais instalações de gás natural liquefeito no país rico em recursos energéticos, "provocando incêndios de grandes proporções e danos adicionais extensos".

De acordo com a Qatar Energy, empresa estatal de petróleo e gás do país, o combate aos incêndios ainda decorre e, até ao momento, não se registaram feridos.

O Catar, que é um importante fornecedor de gás natural para os mercados energéticos mundiais, já tinha suspendido a produção no início da guerra, e estes danos extensos podem atrasar o país no pleno regresso ao mercado após o fim da guerra com o Irão.

O Irão confirmou esta quarta-feira a morte do ministro com a tutela dos serviços de informações, Ismail Khatib, num ataque aéreo israelita na noite de terça-feira, dia em que também reconheceu os assassínios de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e de Gholamreza Soleimani, líder da milícia Basij.

Por outro lado, o país sofreu também um ataque das forças israelitas ao enorme campo de gás natural de South Pars, com o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, a alertar para "consequências incontroláveis" que "podem engolir o mundo inteiro".

Em resposta, o Irão intensificou os ataques às instalações energéticas dos países vizinhos do Golfo Pérsico, atingindo instalações de gás no Catar, e Doha reagiu ordenando aos funcionários da Embaixada iraniana que abandonassem o país no prazo de 24 horas.

Teerão também atacou as instalações de gás de Habshan e o campo de Bab, nos Emirados Árabes Unidos, o que o governo local classificou como uma "escalada perigosa" na guerra da República Islâmica contra Israel e os Estados Unidos. As autoridades de Abu Dhabi afirmam que as operações de gás foram interrompidas após a deteção de atividades suspeitas sobre os locais.

A vasta Província Oriental da Arábia Saudita, onde se encontram muitos dos campos petrolíferos do país, bem como o Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos foram igualmente atacados.

Japão retoma subsídios aos combustíveis para mitigar subida do preço do petróleo

O Japão reativou esta quinta-feira uma série de subsídios para conter o custo dos combustíveis, depois de a gasolina ter atingido um recorde máximo, em plena subida dos preços do petróleo devido ao conflito no Médio Oriente.

O porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, confirmou que o plano visa "limitar o preço de venda ao público da gasolina a cerca de 170 ienes [0,93 euros]" para proteger a economia da atual subida dos preços do petróleo.

A gasolina atingiu na segunda-feira o preço médio de 190,8 ienes por litro (1,04 euros) no Japão.

O programa de subsídios à gasolina tinha sido suspenso no final de 2025, na sequência de uma abolição do imposto sobre os combustíveis.

Os subsídios deverão ser refletidos nos preços de venda ao público no prazo de duas semanas, segundo a emissora pública japonesa NHK.

O programa poderá custar ao Governo cerca de 300 mil milhões de ienes (1,64 mil milhões de euros) por mês, caso o preço dos combustíveis atinja 200 ienes por litro (1,09 euros), segundo as estimativas da ministra das Finanças, Satsuki Katayama, divulgadas pelo jornal Japan Times.

"Espera-se que o ritmo da inflação aumente, impactado pela recente subida dos preços do crude", alertou hoje o banco central do Japão.

A medida responde à crescente incerteza em torno do conflito que opõe os Estados Unidos e Israel ao Irão e à situação no Estreito de Ormuz, um ponto geográfico crucial para o Japão.

Cerca de 95% das importações de crude do Japão provém do Médio Oriente e 70% transitava pelo estreito de Ormuz antes do conflito.

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