Constâncio descarta nova crise na zona euro com a dimensão da anterior

O ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Vítor Constâncio descartou esta sexta-feira a possibilidade de a área do euro vir a viver uma crise económica como a que acabou de ultrapassar.
Bruno Simão/Negócios
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Lusa 06 de julho de 2018 às 21:52

"De maneira alguma espero que a área do euro venha a experimentar os desequilíbrios e uma crise da dimensão daquela que acabámos de ultrapassar", afirmou Vítor Constâncio aos jornalistas, à margem da tomada de posse da professora Clara Raposo como presidente do ISEG.

Num curto balanço do seu mandato aos jornalistas, o ex-vice-presidente do BCE admitiu que os programas de ajustamento aplicados a alguns países do euro, como Portugal, "não foram perfeitos", partilhando responsabilidades de falhas com a Comissão Europeia e com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Longe disso. Mas ninguém pensou que o PIB da Grécia ia descer 25%. Ninguém planeou isso, ninguém desejou isso. Mas aconteceu, em resultado de a quebra de confiança dos agentes económicos ter levado, muito além do que se pensava, as consequências do ajustamento", afirmou.

Para Vítor Constâncio, a passagem pelo BCE foi "muito gratificante".

"Creio poder dizer que as decisões do BCE foram cruciais para evitar uma situação de ameaça à área do euro, para contribuir para uma recuperação económica", afirmou, considerando que as medidas não convencionais que o BCE tomou tiveram um papel importante na recuperação.

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Questionado sobre se o BCE podia ter evitado o colapso de grandes bancos, Vítor Constâncio recordou que a instituição sediada em Frankfurt apenas começou a ter responsabilidades de supervisão em Novembro de 2014.

"Depois sim, a supervisão europeia ficou vigorosa", disse, considerando que os bancos europeus estão mais robustos do que em 2014 e mais resistentes a futuros abalos e que isso " também foi responsabilidade do BCE".

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