Trump insiste na compra da Gronelândia. CEO do JPMorgan defende "abrandamento" na adoção da IA
Líder americano diz que acordo entre Ucrânia e Rússia "está razoavelmente perto". Trump discursou no encontro anual do Fórum Económico Mundial. É a quarta vez que Donald Trump participa.
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CEO do JPMorgan defende "abrandamento" na adoção da IA
O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, defendeu esta quarta-feira em Davos, na Suíça, que a inteligência artificial (IA) pode estar "a avançar demasiado rápido para a sociedade" e causar "perturbações civis" caso os governos e empresas não apoiem os trabalhadores que perdem os seus empregos.
Dimon reconheceu que a IA tem grandes benefícios que vão desde o aumento da produtividade à descoberta de curas para doenças, mas defendeu que esta tecnologia poderá ter de ser adotada de forma mais faseada para "salvar a sociedade".
Esta posição foi contestada por Jensen Huang, CEO da Nvidia, empresa cujos "chips" são utilizados em muitos sistemas de IA. Huang argumentou que a falta de trabalhadores especializados é a verdadeira ameaça- "A energia está a criar empregos, a indústria de 'chips' está a criar empregos, as infraestruturas estão a criar empregos", sublinhou.
Jensen Huang disse ainda que esta é uma "oportunidade única" para a Europa, que conta com um setor industrial extremamente forte. "Esta é a vossa oportunidade de saltar da era do software", uma área em que Silicon Valley é mais forte do que a Europa.
Paz na Ucrânia? Se Zelensky e Putin não assinarem um acordo "vão ser estúpidos, os dois estúpidos"
Donald Trump volta a falar sobre o que pretende para a Gronelândia em resposta a uma pergunta do presidente e CEO do Fórum Económico Mundial, Børge Brende. Sem se comprometer com um resultado - "vamos ver o que vai acontecer" - o Presidente dos EUA volta a reforçar que "é muito importante para a segurança nacional e internacional e para parar os vilões".
Salienta que "custa milhares de milhões de euros para a Dinamarca manter este grande pedaço de gelo" e que o Executivo do país "não gasta esse dinheiro". São cerca de 670 milhões de dólares que a Dinamarca paga à Gronelândia, um subsídio que representa cerca de metade do orçamento da região, indica o Financial Times.
Trump volta a reforçar que nunca pediu nada à NATO, depois de "tomar conta da organização durante muitos anos". Está na altura da NATO "se chegar à frente, nós estamos a ajudá-los com a Ucrânia".
Questionado ainda sobre quão rápido pode existir um acordo entre a Rússia e a Ucrânia, o Presidente dos EUA admitiu que achava que a paz ia ser mais fácil de alcançar na região. "Há muito ódio entre os dois presidentes. Acho que os dois querem fazer um acordo, estamos razoavelmente perto", disse
Confessou, no entanto, que é "um equilíbrio difícil. Estamos num ponto em que nos podemos encontrar, se eles não chegarem a um acordo eles vão ser estúpidos, os dois estúpidos".
São estas declarações que encerram o discurso e a sessão de perguntas e respostas de Donald Trump. O Presidente dos EUA segue agora para uma reunião com os líderes europeus sobre a Gronelândia.
Trump termina discurso em Davos. "Cultura muito especial" é o que une a Europa e os EUA
O Presidente dos Estados Unidos terminou o seu discurso que durou cerca de uma hora e 15 minutos. Ainda teve tempo para elogiar e criticar a Suíça, o país anfitrião, ao recordar que "all hell break loose" [instalou-se o caos, em tradução livre] após a imposição de tarifas de 30% aos helvéticos no ano passado.
Uma das frases antes de terminar clarifica o que poderá ser a estratégia de Donald Trump. “A explosão de prosperidade e progresso que construiu o Ocidente não veio dos nossos códigos fiscais. Veio da nossa cultura muito especial. Essa é a herança preciosa que os Estados Unidos e a Europa têm em comum. Nós partilhamos isso, mas precisamos de a manter forte".
"Parabéns a todos" foi a frase escolhida para encerrar. Segue-se agora uma ronda de perguntas com o presidente e CEO do Fórum Económico Mundial, o norueguês Børge Brende.
Ucrânia é um problema da Europa, mas os EUA não vão abandonar a "pior guerra desde a Segunda Guerra Mundial"
O Presidente dos EUA diz que vai reunir com o Presidente ucraniano em Davos ainda esta quarta-feira, mas esta é uma tarefa difícil tendo em conta que Volodymyr Zelensky não está na Suíça. A porta está, no entanto, aberta para um encontro esta quinta-feira.
