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BCE em "modo de espera" abre porta a novos estímulos só em dezembro

O Banco Central Europeu adiou uma decisão quanto ao reforço do programa de compra de ativos até à próxima reunião de dezembro, em linha com o esperado pelos analistas.

Martin Lambert/EPA
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 29 de Outubro de 2020 às 12:49
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O Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juro dos depósitos e o tamanho dos seus programas de compra de ativos inalterados, deixando uma posterior decisão para a próxima reunião de dezembro, de acordo com o comunicado revelado hoje, após o desfecho de um novo encontro de política monetária.

"A nova ronda das projeções macroeconómicas elaboradas em dezembro permitirá uma reavaliação aprofundada das perspetivas económicas e do equilíbrio de riscos. Com base nesta avaliação atualizada, o Conselho do BCE recalibrará os seus instrumentos, consoante apropriado, a fim de dar resposta à situação em curso", pode ler-se no documento.

Esta era a expectativa dos analistas questionados pelo Negócios, na antevisão a esta reunião. Todos esperavam que Christine Lagarde, a presidente da instituição europeia, mantivesse o tamanho do atual programa de compra de ativos de emergência nos 1,35 biliões de euros até dezembro, altura em que o banco fará novas previsões macroeconómicas e terá maior clareza para agir em conformidade com as perspetivas da altura.

Assim sendo, o banco mantém as taxas de juro dos depósitos em mínimos, nos -0,5%, e os juros das operações de refinanciamento e de cedência de liquidez  no patamar dos 0% e 0,25%, respetivamente. Garante ainda que será de esperar que "as taxas de juro diretoras se mantenham nos níveis atuais ou em níveis inferiores até observar que as perspetivas de inflação estão a convergir de forma robusta no sentido de um nível suficientemente próximo, mas abaixo, de 2%".

No que toca ao PEPP (Programa de Compras de Emergência Pandémica), o BCE opta por não reforçar a atual bazuca de 1,35 biliões de euros, do qual ainda faltam gastar 733,14 mil milhões de euros, com prazo de validade até, pelo menos, junho de 2021, segundo o banco.

No entanto, a expectativa é que em dezembro esta ferramenta seja reforçada em 500 mil milhões de euros, para os 1,85 biliões com o prazo de compras a ser também ele alargado.

Quanto ao APP (asset purchase programme), o programa de compra de ativos, as compras "prosseguirão a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros, a par das aquisições ao abrigo da dotação temporária adicional de 120 mil milhões de euros até ao final do ano", pode ler-se no relatório da decisão.

Covid-19 assusta e poderá fazer alterar previsões

As antigas projeções do BCE, feitas em setembro, apontam para uma queda de 8% do PIB (produto interno bruto) na Zona Euro em 2020. Mas numa entrevista publicada no site da instituição, este mês, Lagarde fez saber que as previsões de dezembro serão bem menos otimistas, dada a crescente propagação do vírus.

Isto porque, desde então, a crise sanitária na região tem aumentado de tom e vários países estão a apertar as restrições de circulação, como a Alemanha e França fizeram ontem, num dia em que o número de casos diários com covid-19 voltou a bater recordes em Portugal, Espanha, Itália e Reino Unido.

Em dezembro, para além de uma outra perspetiva do lado sanitário, o BCE terá uma visão mais clara das negociações do Brexit e das eleições dos EUA – dois eventos que poderão abanar os mercados financeiros da região.

"A porta para a ação em dezembro está completamente aberta. Vamos esperar que a situação não piore de forma acentuada e obrigue o BCE a correr pela porta mais cedo do que o planeado", diz o analista do ING, Carsten Brzeski, numa nota de rescaldo às decisões anunciadas.

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