Política Monetária Bancos centrais já cortaram juros 32 vezes em 2019. Mercados querem mais

Bancos centrais já cortaram juros 32 vezes em 2019. Mercados querem mais

Nos últimos meses, os bancos centrais inverteram a tendência de normalização da política monetária e voltaram a cortar os juros. Mas os mercados querem ainda mais.
Bancos centrais já cortaram juros 32 vezes em 2019. Mercados querem mais
À esquerda, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu. À direita, Jerome Powell, presidente da Reserva Federal norte-americana.
Bloomberg
Tiago Varzim 05 de setembro de 2019 às 13:53
Num universo de 38 bancos centrais, este ano já houve 32 cortes de juros diretores, o que se traduz numa queda acumulada de 13,85% dos juros a nível internacional, de acordo com os dados do Banco de Pagamentos Internacionais.

O caso mais paradigmático é o da Reserva Federal que, no final de julho, baixou os juros, revertendo uma subida do início do ano. Jerome Powell, presidente da Fed, explicou que a decisão era uma correção da trajetória dos juros dados os efeitos negativos da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China. O impacto das tarifas já se alastrou à economia mundial, tendo o risco de recessão aumentado. 

Este ajuste da política monetária dos bancos centrais e os fracos dados económicos tiveram um impacto nas expectativas dos mercados, tendo os investidores apostado em ativos de refúgio. Os juros das dívidas soberanas baixaram de forma significativa, em alguns países para mínimos históricos. No caso da Alemanha, por exemplo, os juros da dívida são negativos em todas as maturidades até aos 30 anos, inclusive.

Mas os mercados estão a aguardar muito mais da parte dos bancos centrais. De acordo com a Bloomberg, os investidores já incorporaram 58 cortes de juros, assumindo que a política monetária mantém a atual trajetória mais acomodatícia, o que se traduziria em mais 16% de redução global dos juros diretores. 

A maior expectativa dos mercados reside na Fed, como mostra o gráfico da Bloomberg (linha a amarelo). A Reserva Federal é o banco central (entre os principais) que tem os juros num nível mais elevado. Segue-se a Nova Zelândia e a Austrália.
Já os bancos centrais da Zona Euro e do Japão têm, em teoria, pouca margem para atuar uma vez que os juros diretores estão a zero ou em níveis negativos. No caso do Banco de Inglaterra, o governador Mark Carney está de mãos atadas até saber o que vai acontecer com o Brexit uma vez que as circunstâncias da saída do Reino Unido da União Europeia terão consequências na política monetária.

Também nas economias emergentes se sente a tendência de descida dos juros. Segundo uma recolha feita pela Reuters, apenas no mês passado houve 14 cortes dos juros num total de 37 países, o que, de acordo com a agência de notícias, é o maior esforço da política monetária nas economias emergentes desde a crise financeira de 2008.



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