EUA ponderam assumir controlo da ilha de Kharg no Irão. Khamenei pede nova onda de retaliação
Conflito no Médio Oriente entra no 21.º dia sem sinais de acalmia. Infraestrutura petrolífera no Kuwait alvo de novos ataques. China deixa alerta: "numa guerra prolongada não há vencedores". Acompanhe ao minuto os desenvolvimentos da guerra.
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EUA avaliam assumir controlo da ilha de Kharg
A Administração Trump está a considerar planos para ocupar ou bloquear a ilha de Kharg, o maior ponto de exportação de petróleo do Irão, como forma de pressionar os iranianos a abrirem a passagem no estreito de Ormuz. A informação está a ser avançada pela publicação Axios.
A ilha é responsável por processar cerca de 90% das exportações de petróleo do Irão.
"Precisamos de cerca de um mês para enfraquecer mais os iranianos com ataques, tomar a ilhar e depois tê-los nas mãos e usar isso nas negociações", disse a fonte da publicação norte-americana. "Se ele tiver que controlar a ilha de Kharg para que isso aconteça, é isso que vai acontecer", disse uma outra fonte.
Com cerca de 20 quilómetros quadrados, a pequena ilha de coral está a cerca de 33 quilómetros da costa iraniana e é o principal terminal por onde passam quase todas as exportações de petróleo iranianas. O Irão já exportou 13,7 milhões de barris desde que a guerra começou. Pode saber mais sobre a importância da ilha de Kharg aqui.
Teerão acusou Reino Unido de cumplicidade na guerra
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, denunciou a utilização de bases militares britânicas pelos Estados Unidos, considerando tratar-se de cumplicidade de Londres na guerra.
A acusação de Abbas Araghchi foi comunicada diretamente à chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, durante um contacto telefónico estabelecido no sábado passado.
De acordo com um comunicado sobre o assunto divulgado esta sexta-feira em Teerão, Araghchi disse que as ações do Governo de Londres vão ser "certamente consideradas participação na agressão" e vão ficar "gravadas na história" das relações entre o Irão e o Reino Unido.
O governo britânico aprovou, no início de março, o uso estritamente defensivo de bases militares na região do Médio Oriente, depois de o Governo de Londres ter sido fortemente criticado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, pela recusa inicial.
Esta sexta, o Exército israelita anunciou novos ataques contra instalações do Governo iraniano em Teerão.
Entretanto, seis países mostraram-se prontos para garantir a segurança do Estreito de Ormuz "após a guerra".
A França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Países Baixos e Japão declararam-se "prontos para contribuir" nos esforços no sentido de garantir a navegação no Estreito de Ormuz.
Presidente do Irão alerta para consequências do terrorismo praticado por Israel
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, alertou esta sexta-feira sobre as consequências devastadoras para o mundo se não houver uma reação da comunidade internacional ao terrorismo de Estado praticado por Israel.
“O regime sionista é caracterizado pelo terrorismo de Estado. No entanto, a agressão dos Estados Unidos contra o Irão e o assassinato do líder mártir estabelecem um precedente em disputas internacionais que destruirá as normas jurídicas globais”, disse Pezeshkian, referindo-se ao assassinato do Líder Supremo do país, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei.
“Se o mundo não se mantiver firme, as consequências serão devastadoras”, afirmou o chefe de Estado iraniano nas suas redes sociais.
As autoridades iranianas confirmaram mais de 1.200 mortes resultantes da ofensiva dos EUA e Israel sobre o Irão, embora a organização não-governamental Ativistas dos Direitos Humanos no Irão, sediada nos EUA, estime o número de mortos em mais de 3.000, a maioria civis.
Entre os mortos estão figuras proeminentes como Khamenei, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e os ministros da Defesa e de Informações, Aziz Nasirzadeh e Esmail Khatib, respetivamente, assim como oficiais de alta patente das Forças Armadas e de outras agências de segurança.
Guarda Revolucionária anuncia morte de porta-voz em ataque aéreo inimigo
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou esta sexta-feira a morte do seu porta-voz, Ali-Mohammad Naini, vitimado em mais um ataque aéreo da ofensiva militar conjunta de Israel e dos Estados Unidos da América (EUA).
"Caiu como um mártir no cobarde e criminoso ataque terrorista perpetrado pelo lado sionista-americano, ao amanhecer", lê-se em comunicado oficial daquela força militar da República Islâmica no seu portal da Internet, Sepah News.
Entretanto, o novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, declarou que os inimigos não devem viver em segurança, sublinhando a retaliação pela morte do ministro dos serviços de informações.
Líder Supremo pediu retaliação pela morte do ministro das informações
O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, afirmou esta sexta-feira através de um comunicado que os inimigos da República Islâmica não devem viver em segurança, sublinhando a retaliação pela morte do ministro dos serviços de informações.
O ayatollah Mojtaba Khamenei fez as declarações num comunicado enviado ao Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, depois de Israel ter morto o ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib.
Khamenei não é visto em público desde que foi nomeado líder supremo, sucedendo ao pai, o ayatollah Ali Khamenei, de 86 anos, que foi morto num ataque aéreo israelita no primeiro dia da guerra, a 28 de fevereiro.
As autoridades norte-americanas e israelitas sugeriram que Mojtaba Khamenei tinha ficado ferido na sequência de um bombardeamento.
