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China avalia limitar exportação de terras raras para atingir indústria de guerra dos EUA

Pequim poderá limitar as exportações de metais de terras raras para atingir a indústria militar norte-americana e medir o grau de dependência dos Estados Unidos, reporta o Financial Times. A disputa comercial entre China e EUA parece agora poder assumir um carácter de guerra pela supremacia tecnológica.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 16 de Fevereiro de 2021 às 12:15
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A China está a estudar a hipótese de limitar o volume de metais de terras raras que são essenciais à indústria militar norte-americana, segundo noticia o Financial Times com base em fontes envolvidas no processo de avaliação governamental.

Segundo a publicação britânica, o Ministério da Indústria e Tecnologia de Informação elaborou, em janeiro, um esboço de potenciais controles à produção e exportação chinesas dos 17 minerais de terras raras indispensáveis, por exemplo, dos aviões de guerra americanos F-35, bem como de outro armamento sofisticado.

O FT acrescenta que a intenção de Pequim passa por perceber de que forma a imposição de limites irá atingir as indústrias militares dos EUA e da Europa e identificar de que modo, e quão rapidamente, conseguiria Washington encontrar fontes de fornecimento alternativas ou incrementar a sua própria produção.

A China controla em torno de 80% da oferta global de minerais raros refinados (prontos a ser usados pela indústria transformadora) necessários ao fabrico de equipamentos eletrónicos e material militar. No entanto, em 2020, cerca de metade da produção chinesa de metais raros foi importada de Myanmar e o golpe de Estado nesse país ameaça agora colocar em causa a cadeia de fornecimento necessária.

Até ao momento não se conhece ainda qualquer disrupção, mas a acontecer será muito prejudicial para a economia chinesa. A título de exemplo, no ano passado Pequim importou de Myanmar 95% do latão usado na sua indústria.

É que apesar de a China deter o monopólio na refinação desses minerais, a procura interna é tão elevada que obriga o país a importar a matéria-prima dos minérios do Myanmar e dos EUA. Ou seja, o predomínio chinês pode ser atingido não só pela deterioração das relações bilaterais com Washington, mas também por um eventual encerramento das fronteiras pelos generais do Myanmar.

Nova guerra das estrelas?
Esta potencial iniciativa chinesa surge num contexto de deterioração da relação entre as duas maiores economias mundiais e de crescente disputa pela supremacia económica e militar. Acontece também na sequência da disputa comercial iniciada pela administração Trump e que levou o anterior presidente a dificultar a importação pela China de tecnologia sensível americana.

Entretanto, o recém-empossado presidente Joe Biden já disse pretender retomar o caminho do diálogo e da diplomacia na relação com Pequim, contudo também garantiu que irá manter em vigor alguns dos obstáculos comerciais impostos pelo seu antecessor.

O FT dá conta de que a hipótese de o presidente chinês Xi Jinping adotar uma atitude mais agressiva nesta matéria dos minerais raros poderá ter um efeito negativo para Pequim na medida em que os EUA poderão reagir desenvolvendo capacidade própria e autónoma de produção e pondo assim em causa a supremacia chinesa.

No ano passado, Pequim ameaçou sancionar empresas como a Boeing, a Lockheed Martin ou a Raytheon pela venda de armas a Taiwan (Ilha Formosa), ilha sobre a qual argumenta ter soberania.

Com as projeções a indicarem que a China pode tornar-se na maior economia mundial até ao final desta década, numa fase em que ganha músculo a atuação chinesa no Mar do Sul da China e em que cresce de tom a ameaça sobre países vizinhos, tudo indica que irá crescer a tensão Washington-Pequim.

A notícia agora avançada pelo FT dá ainda força à ideia de que a disputa tecnológica entre a China e os EUA poderá assentar na dinâmica da "guerra das estrelas" que opunha a América à Rússia em plena Guerra Fria e que então canalizou para a disputa espacial a competição entre as duas super-potências assente no equilíbrio da destruição mútua assegurada.

O Pentágono tem vindo a assinar contratos de exploração com mineiros americanos e australianos com vista ao reforço da sua capacidade de refinação e à redução da dependência face a Pequim.

A confirmar que este é um setor em amplo crescimento e de importância geopolítica e geoestratégica crescente, está a aumentar também o interesse dos investidores por este setor. A USA Rare Earth contratou recentemente entidades financeiras para explorar a possibilidade de entrada em bolsa, que poderá acontecer com uma avaliação da empresa superior a mil milhões de dólares, segundo noticiou a Reuters.
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