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Fed corta juros em 100 pontos base para intervalo entre 0% e 0,25%

O banco central dos EUA voltou a cortar os juros diretores, desta vez em 100 pontos base, para um intervalo entre 0% e 0,25%. E reforça os estímulos à economia com compras adicionais de obrigações e benesses à banca, além de antecipar a reunião de política monetária.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 15 de Março de 2020 às 21:21
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A Reserva Federal norte-americana voltou a cortar os juros diretores, desta vez em 100 pontos base, para um intervalo entre 0% e 0,25%. A taxa dos fundos federais regressa assim ao intervalo dos mínimos históricos onde permaneceu por muito tempo, antes de ter sido iniciada a normalização da política monetária.

Donald Trump já reagiu, dizendo estar "muito feliz". O presidente norte-americano, recorde-se, tem exercido bastante pressão e criticado o banco central por não avançar com um corte de juros mais profundo - o que veio agora a acontecer.

A Fed anunciou também este domingo o reforço da flexibilização quantitativa (quantitative easing – QE), que passa pela compra de obrigações num valor mínimo de 700 mil milhões.

 

Além disso, anunciou várias outras medidas, incluindo deixar os bancos financiarem-se a partir da janela de desconto da Fed durante 90 dias e reduzir os requisitos de capital de reserva para 0%.

E mais: a Reserva Federal anunciou ainda ter-se concertado com mais cinco bancos centrais para garantir que há dólares disponíveis em todo o mundo através de contratos swap.

No passado dia 3 de março, a autoridade monetária liderada por Jerome Powell (na foto) tinha já procedido a um corte surpresa de 50 pontos base da taxa diretora, para um intervalo entre 1% e 1,25% - isto na tentativa de conter o impacto económico do coronavírus. Foi a primeira vez que a Fed anunciou um corte de emergência desde a crise financeira.

Powell contra taxas de juro negativas. E reunião foi antecipada

O presidente da Fed, que entretanto falou em conferência de imprensa, disse que o banco central não vê como adequada nos EUA uma política de taxas de juro negativas.

Jerome Powell anunciou ainda a antecipação da reunião de política monetária da Reserva Federal, que estava prevista para as próximas terça e quarta-feira (17 e 18 de março). Fica agora marcada para os primeiros dois dias da semana, pelo que na terça-feira poderá haver mais notícias.

A decisão tomada hoje foi quase consensual. Apenas a presidente da Fed de Cleveland, Loretta Mester, se mostrou contra um corte tão acentuado dos juros, preferindo que tivessem descido para um intervalo entre 0,50% e 0,75%.

Wall Street afunda

 

Os investidores ficaram desassossegados com a notícia do corte de juros pela Fed, tendo os principais índices de Wall Street afundado de imediato.

 

Os futuros das bolsas norte-americanas mergulharam 5% este domingo à noite, na negociação do "after hours", atingindo assim o "limite de queda" – significando que não podem descer mais, explicava a CNN Business.

 

Os futuros do Dow Jones seguem a ceder 4,5% (1.041 pontos) e do S&P 500 perdem 4,8%, ao passo que os do tecnológico Nasdaq Composite recuam 4,5%.

 

Na semana passada, os três índices entraram em "bear market", a desvalorizarem mais de 20% desde os últimos máximos (que foram máximos históricos).

 

Já o ouro ganhou impulso esta noite, a reforçar o seu estatuto de valor-refúgio, assim que o corte de juros da Fed foi anunciado.

 

Outras ações da banca central

 

Também o banco central da Nova Zelândia se decidiu este domingo por uma redução dos juros diretores, em 75 pontos base, de 1% para 0,25%.

 

Por outro lado, o Banco do Japão (BoJ) anunciou ao final da noite que vai realizar esta segunda-feira uma reunião de política monetária, de emergência, às 12:00 de Tóquio (03:00 da manhã em Lisboa).


Ciclo de subidas ficou para trás nos EUA

Powell tinha declarado que o corte de 25 pontos base da taxa dos fundos federais anunciado em julho do ano passado – o primeiro em mais de 10 anos – não seria o início de um longo ciclo de descidas. Mas em setembro voltou a descer os juros diretores e voltou a fazê-lo na reunião de política monetária de outubro. Em dezembro e depois em janeiro deste ano já não lhes mexeu.

Com as três reduções do ano passado, tudo apontava para que tivesse ficado para trás o ciclo de normalização iniciado há pouco mais de quatro anos. E ficou.

 

Depois de cerca de sete anos sem mexer nos juros (tinha-os cortado em dezembro de 2008), que se mantiveram em mínimos históricos entre 0% e 0,25%, a Reserva Federal elevou nove vezes os juros entre finais de 2015 e dezembro de 2018.

 

A Fed procedeu ao primeiro aumento (de 25 pontos base) em dezembro de 2015 e posteriormente voltou a incrementar em 25 pontos base a taxa diretora em dezembro de 2016. Seguiram-se mais três subidas de 25 pontos base em 2017 e mais quatro aumentos em 2018.

 

Em julho de 2019 procedeu então ao primeiro corte desde dezembro de 2008. Ou seja, 10 anos e meio depois, regressou a uma política de estímulos à economia, num momento de desaceleração – o que, ainda assim, continuou a "saber a pouco" ao presidente norte-americano, com  Trump a insistir em cortes mais profundos, baixando os juros diretores diretamente para os 0%, e a dizer que a Fed não tinha coragem.

(notícia atualizada pela última vez às 00:42 de 16 de março)

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