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Fed volta a não mexer nos juros. E só vê um corte este ano

O banco central dos Estados Unidos optou, tal como se esperava, por deixar inalterada a taxa dos fundos federais. Desde dezembro que a taxa diretora está no mesmo nível.

Jerome Powell é o atual presidente da Fed e o seu mandato termina em maio.
Jerome Powell é o atual presidente da Fed e o seu mandato termina em maio. Mark Schiefelbein / AP
18:02

A Reserva Federal (Fed) norte-americana anunciou, sem surpresa para o mercado, que a taxa dos fundos federais se mantém no intervalo entre 3,5% e 3,75%. Foi neste patamar que o banco central liderado por Jerome Powell colocou os juros em dezembro passado, naquele que foi o terceiro corte de 2025 – o primeiro tinha sido em setembro e o segundo em outubro. No final do ano passado os responsáveis da Fed apontavam para a possibilidade de procederem a uma só redução da taxa de referência este ano e agora reiteraram esse sinal.

Com efeito, o “dot plot” mapa trimestral que mostra como cada representante do banco central estima as mexidas nos juros diretores – continua a apontar para apenas um corte dos juros em 2026. Quanto a 2027, sinaliza também somente uma redução.

Os responsáveis da Fed – que tem um duplo mandato, estabilidade dos preços e pleno emprego – continuam assim no modo “esperar para ver”, numa altura em que o mercado de trabalho se mostra moderado e em que a inflação persiste acima da meta de 2%. 

Inflação revista em alta

O Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) , vendo agora a inflação total e a inflação subjacente (que retira à inflação global o efeito da variação dos preços da energia e dos alimentos, mais voláteis e sujeitos a choques independentes da dinâmica da economia) nos 2,7% no final deste ano, quando a sua meta é de 2%. Nas últimas projeções, apresentadas em dezembro, a Fed apontava para, no final de 2026, a inflação total fosse de 2,4% e a subjacente de 2,5%. 

Quanto às estimativas para o crescimento económico, foram revistas em alta para este ano, esperando agora a Fed que o PIB cresça 2,4% – contra os 2,3% projetados em dezembro. 

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A Fed projeta um crescimento de 2,4% do PIB este ano, uma revisão em alta face às anteriores estimativas.

Já no que diz respeito ao mercado laboral, os responsáveis da Reserva Federal não preveem um enfraquecimento adicional, apontando para que a taxa de desemprego se mantenha em 4,4% no final de 2026. Neste capítulo há uma mudança na forma como a Fed caracteriza a taxa de desemprego, já que optou por a descrever como “pouco alterada” em vez de referir, como habitual, que está a dar “sinais de estabilização”. 

No seu comunicado, o FOMC sublinha que as implicações da ofensiva no Médio Oriente são ainda incertas, com o mercado na expectativa de ouvir mais explicações de Powell na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio da decisão. 

E foi precisamente esse assunto que o presidente da Fed começou por abordar, dizendo que, no curto prazo, os preços da energia irão impulsionar a inflação total, mas ressalvando que “é ainda demasiado cedo para saber o âmbito e duração dos potenciais efeitos na economia”.

Além disso, Powell aludiu ao facto de os Estados Unidos se debaterem igualmente com uma pressão inflacionista decorrente das tarifas alfandegárias. “Estamos cientes do desempenho da inflação nos últimos anos e de como uma série de choques interrompeu os progressos que tínhamos conquistado”, afirmou. 

Incerteza domina

O líder do banco central disse ainda que se a Fed pudesse escolher “saltar a divulgação” das projeções económicas, “esta teria sido uma boa altura”, dada a grande incerteza que paira. “Simplesmente não sabemos [como irão as coisas evoluir]”.

Sobre o mercado laboral, Jerome Powell declarou que “há um bom número de elementos” do FOMC preocupados com os baixos níveis de criação de emprego nos últimos seis meses. Em janeiro a economia norte-americana criou cerca de 126.000 novos postos de trabalho, ao passo que em fevereiro se perderam 92.000. 

E embora haja fatores – como as fortes tempestades de inverno – que possam ter influenciado, Powell sublinhou que os números dos dois meses praticamente se anularam. Poderá parecer um equilíbrio, mas não é um equilíbrio confortável, considerou. As mudanças em matéria de política de imigração e a disrupção trazida com a inteligência artificial também continuam a ser observadas de perto pela Fed como potenciais fatores que contribuem para um baixo nível de novas contratações.

Questionado sobre os seus planos para o futuro, Powell disse que não tenciona sair da Fed até a investigação de que é alvo – acusado de ter derrapado nos custos com as obras nos edifícios do banco central – ter sido concluída. Se fica depois disso, ainda não decidiu. Mostrou-se também disponível para continuar como presidente, numa base temporária, se Kevin Warsh (nome indicado por Trump para o substituir) não for confirmado pelo senado até maio. O mandato de Powell como presidente da Fed termina já em maio, mas como governador só termina em 2028.

(notícia atualizada pela última vez às 19:46)

 

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