Presidente do Iémen abandona o país depois de huthis avançarem para a cidade de Aden
Mansour Hadi fugiu do Iémen por via marítima a partir da cidade portuária de Aden depois de as milícias xiitas huthis terem avançado para esta cidade que, até há poucos dias, era controlada pelas forças militares norte-americanas.
O presidente do Iémen, Mansour Hadi, abandonou o país, por via marítima, partindo da cidade de Aden, a sua terra natal. A notícia é avançada pela Associated Press que reporta a fuga de Hadi na sequência dos avanços militares das milícias xiitas huthis para o sul do país.
A reportada fuga do presidente Hadi acontece depois de esta terça-feira os huthis terem ganho o controlo do aeroporto de Aden, cidade onde o presidente iemenita se encontrava desde há um mês depois de as milícias xiitas terem tomado a capital do país, Sanaa.
As agências noticiosas internacionais avançam que os combates prosseguem nas imediações daquela cidade e, segundo escreve a agência Reuters, os huthis estarão perto de assegurar total controlo sobre a região de Aden. Entretanto, todos os voos para aquele aeroporto foram cancelados. No entanto, a Al Jazeera garante ainda não ter conseguido confirmar, no terreno, se Hadi está mesmo em fuga.
Ainda no fim-de-semana passado, na sequência da retirada do país dos conselheiros militares norte-americanos, o presidente Hadi pedia a "intervenção urgente" das Nações Unidas para interromper os avanços das milícias xiitas que ameaçam dividir o país numa guerra civil.
Já esta quarta-feira, e perante os ganhos territoriais dos huthis, que já controlam grande parte da região ocidental do país, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Ryiad Yassin, pediu através da Al Jazeera uma intervenção militar estrangeira no Iémen.
"Queremos uma intervenção militar directa, especialmente através de forças aéreas, para parar os avanços no terreno dos huthis", solicitou Yassin.
Hadi tinha estabelecido a capital do Iémen em Aden no início de Março
Hadi tinha estabelecido a capital do país em Aden no início de Março, já depois de ter escapado à prisão imposta pelas milícias xiitas depois do golpe de Estado concretizado a 22 de Janeiro de 2015 em pleno palácio presidencial. Os huthis terão obrigado Hadi a resignar à presidência tendo decretado depois a sua prisão domiciliária.
Os xiitas huthis são apoiados por forças militares leais ao antigo presidente Abdullah Saleh, deposto em 2011 no decorrer dos protestos desencadeados no Iémen na sequência do deflagrar da Primavera Árabe. Já durante o dia de hoje, a televisão estatal do Iémen, com sede em Sanaa, agora controlada pelas forças xiitas, anunciava um prémio de 100 mil dólares para a captura do presidente Hadi.
Além de colocarem em causa a legitimidade política de Hadi, que substituiu na presidência Abdullah Saleh, de quem era vice-presidente aquando da Primavera Árabe iemenita, os huthis protestam contra o facto de o actual poder no país não defender os direitos da comunidade "zaidi", de ser anti-xiita e de estar ao serviço do radicalismo sunita da Al-Qaeda e do regime da Arábia Saudita.
Esta terça-feira, a Reuters avançava que Riade tinha dado ordens para a mobilização militar junto da fronteira com o Iémen, e, entretanto, o ministro dos Estrangeiros saudita, Saud Al Faisal, avisou que Riade tomará as "medidas necessárias" se os huthis não resolverem a actual crise de forma pacífica, acabando, porém, por não concretizar se está na disposição de enviar o exército de Riade para o Iémen.
Perante a crise na região, o principal índice bolsista saudita, Tadawul All Share, desvalorizou 5%, naquela que é a maior queda diária deste índice em três meses, prova de que os receios face à desestabilização no Golfo Pérsico são elevados.