Donald Trump foi-se contradizendo sobre a Ucrânia ao longo do discurso, que já passou a marca de uma hora. Começou por dizer que o "lindo e grande" Oceano Atlântico leva a que a guerra da Ucrânia não seja um problema dos Estados Unidos: "Não temos nada a ver com isso".
O republicano mostrou-se depois frustrado com a falta de gratidão da Europa. "Além de mortes, destruição e grandes quantidades de dinheiro a irem para pessoas que não apreciam o que fazemos?". E não deixou dúvidas: "Estou a falar da NATO, estou a falar da Europa".
No entanto, minutos depois reconheceu que esta é uma "guerra horrível", a "pior desde a Segunda Guerra Mundial" e disse que está a "ajudar a Europa. Estou a ajudar a NATO e até aos últimos dias quando lhes disse sobre a Islândia [quererá referir-se à Gronelândia], eles adoravam-me. Chamaram-me papá".
Mais de 20 minutos depois, Trump brinca com "óculos lindos" de Macron e regressa à economia dos EUA
Depois de 20 minutos a discursar sobre a Segunda Guerra Mundial, a Gronelândia, a NATO e os óculos de sol do Presidente francês, Emmanuel Macron, Trump volta aos temas domésticos e explica melhor o que pretende com o limite às taxas cobradas nos cartões de crédito e o impedimento aos fundos de comprarem casas.
O Presidente revela que já assinou uma ordem que impede os investidores institucionais de comprarem casas e que está à procura de apoio do Congresso para limitar os juros dos cartões de crédito pelo período de um ano. Trump indica que também instruiu as instituições governamentais a comprarem 200 mil milhões de dólares em títulos hipotecários com o objetivo de reduzir as taxas de juro para a compra de casa.
Após passar por elogios aos EUA como "capital das criptomoedas do mundo", o republicano também dispara à Reserva Federal norte-americana e ao presidente Jerome "late" Powell, como lhe chamou no discurso. "Vou anunciar um novo presidente da Fed em breve, num futuro não muito distante. Acho que ele vai fazer um trabalho excelente", anunciou. A lista está reduzida a quatro personalidades: Kevin Hasset, conselheiro económico da Casa Branca, Kevin Warsh, antigo governador da Fed, Christopher Waller, atual governador da Fed, e ainda Rick Reider da BlackRock.
Trump pede a Gronelândia em troca do financiamento "a 100% da NATO todos estes anos", mas afasta recurso à força
Donald Trump não cede à aquisição e integração da Gronelândia. "Não podemos defender a Gronelândia como se fosse um contrato de 'leasing', precisamos de ter o controlo".
O Presidente dos EUA pede a Gronelândia em troca do financiamento que os EUA deram à NATO nestes últimos anos, que considera ter sido de 100%, juntamente com o apoio na Ucrânia. "O problema com a NATO é que nós estamos lá para eles 100%, mas não tenho a certeza que eles estejam lá para nós", resumiu.
"Quem quer defender um grande pedaço de gelo no meio do oceano. Se houver uma guerra vai ser disputada neste pedaço de gelo", terminou.
Ainda assim, o republicano exclui o uso de força na Gronelândia. "Provavelmente não vamos conseguir nada a não ser que eu decida fazer uso excessivo de força e aí seríamos, francamente, imparáveis. Mas eu não vou fazer isso", garantiu.
Donald Trump continua a dizer que os EUA "nunca pediram nada", mas assegura que esta é uma escolha da Europa. "Eles têm uma escolha. Podem dizer que sim e nós ficamos muito agradecidos, ou podem dizer que não e nós vamos lembrar-nos", relembrou.
"Quão estúpidos fomos em devolver a Gronelândia à Dinamarca?", questiona Trump
Trump não recua na necessidade de os EUA controlarem a Gronelândia. Após perguntar à audiência se deveria falar sobre a Gronelândia, confessando que ia deixar esse tema de fora do discurso, o Presidente mostrou-se arrependido pelos EUA terem devolvido a Gronelândia.
"Depois da Segunda Guerra Mundial devolvemos a Gronelândia à Dinamarca. Quão estúpidos fomos em devolver a Gronelândia à Dinamarca? Quão ingratos são eles agora", disse, após deixar elogios à região. "Tenho um respeito tremendo pelas pessoas da Gronelândia e da Dinamarca. Mas todos os aliados da NATO têm a obrigação de conseguir defender o seu território. E o facto é que nenhuma nação ou grupo de nações está em condições de defender a Gronelândia, sem ser os EUA".
