Política Monetária Banco central chinês alivia requisitos de capital dos bancos para estimular a economia

Banco central chinês alivia requisitos de capital dos bancos para estimular a economia

O Banco Popular da China vai reduzir os rácios de capital que são exigidos aos bancos para aumentar a liquidez no mercado financeiro. O objetivo é estimular a economia chinesa.
Tiago Varzim 06 de setembro de 2019 às 11:46
O banco central chinês vai reduzir os requisitos de capital dos bancos a partir de 16 de setembro. Com esta medida, os rácios de capital vão descer para o nível mais baixo desde 2007, de acordo com a Bloomberg. 
 
O governador do Banco Popular da China, Yi Gang, anunciou esta sexta-feira, 6 de setembro, que as reservas exigidas aos bancos vão baixar em 0,5 pontos percentuais. O objetivo é injetar liquidez na economia numa altura em que a disputa comercial com os EUA está a afetar o crescimento da segunda maior economia do mundo. 

Há ainda uma redução maior dos rácios de capital - proporção das reservas face aos depósitos em determinado banco - em um ponto percentual para alguns bancos comerciais, a qual entrará em vigor em duas fases, a primeira a 15 de outubro e a segunda a 15 de novembro. O corte fará com que haja mais capital disponível, baixando os custos de financiamento para empresas e particulares.

De acordo com o banco central, a redução das exigências de reservas irá libertar aproximadamente 114 mil milhões de euros (900 mil milhões de yuans) de liquidez na economia, o que poderá a ajudar a compensar o impacto do pagamento de impostos que acontece a meio de setembro.

Esta estratégia de reduzir a "almofada" dos bancos tem sido seguida pelo banco central como forma de combater a desaceleração económica do país. Esta é o terceiro corte nas reservas exigidas aos bancos em 2019. As outras duas ocorreram em janeiro e em maio com o objetivo de estimular a cedência de crédito a empresas mais pequenas. Segundo a Reuters, é a sétima vez que o banco central corta as exigências das reservas desde 2008.


Contudo, a "libertação" desse capital poderá pressionar ainda mais o renminbi (se há mais oferta e a procura ficar inalterada, a moeda tende a desvalorizar), enfraquecendo-o face ao dólar, o que poderá antagonizar ainda mais Washington. A divisa chinesa ultrapassou a barreira psicológica dos 7 yuans por um dólar no mês passado, o que levou os EUA a classificar a China de "manipulador de moeda". 

Ainda assim, o banco central assinalou que esta medida não se traduz num grande passo para estimular a economia. "O corte [das exigências de reservas] não se trata de encher a economia de estímulos", refere o Banco Popular da China, assinalando que "a postura prudente na política [monetária] não mudou". 

Recorde-se que é cada vez mais consensual entre os economistas que o PIB chinês vai começar a crescer menos de 6%, após vários anos de crescimentos muito expressivos. No segundo trimestre deste ano, a economia chinesa cresceu 6,2%, a taxa de crescimento mais baixa em 27 anos.



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