Kuwait anuncia novos ataques iranianos a refinaria de petróleo
A Corporação Petrolífera do Kuwait informou esta sexta-feira que uma refinaria foi alvo de ataques com drones, e Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein relataram ataques nos respetivos territórios, 21 dias após o início da guerra no Médio Oriente.
Segundo a agência oficial do Kuwait, a refinaria Mina Al-Ahmadi, atacada na véspera, foi alvo de novos impactos de drones, que provocaram um incêndio em algumas das suas unidades, sem que tenham sido registadas vítimas.
O Exército do Kuwait tinha informado anteriormente que as suas defesas aéreas tinham interceptado mísseis e drones que penetraram no espaço aéreo do país.
A Companhia Nacional de Petróleos kuwaitiana informou na quinta-feira que duas das suas principais refinarias, a de Mina Al-Ahmadi e a de Mina Abdullah, foram atacadas por drones que provocaram incêndios.
Da mesma forma, as defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos responderam hoje à penetração de mísseis e drones iranianos no seu espaço aéreo, de acordo com um comunicado do Ministério da Defesa do país em Abu Dabi, no qual não foi especificado o número de aeronaves não tripuladas interceptadas.
O Ministério da Defesa saudita também informou na sua conta da rede social X que quatro drones foram neutralizados na região oriental do país.
O Bahrein, por sua vez, relatou um incêndio num armazém "provocado pela agressão iraniana", segundo o Ministério do Interior, que pouco tempo depois atualizou a informação, anunciando a extinção do incêndio.
Estados do Golfo anunciam estar a responder a novos ataques iranianos
Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait afirmaram esta sexta-feira, em comunicados separados, estar a responder a ataques iranianos com mísseis, enquanto a Arábia Saudita anunciou ter interceptado drones.
Também no Golfo, estilhaços provenientes de uma "agressão iraniana" provocaram um incêndio num armazém no Bahrein, informou o Ministério do Interior do país, onde as sirenes de alerta antiaéreo tinham sido ativadas. O incêndio foi controlado e não causou vítimas.
No Kuwait, o exército indicou, num comunicado, que as suas defesas aéreas "respondem a um míssil hostil e a ameaças de drones", enquanto o Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos refere "a ameaça de mísseis".
Na Arábia Saudita, seis drones foram "intercetados e destruídos" no leste do país e outro no norte, segundo o Ministério da Defesa.
O Irão prosseguiu na quinta-feira os ataques às infraestruturas energéticas no Golfo. Os drones iranianos atingiram uma refinaria saudita e outras duas no Kuwait, e infligiram danos graves na principal instalação mundial de gás natural liquefeito (GNL) no Qatar, em resposta aos ataques israelitas ao campo de gás de South Pars/ North Dome, partilhado por Teerão e Doha.
MNE chinês diz à homóloga britânica que "numa guerra prolongada não há vencedores"
O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, afirmou na quinta-feira que "numa guerra prolongada não há vencedores", a propósito do conflito no Médio Oriente, durante uma conversa telefónica com a sua homóloga britânica, Yvette Cooper.
Wang indicou que "a vontade dos povos é um cessar-fogo", segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
O diplomata instou "todas as partes a pôr termo de imediato às operações militares, resolver as divergências através de um diálogo equitativo e salvaguardar conjuntamente a paz e a estabilidade regionais".
Wang afirmou que "o atual conflito no Médio Oriente está a intensificar-se e os combates estão a alastrar, afetando não só a paz e a estabilidade regionais, mas também diretamente a energia, as finanças, o comércio e o transporte marítimo internacionais, prejudicando os interesses comuns de todos os países".
"Enquanto membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a China e o Reino Unido têm a responsabilidade de manter a paz e a segurança internacionais", acrescentou o ministro chinês.
Cooper declarou que, "perante um mundo cada vez mais instável, o Reino Unido espera manter uma comunicação fluida com a China para promover uma rápida resolução do conflito, retomar as negociações diplomáticas e procurar uma solução a longo prazo", segundo o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Von der Leyen condena ataques energéticos ao Catar e fala em riscos de abastecimento
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou os ataques iranianos à infraestrutura energética do Catar, admitindo "riscos futuros" para o fornecimento à União Europeia (UE), que também "não está imune" à escalada de preços.
"O impacto mais imediato deste conflito, na Europa, é precisamente no setor energético. Neste momento, a segurança física do abastecimento na União Europeia está garantida, mas a Europa não está imune a aumentos globais de preços e, à medida que o conflito continua, os preços da energia continuam a oscilar", começou por dizer a líder do executivo comunitário, em Bruxelas.
No final de uma reunião dos chefes de Governo e de Estado da União Europeia (UE) que durou mais de 12 horas e dominada pelos elevados preços energéticos, Ursula von der Leyen apontou que, "só hoje, o preço do gás subiu 30% após ataques a infraestruturas de gás no Catar".
"Estes são ataques irresponsáveis a infraestruturas e a navios comerciais desarmados, que aumentam os custos e levantam dúvidas sobre os riscos futuros de abastecimento", admitiu.
O governo do Catar afirmou que os ataques iranianos às suas instalações energéticas reduzirão em 17% a capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL), causando perdas estimadas em 20 mil milhões de dólares em receitas anuais.