Trump passa depois a uma afirmação de soberania continental sobre a região. "Esta ilha enorme que não está a ser defendida é parte da América do Norte, na fronteira norte do hemisfério ocidental. É território nosso".
O presidente termina de falar sobre a Gronelândia ao afirmar que pretende iniciar negociações para comprar a região.
"Venezuela vai fazer mais dinheiro em seis meses do que nos últimos 20 anos"
O Presidente dos Estados Unidos volta a desviar-se da lista de resultados positivos do seu mandato para falar sobre a Venezuela, "um lugar fantástico por tantos anos" e que tem mostrado "grande espírito de colaboração".
Donald Trump não tem dúvidas. "A Venezuela vai fazer mais dinheiro em seis meses do que nos últimos 20 anos" a produzir petróleo e a dividir a venda com os EUA, considerou o líder americano.
Trump: "Certos lugares na Europa já não são reconhecíveis"
O Presidente dos Estados Unidos abriu o discurso em Davos com um balanço do seu mandato, recuperando o o que disse esta terça-feira na conferência de imprensa da Casa Branca, a data que marcou o primeiro aniversário do seu mandato.
"Trago notícias fenomenais dos Estados Unidos, depois de 12 meses à frente da Casa Branca, a economia está mais dinâmica do que nunca", seguindo a elencar os que considera serem os principais feitos económicos do seu primeiro ano.
Num discurso em ziguezague Donald Trump também dispara à Europa. "Certos lugares na Europa já não são reconhecíveis, não quero insultar ninguém, eu adoro a Europa, quero ver as coisas na Europa a correrem melhor e quero ajudar", afirmou. Isto depois de a primeira frase do discurso ter sido um cumprimento aos "líderes respeitados, muitos amigos e alguns inimigos".
Sala cheia no centro de congressos de Davos. Todos à espera de Trump
A sala onde o Presidente dos Estados Unidos deverá discursar dentro de momentos, no centro de congressos de Davos, já está cheia. São cinco mil lugares ocupados e as portas já foram fechadas.
Donald Trump aterrou há momentos em Davos de helicóptero vindo de Zurique. O atraso devido a problemas técnicos no avião presidencial impede uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, que estava marcada.
A CNN avança, com base numa fonte governamental alemã, que agora é díficil que o encontro entre os dois líderes se realize.
Trump chegou a Davos para encontro "interessante". Discurso deve focar-se no slogan "America First"
Era a chegada mais aguardada na estância de luxo nos Alpes suíços. Após uma troca de avião devido a problemas técnicos, o Presidente dos Estados Unidos aterrou em Zurique e já voou de helicóptero para Davos. O seu discurso está marcado para as 14:30h (13:30h na hora de Lisboa), terá a duração de 45 minutos, e é possível assistir online no site do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês).
Se inicialmente era esperado que o republicano se focasse mais em questões internas como o custo de vida e detalhasse algumas das medidas domésticas que já tinha avançado, - como o limite às taxas cobradas nos cartões de crédito, o impedimento aos fundos de comprar casas, a proibição das empresas de defesa pagarem dividendos e a compra, por parte do Governo, de 200 mil milhões de dólares em títulos hipotecários para reduzir as taxas de juro para a compra de casa -, agora a realidade internacional poderá impor-se.
Ainda assim, fonte da Casa Branca diz ao Financial Times que apesar de assuntos como a Venezuela e Gronelândia estarem incluídos no discurso as declarações deverão centrar-se no slogan de "America First".
Na véspera, Donald Trump voltou a agitar os ânimos ao partilhar nas redes sociais uma imagem criada com inteligência artificial, onde surge a hastear a bandeira norte-americana na Gronelândia e com um texto onde se pode ler “Gronelândia, território dos EUA”, com o ano de 2026. Trump tem insistido que o controlo norte-americano da Gronelândia é “imprescindível” para a segurança dos EUA e do mundo.
Pode ver aqui o resumo desta terça-feira em Davos, bem como o aquecer de acusações entre os líderes europeus e os membros da administração norte-americana.
Na agenda de Donald Trump estará mais do que a Gronelândia, para quinta-feira o Presidente está a planear um evento para a assinatura de um acordo para a criação do Conselho da Paz ("board of peace", em inglês), que será presidido e terá poder de veto do próprio, e que vai ter como missão inicial a reconstrução de Gaza. Para serem membros os 58 países convidados têm de doar mil milhões de dólares, embora última esta informação ainda careça de confirmação.
Trump já discursou no Fórum Económico Mundial três vezes. Primeiro em 2018 e depois em 2020 e ainda em 2025 através de uma videochamada, logo nas primeiras semanas da sua presidência.
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