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Um ano depois da anexação, a larga maioria dos habitantes da Crimeia apoia a inclusão na Rússia

Um ano e dois dias depois do referendo popular em que 93% dos residentes na Crimeia votaram favoravelmente a integração na Rússia, e 365 dias depois da anexação da península por Moscovo, 82% dos habitantes da Crimeia mostram-se a favor da inclusão na Federação Russa. Já no leste da Ucrânia continua a pairar a ameaça separatista.

Crimeia
Crimeia Reuters
18 de Março de 2015 às 07:48

A esmagadora maioria dos habitantes da península da Crimeia é favorável à integração na Federação Russa. De acordo com o estudo da alemã GfK, citado pelo colunista Leonid Bershidsky, da BloombergView, 82% dos residentes na Crimeia estão de acordo com a anexação pela Rússia, enquanto 11% demonstram apoiar parcialmente a integração a Moscovo.

Quando passa precisamente um ano desde a anexação da Crimeia pela Rússia, esta sondagem regista que apenas 4% da população está contra a anexação oficializada a 18 de Março de 2014, já depois de a 16 de Março 93% dos habitantes daquela região terem votado a favor da integração no território russo.

Este estudo poderá contribuir para reforçar a convicção daqueles que consideram que a Crimeia, de maioria russófila, é um território umbilicalmente ligado à história e idiossincrasia russas. Todavia, do outro lado subsiste a intransigência da generalidade da comunidade internacional em reconhecer a anexação feita por Moscovo.

Ainda na passada segunda-feira, a Alta Representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia (UE), Federica Mogherini, reafirmava que a Europa condena a "anexação ilegal" da Crimeia pela Rússia, um "acto que viola o direito internacional". Posição em tudo idêntica à assumida pelos Estados Unidos. No comunicado oficial, Mogherini acrescenta que "a UE reafirma a sua profunda inquietação com a crescente militarização, assim como com a deterioração da situação dos direitos humanos na Crimeia".

Deve ser realçado que esta sondagem não foi conduzida no terreno, mas através de entrevistas telefónicas a 800 residentes naquela região, feitas entre 16 e 22 de Janeiro. O facto de terem sido entrevistados residentes de cidades com mais de 20 mil habitantes, deixa de

A UE reafirma a sua profunda inquietação com a crescente militarização, assim como com a deterioração da situação dos direitos humanos na Crimeia.
 
Federica Mogherini
Alta Representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia

parte a maioria da comunidade tártara, tendencialmente anti-russa, que vive em comunidades mais pequenas. Também os habitantes da cidade portuária de Sevastopol (principal cidade pró-russa da península) foram negligenciados. Ainda assim, tratar-se-á da mais representativa sondagem independente feita na Crimeia desde a sua anexação.

Outra conclusão desta sondagem é a de que, num momento em que permanece a ameaça apresentada pelos separatistas pró-russos na região de Donbass, parte leste ucraniana, os habitantes da Crimeia não pretendem regressar à Ucrânia. Para 51% dos inquiridos, o seu bem-estar melhorou ao longo do último ano, perspectivando-se que em 2015 Moscovo, apesar das dificuldades económicas agudizadas pelas desvalorizações do rublo e do preço do petróleo, transfira 705 milhões de dólares para a península.

Tensão entre Kiev e Moscovo prossegue

Crimeia
Um ano depois da anexação, a larga maioria dos habitantes da Crimeia apoia a inclusão na Rússia Reuters

Há uma semana, foram registados novos movimentos militares das forças separatistas junto à cidade portuária de Mariupol, situada na área de influência das autoridades de Kiev. Contudo, depois de os separatistas terem garantido o controlo de Debaltseve, aquela cidade junto ao Mar de Azov é agora o grande objectivo das forças pró-russas que pretendem garantir a principal ligação marítima para a região da Crimeia.

Desde o início da conflitualidade entre Moscovo e Kiev, ainda em Fevereiro de 2014, que levaram o presidente russo Vladimir Putin a anunciar o não reconhecimento das autoridades saídas da revolução e consequente golpe de Estado da praça da Independência em Kiev, classificando-as de "fascistas", a Rússia tem recorrido ao seu poderio militar para delimitar o raio de acção da Ucrânia.

A Rússia pretende impedir qualquer tipo de veleidade da Ucrânia que passe pela aproximação à UE, ou pela tentativa de adesão à NATO. Talvez por isso, num documentário emitido no passado domingo pela televisão estatal russa, Putin reconhecia que, no ano passado, para garantir o sucesso da anexação da região da Crimeia, o Kremlin estava na disposição de accionar o seu armamento nuclear. Terão mesmo sido dadas ordens nesse sentido, acrescentou Putin.

Em Washington, o presidente norte-americano Barack Obama é cada vez mais pressionado, pelo congresso de maioria republicana e pelo Pentágono, a enviar armamento militar pesado para a Ucrânia, para apoio do debilitado e cada vez mais exaurido exército leal a Kiev. Também os Estados Unidos não reconhecem a anexação da Crimeia porque desrespeita a integridade e indivisibilidade do território ucraniano. Obama já afiançou que os Estados Unidos não irão aceitar uma nova ameaça à integridade territorial da Ucrânia.

Pelo seu lado, a Rússia já avisou, em diversas ocasiões, que o envio de armamento para Kiev, bem como um eventual endurecer das sanções económicas que pendem sobre Moscovo, apenas servirá para provocar um escalar da crise que se arrasta na leste da Ucrânia desde Abril de 2014.

Assim, paralelamente ao aniversário da anexação da Crimeia, aproxima-se também a marca de um ano de conflito armado praticamente ininterrupto na Ucrânia.

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